A moda ética e consciente precisa deixar de ser nicho para ser absolutamente normal — Moda Sem Crise
16 • maio • 2017

A moda ética e consciente precisa deixar de ser nicho para ser absolutamente normal


NEGÓCIOS DE MODA – “Gosto não se discute”. É o que diz um ditado popular. Mas, o fato é que os adventos tecnológicos – em especial a internet – tornaram essa afirmação um tanto quanto fora de moda. E levando em consideração as constantes transformações pelas quais passam os processos de produzir e, principalmente, consumir moda na contemporaneidade, tão importante quanto o gosto é o que fazer com a liberdade de escolha – questão também, mais do que nunca, colocada em debate.

Para Eloisa Artuso, co-fundadora e consultora da UN Moda Sustentável, esse é um momento ímpar na história recente da indústria da moda que, guiada por demandas de consumidores, precisa definitivamente se posicionar a respeito de valores econômicos, sociais e ambientais. “A moda sustentável está a ponto de deixar de ser nicho para se tornar normal. Ela está a ponto de acontecer. Mas não pode acontecer só para quem é muito engajado. Está na hora da moda sustentável se tornar normal”, disse.

Decisões particulares têm consequências coletivas e diferentes impactos na sociedade. E o comportamento de consumo e a nova consciência na moda é assunto recorrente na pauta da UN Moda Sustentável – e Eloisa falou a respeito durante um dos principais eventos da indústria têxtil e de confecções do Brasil: a FebraTêxtil que aconteceu em São Paulo, entre os dias 25 e 28 de abril.

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Eloisa Artuso falando sobre a ética como propulsora de um novo tipo de consumo – Foto: Marcela Fonseca

A demanda da qual Eloisa fala está intrinsecamente relacionada aos Millennials – também conhecidos como Geração Y – pessoas nascidas a partir dos anos 1980, que testemunharam a escalada tecnológica, que hoje estão totalmente inseridos no cenário digital e que estão buscam uma relação transparente e a longo prazo com as marcas com as quais se conecta por meio de valores, não de cifras.

“Essas gerações estão dando mais importância para o que estão comprando. São pessoas que começam a buscar por mudanças positivas por meio do próprio comportamento. Eles começam a entender o poder de consumo capaz de promover mudanças”, comentou Eloisa que mencionou também a Geração Selfie – que nasceu na era digital – e que da mesma forma, busca por marcas que compartilhem os mesmos valores e transparência.

Eloisa citou exemplos que incentivam mudanças em cidades brasileiras e de diferentes partes do mundo. E pesquisas de tendências de consumo que afirmam que essas gerações estão menos associadas ao excesso, ao acúmulo individual, ao acúmulo de bens.a-moda-etica-e-consciente-precisa-deixar-de-ser-nicho-para-ser-absolutamente-normal

5 tendências: autenticidade; compartilhamento; bem circular; digital; e a transparência nos negócios

Autenticidade – Um exemplo de autenticidade é a empresa holandesa Mud Jeans: “Eles afirmam que estão longe de tendência de passarela e modismos. Eles querem fazer um jeans de qualidade com o qual as pessoas se identifiquem e queiram usar por muito muito tempo. Além dessa autenticidade trazem com eles a durabilidade e atemporalidade que além de vender o jeans tem um esquema de recebê-lo de volta”. Essas peças seguem revenda ou para ser destinado à reciclagem, de acordo com a sua condição”. O Moda Sem Crise já mencionou a empresa em um texto sobre Economia Circular: Do berço ao berço – Ajustes e serviços de manutenção também estão à disposição que o consumidor consuma – no verdadeiro significado da palavra – a peça por mais tempo. “É um novo modelo de pensar o negócio e não pensar só o produto”, afirma Eloisa.

Compartilhamento: “Sobre o consumo compartilhado trago aqui dois exemplos – uma biblioteca de roupas que surgiu em Amsterdam, na Holanda [referindo-se à LENA] e a Roupateca, em São Paulo. Um novo modelo de se pensar o produto. Você tem acesso ao produto, mas você o aluga. São peças para o dia a dia, não são roupas de festas [referindo-se aos trajes tradicionalmente alugados]. Você faz um plano mensal com direito a pagar outras peças dentro do seu plano. É uma maneira de ter roupa nova toda semana, mas sem comprar roupas novas, sem que esteja incentivando esse consumo desenfreado.

Bem circular: “Então a gente começa a pensar em tudo. Em todos os recursos de maneira que possam circular. Então a gente passa a encarar o lixo, como é o caso da Retalhar  [que também já teve texto publicado aqui no Moda], de uma maneira que ele volte para a cadeia e possa ser nutriente para novos ciclos. Isso acaba passando pelas bibliotecas de compartilhamento da posse do acesso. Eu não preciso ter um produto com tanto que tenha acesso no momento em que precisar, de forma que possa devolver quando não precisar mais e outras pessoas possam usar esses bens. Então isso faz com que também os negócios passem a pensar de produto para serviço. Porque o produto é importante para circular, mas você precisa criar novas soluções, modelos de negócios para que consiga integrar e criar essa comunidade que uso seus produtos. Então o raciocínio muda um pouquinho também. O circular é conhecido como cradle to cradle – em português, do berço ao berço – onde o ciclo não começa no ponto A e termina no ponto B. Os recursos circulam. É uma maximização, otimização de recursos naturais.”

Digital: “O digital é outro ponto de tendência muito forte que tem transformado a forma de como a gente consome e como a gente produz. Os sites cada vez mais responsivos. Tem que trazer educação, informação e transparência porque a partir de hoje as pessoas conseguem comprar online os produtos. Então elas não vão comprar de imediato se não acreditam no produto. Tem um mercado inteiro disponível no computador, na frente delas e os consumidores estão cada vez mais atentos às condutas das marcas e estão sim pesquisando cada vez mais antes de comprar. Por isso é importante que as marcas tragam à tona isso e digam como elas fazem, como elas trabalham, quais suas condutas e que se tornem o mais transparente possível neste sentido.”

Transparência: “Passo para a transparência que é outro ponto e trago mais dois exemplos: um deles é a Honest By, primeira marca transparente.” Lançada em 2012, a Honest By foi criada pelo estilista belga Bruno Pieters e é uma marca de vanguarda. “Ao acessar o e-commerce e clicar em qualquer item, o cliente tem acesso a uma ficha completa que mostra toda a origem e processo de produção. O que o ajuda a fazer uma escolha mais consciente também. É a estratégia dele e a marca já foi lançada desse jeito. Traz informação, mostra o processo por meio de indicadores e números. E esse foi um passo importante. Outro exemplo importante é a Catarina Mina que trabalha com artesãs do nordeste que fazem acessórios. E essa marca seguiu o mesmo conceito: o cliente clica no produto e abre a ficha técnica onde diz o quanto foi pago para a artesã, custos fixos, custos com envio e embalagens.”

E Eloisa completou apresentação falando a respeito dos 17 Objetivos para transformar o nosso mundo – um acordo estabelecido pela Organização das Nações Unidas (ONU) que prevê 17 metas para o desenvolvimento sustentável – decisões que “determinarão o curso global de ação para acabar com a pobreza, promover a prosperidade e o bem-estar para todos, proteger o meio ambiente e enfrentar as mudanças climáticas”, como explica a Organização – até 2030. “São 17 metas estabelecidas em um acordo entre países que devem ser alcançadas ou vão ao menos tentar alcançar – em nível estadual, municipal – o que acaba atingindo a gente porque é uma responsabilidade individual fazer com que os objetivos sejam alcançados. O número 12 é assegurar padrões de produção e consumo sustentáveis. Então está nas ,aos do mundo alcançar. É possível. A gente consegue. Dá pra fazer!”, finalizou.

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Desguarda Roupa | Resumo da semana – Maio #3 - 19, maio 2017 às (15:24)

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