ACONTECE – Roupas criadas para atender às necessidades de pessoas com deficiência fazem toda a diferença no dia a dia de quem tem algum tipo de limitação. E algumas iniciativas fomentam esse tipo de produção. Para os interessados na chamada Moda Inclusiva, um curso que acontece em São Paulo, nos dias 13 e 14 de dezembro é uma valiosa oportunidade para conhecer esse ramo da indústria que vem ganhando espaço. As inscrições estão abertas e devem ser feitas por meio do e-mail: moda.inclusiva@aedrehc.org.br.
O curso de Moda Inclusiva é resultado da realização do Concurso Internacional de Moda Inclusiva que foi notícia aqui no Moda Sem Crise e que em 2016 chegou a sua oitava edição. A ideia dos organizadores é estimular estudantes e profissionais de moda para criar produções com soluções que possam facilitar a vida da pessoa com deficiência. Planejamento que em alguns casos envolve medidas, como, a adaptação de bolsos, acabamentos diferenciados, colocação de bolsos em locais onde a pessoa com deficiência consiga acessar, uma abertura com passagem para a colocação de sondas, ou adoção de etiquetas em braille, para citar alguns dos exemplos.
Atualmente, concursos de Moda Inclusiva acontecem por todo o Brasil e o mercado reconhece que existe demanda. O curso realizado pela Secretaria Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência (SEDPcD) em parceria com a Associação para a Educação, Esporte, Cultura e Profissionalização da Divisão de Reabilitação do Hospital das Clínicas (AEDREHC), propõe que profissionais e estudantes pensem nos diferentes tipos de corpos, em ergonomia, e em possibilidades que atendam o segmento.
Advogada e modelo, Mariana Meneghel, 29 anos, é cadeirante e uma incentivadora da Moda Inclusiva. “Acho importante existir peças pensadas para facilitar a vida da pessoa com deficiência, porque como essas peças são fáceis de vestir, a pessoa cria uma independência na hora de se arrumar para sair, e isso é muito legal. Seria muito legal ter peças assim em lojas populares com preços acessíveis”, comentou.

Verdadeira Inclusão: O sonho de Mariana é ver roupas adaptadas sendo vendidas em equidade com todas as outras em toda parte – Foto: Mayara Floriano e Lucas Nascimento
Segundo dados da SEDPcD, o Brasil tem hoje cerca de 45 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência. São 9,3 milhões, somente no Estado de São Paulo. “A Moda Inclusiva é como a calçada adaptada que todo mundo é beneficiado”, afirma em vídeo de divulgação, Daniela Auler, uma das professoras do curso. Além dela, participam ainda o estilista Mario Queiroz que deve contribuir falando sobre o processo criativo e Patrícia Sant Anna, diretora de pesquisa na Tendere Pesquisa de Tendências e Soluções Criativas, convidada para tratar de assuntos relacionados às tendências de negócios no segmento.
“Moda é uma linguagem e as pessoas com deficiência querem falar e se sentir incluídas nesse processo de comunicação típico de nossa sociedade”, afirmou Patrícia que diz acreditar não ser o preconceito propriamente o que afasta profissionais da moda do interesse de pensar nesse nicho de mercado. “Não há propriamente preconceito, simplesmente a maioria não enfrenta esse problema no seu dia-a-dia porque pensam em economia de escala tradicional. Muitos com esse perfil vem ao curso e ampliam sua visão”, explica a docente que enfatiza ainda que na Moda Inclusiva “nem sempre as soluções são simples, mas dar trabalho e usar a criatividade são dois lados da mesma moeda.”
Estilista e modelista, Robertha Navajas enxergou na Moda Inclusiva uma oportunidade. Ela participou do curso que ampliou seu conhecimento sobre um universo que se diz apta para atuar. “Foi uma experiência única no meu ponto de vista. É um assunto extremamente importante para a sociedade como um todo. Fazer a moda ser com um propósito a mais é muito enriquecedor e gratificante. Só ouvia falar de moda inclusiva pelo concurso, não pesquisava muito sobre e também não tinha muito conhecimento. Porém sempre pensei na dificuldade de vestir. Atualmente, quanto maior for sua abrangência com os clientes, melhor. Em meu ateliê me sinto preparada para atender qualquer tipo de público, com adaptações necessárias com as particularidades de cada um, sem esquecer do design e da identidade”, contou.

O modelo Christino Silva e a estilista e modelista Robertha Navajas na 8ª edição do Concurso Internacional de Moda Inclusiva. A roupa vestida por Christiano é adaptada às suas necessidades – Foto: Arquivo Pessoal Robertha Navajas
Serviço
Curso de Moda Inclusiva
Dias e horário: 13 e 14 de dezembro, das 8h30 às 17h
Local: Rodovia dos Imigrantes KM 11,5 – Próximo ao Centro de Exposições Imigrantes
Inscrições por e-mail: moda.inclusiva@aedrech.org.br.
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