Que tipo de consumidor de moda é você? — Moda Sem Crise
15 • março • 2017

Que tipo de consumidor de moda é você?


COMPORTAMENTO – Em 15 de março de 1962, o então presidente dos Estados Unidos, John Kenndedy fez um discurso sobre os direitos dos consumidores que impactou todo o mundo. Sua fala, “All of us are consumers“, em português, “Todos nós somos consumidores“, entrou para a história como marco fundamental para o surgimento dos direitos dos consumidores. No entanto, a data só foi validada 23 anos mais tarde. Tudo isso se passou durante a 3ª Revolução Industrial. Período em que o mundo viu emergir, entre outras coisas, as principais invenções tecnológicas, como robôs, satélites, computadores e celulares. Os direitos dos consumidores estavam garantidos – o que é legítimo e não está em questão. Mas essa época marca as transformações do modelo de consumo, tal qual o conhecemos hoje. Forte e poderoso, o consumo cada vez mais exagerado tem feito vítimas e devastado o planeta. Portanto, neste Dia Mundial do Consumidor, além de celebrar a conquista por direitos, vale também pensar e repensar em todas as atitudes de consumo. E fica o convite à reflexão: Que tipo de consumidor é você? 

A indústria da moda é a segunda que mais polui o planeta – ficando atrás apenas da indústria petrolífera – isso sem falar que é uma das que mais mata seus trabalhadores. Em ritmo acelerado se produz a qualquer custo. Deixando por onde passa rastro de degradação e desigualdade. É necessário insistir e dizer que, estima-se que por ano, 80 bilhões de peças novas de roupas sejam produzidas e vendidas em todo o mundo, 400% a mais do que duas décadas atrás. Com a rotatividade de lançamentos e produtos cada vez mais baratos para o consumidor final, quem paga a é quem realmente coloca a mão na produção em massa. E intrinsecamente relacionado a uma fórmula estão, entre outras coisas, a EXPLORAÇÃO da MÃO DE OBRA e o CONSUMO DESENFREADO – assim mesmo, em letras garrafais.

Pense

Mais do que nunca é hora de pensar sobre o real custo de uma peça de roupa que satisfaz o desejo de consumo. Você já parou para avaliar qual o verdadeiro valor de produção de uma simples camiseta? De uma calça jeans? E de uma coleção em uma rede de fast fashion que a cada 15 dias promove o lançamento de uma nova grade? Talvez seja hora de parar para avaliar não apenas no sentido monetário, mas no impacto ambiental e social que a produção de uma peça roupa causa. Para se ter uma ideia, a fabricação de uma calça jeans consome 11 mil litros de água – isso só para falar em meio ambiente. E no âmbito social?

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O impactante documentário “The True Cost” foi lançado em novembro de 2015 e está disponível legendado no Netflix

Lançado em 2015, o dramático documentário “The True Cost“, de Andrew Morgan, aborda tais questões e apresenta “O Verdadeiro Custo” da indústria do vestuário. O filme têm 92 minutos de duração e dá detalhes da cadeia produtiva de grandes marcas e redes fast fashions. O objetivo da obra é alertar e provocar o questionamento de toda a indústria da moda, que envolve, entre outros, produtores de algodão, donos de fábricas têxteis, trabalhadores que ganham US$ 2 dólares por dia – o que equivale a menos de R$ 10 diários. Industria que envolve ainda ativistas que lutam pelos direitos humanos desses trabalhadores e economistas que são a favor ou cotra esse sistema que explora e promove a desigualdade e crueldade.

A indústria da moda está entre as que mais faz uso da mão de obra humana. Altamente lucrativa, essa indústria tem rendido cifras milionárias às grandes varejistas que apostam num modelo de negócio de venda de roupas baratas e descartáveis. É ilusão, na condição de consumidor, se deixar seduzir pelo poder de compra. Poder que tem levado milhões e milhões de consumidores a promover a morte de trabalhadores levados à situações extremamente precárias para atender a demanda. A cada 30 minutos, um produtor de algodão se mata na Índia.

“The True Cost” é um filme que levanta as cortinas da história não contada e provoca ao perguntar: Quem realmente paga o preço das nossas roupas? Filmado em diferentes países do mundo, das passarelas mais iluminadas até as favelas mais sombrias, entrevistando personalidades importantes, como Stella McCartney, Livia Firth e Vandana Shiva, o documentário é um projeto sem precedentes. Lançado em 2015, o filme desde então tem tido grande repercussão. O ponto de partida para a produção do longa foi ó acidente do Rana Plaza, uma fábricas de roupas localizada em Dhaka, capital e cidade mais populosa de Bangladesh. O desabamento da fábrica causou mais de mil mortes e deixou cerca de 2,5 mil pessoas gravemente feridas. O colapso do Rana Plaza foi logo após um incêndio em outra fábrica que produzia roupas para grandes varejistas de fast fashion. Os dois acidentes foram notícia em todo o mundo e estão retratados no documentário de Morgan. Foi só a partir dai que o mundo passou a dar mais atenção aos problemas das indústrias de têxteis e confecções, que já aconteciam, mas que passavam despercebidos.

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No final das contas, quem paga a conta? Foto: Google Imagens

Repense

Repense seus hábitos de consumo. Lembre-se sempre antes de comprar aquela camiseta barata ou qualquer outra peça daquela rede fast-fashion se por trás de uma nova coleção não estará trabalho escravo envolvido. Um dos direitos dados ao consumidor e que se deve comemorar hoje é o direito à informação. Não é crime nem vergonhoso procurar saber a origem daquilo que se compra. Se somos todos consumidores, somos todos responsáveis também pelo fomento desse sistema que não para de fazer vítimas.

O texto “Quer saber se sua roupa é fruto do trabalho escravo” é sobre o aplicativo Moda Livre da ONG Repórter Brasil. A ferramenta digital revela quais são as empresas comprometidas com o combate ao crime e quais já foram flagradas explorando a prática.

Vale repensar também se todas as roupas que tem adquirido estão sendo usadas ou se ficam penduradas meses no guarda-roupa sem uso. Exercer o direito de consumidor comprando em excesso é puro desperdício de recursos. E a produção e o uso de todas as roupas têm um impacto no meio ambiente, pois a produção têxtil requer o cultivo do algodão ou extração de matéria-prima e todos os impactos associados, além de necessitar água, energia elétrica, e tratamentos químicos, sem contar com os gastos com logística. E mais, consumir significa usar até o fim, fazer acabar. Peças guardadas interrompem o ciclo de vida e o seu consumo. Ser consumidor implica em consumir e nada melhor do que fazer isso da maneira mais acertiva possível.

Atualmente, há diversas modalidades de serviços que permitem que várias pessoas compartilhem a mesma peça de roupa. Dá para alugar, compartilhar, doar, trocar ou emprestar roupas e acessórios. “Ao compartilharmos, expandimos ao máximo a capacidade de uso de um produto, aproveitamos o que está ocioso, e atendemos a necessidade de mais pessoas evitando a extração de recursos naturais para a produção de novos itens”, afirma Helio Mattar, diretor presidente do Instituto Akatu, ONG que foi fundada no Dia do Consumidor (15/03), há 16 anos, para promover a sensibilização e mobilização da sociedade para o consumo consciente.

Investir nos pequenos produtores de moda é também uma alternativa bastante interessante e uma maneira de promover um negócio local.

Neste Dia Mundial do Consumidor: pensar e repensar os hábitos de consumo é a melhor das ofertas. Aproveite e avalie todas as suas formas de consumo em todos os segmentos. Compre o mundo no qual quer viver.

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