Brechós Brasileiros: No radar Londrina (PR) e as cidades gauchas Agudo e Pelotas (RS) — Moda Sem Crise
18 • novembro • 2016

Brechós Brasileiros: No radar Londrina (PR) e as cidades gauchas Agudo e Pelotas (RS)


BRECHÓS BRASILEIROS – Mais do que nunca está provado por A+B que os brechós não são uma tendência passageira. As informações encontradas a respeito do segmento mais atuais são de quatro anos atrás – segundo dados do Sebrae-RJ, entre 2007 e 2012 o número de micro e pequenas empresas que comercializavam artigos usados cresceu 210%, passando de 3.691 para 11.469 – mas, mesmo com os números bastante desatualizados, se levarmos em consideração o também crescente movimento da moda consciente e sustentável, a crise econômica que tem afetado o país – e o mundo – e a oportunidade de fazer negócios pela internet, é possível imaginar que esse foi só o prenúncio de um comércio que chegou para ficar e se mantém forte.

A pesquisa do Sebrae-RJ na ocasião que foi divulgada, apontou ainda que 4.141, ou seja, a maioria desses negócios estavam concentrados no estado de São Paulo. E, de fato, parece que não é preciso ir muito longe para encontrar iniciativas assim, principalmente aqui na Capital paulista. Mas nós do Moda Sem Crise sempre nos perguntamos como tem sido o arranque dos brechós em cidades fora do eixo Rio-São Paulo?

Inspiradas por essa questão, decidimos correr o Brasil, ainda que sem sair do nosso Offical QG, em SP, para dar início a série BRECHÓS BRASILEIROS*, cujo objetivo é promover e estimular tanto o desapego, quanto a compra nessas plataformas, em alguns casos com vendas exclusivas no ambiente online. Além de influenciar, mobilizar e guiar interessados em começar o próprio negócio, revelando a história de quem já o faz.

Conversamos com leitoras do site, proprietárias de brechós em três cidades de dois estados do Sul do país. A estudante Vitória Mota, de 19 anos, moradora de Londrina, no Paraná e dona do Velharia Brechó. A empreendedora Rafaelli Tais Soga, 31 anos, idealizadora do Garage Clothes Brechó, localizado em Agudo, uma cidade do estado do Rio Grande do Sul com pouco mais de 17 mil habitantes, segundo o IBGE/2015. E com as advogadas, amigas e sócias no Reuse Brechó, Mariele Ricachenevsky Scholl e Lúcia Malcon, ambos de 26 anos, e moradoras de Pelotas, cidade também do Rio Grande do Sul.

Ao Moda Sem Crise, Vitória contou que o Velharia surgiu em um momento em que ela precisava de dinheiro, mas que não queria arranjar um emprego que lhe tomasse tempo e que atrapalhasse seu envolvimento com a universidade. “Não foi uma coisa planejada, foi apenas uma saída que encontrei para ganhar dinheiro e agora estou apaixonada. Nunca tinha trabalhado com moda antes e está sendo uma experiência incrível”, disse.

Com apenas seis meses de existência, a maior dificuldade de Vitória quando o assunto é o Velharia, é seu comprometimento com o projeto de forma mais organizada. Minha maior dificuldade é ter uma rotina, acho super divertido, e às vezes não consigo levar tão a sério. Acabo não fazendo direito balanços de venda e toda a parte administrativa, mas estou trabalhando para que isso melhore.

A dinâmica do brechó fica toda por conta da estudante. Fotos produzidas com looks ou peças e objetos são publicados no Instagram do Velharia. Os pagamentos são feitos por meio de depósitos bancários ou sistema de pagamento online. E as compras são despachadas por serviço de entrega.

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Fotos: Reprodução Instagram Velharia Brechó – Vitória Mota

Vitória explica que não vende muito em Londrina, mas que até hoje quem comprou não reclamou. “O pessoal normalmente gosta da proposta de sustentabilidade, além de que a maioria das peças são únicas, não fabricam mais”, disse a estudante que para encontrar os artigos que vende vai a brechós e bazares. O negócio tem gerado também um novo pensamento, segundo ela. “Logo depois que abri meu brechó comecei a pesquisar sobre moda sustentável e sobre a indústria atual. Quero que meu conceito seja ligado a isso. Costumo dizer que vendo roupas que estão por aí sem esperança. As pessoas geralmente têm preconceito dos brechós convencionais. Eu acho as roupas lá e tento apresentá-las de forma diferente para que as pessoas consigam ver que sim, tem muita coisa boa em brechó”, completou Vitória.

Preconceito que Rafaelli afirma ser seu principal desafio. “Infelizmente ainda existe um grande preconceito, principalmente com peças vintage. Aqui [em Agudo] esse tipo de peça é considerada brega. As pessoas na sua maioria não pensam que uma peça antiga é geralmente produzida com tecidos de qualidade superior aos de hoje em dia. E também não existe o hábito de customização e transformação de peças. Isso inclusive estou tentando introduzir aos poucos no brechó. Já que tenho uma paixão enorme por costura, um vestido ou calça jeans transformo em saias e com isso já vendo transformado”, disse.

O Garage Clothes surgiu há um ano e dois meses literalmente na garagem da casa de Rafaelli. O objeto era ‘desapegar’ de algumas peças. Para promover a venda das peças, a empreendedora criou uma fanpage [Garage Clothes Brechó] para seu negócio no Facebook. Ao perceber que estava no caminho certo, buscou peças com a mãe, a sogra, irmã, e acabou conseguindo coisas da família toda que ela explica que é grande. Sua estratégia era anunciar a página em grupos de desapegos na mesma rede social. Até aí ela conciliava o trabalho em um escritório contábil com os atendimentos realizados dentro mesmo de sua garagem agendados sempre após as 18h e aos finais de semana.

Fotos do acer

Rafaelli na última forma da esquerda para a direita em bazar em outra cidade do RS – Fotos reprodução do Facebook GCB

Desde setembro com a ideia de ampliar o negócio, o brechó ganhou a sala da casa de Rafaelli. “Com o apoio do marido e de toda a família, decidi pedir demissão do emprego. Agora as peças estão expostas e contínuo com o atendimento agendado. Algumas peças divulguei em uma plataforma de venda online, a intenção é vender mais com a realização da lojinha virtual que acaba de entrar no ar. Antes trabalhamos com depósitos e envio por serviço de entrega”, explicou. Segundo Rafaelli, para participar de um bazar, foi preciso viajar até a cidade vizinha Santa Maria, já que em seu município não existe esse tipo de oportunidade.

Diferente do que acontece em Pelotas. Com mais de 343 mil habitantes, de acordo com o IBGE/2016, a cidade já foi palco de evento para as idealizadoras do Reuse Brechó, Mariele e Lúcia. “O Instagram [do Reuse] é nosso principal meio de vendas, onde começamos e queremos continuar, mas fizemos um primeiro evento em outubro em um espaço muito legal e que organizamos com muito amor”, disse Mariele. “É o espaço/escritório do Reuse, todo nosso acervo está lá, e estamos começando com a ideia de receber pessoas com horário marcado. Ainda não organizamos muito essa agenda, mas a ideia é ter mais tempo disponível para isso”, afirmou Lúcia.

Instagram é a principal vitrine para as criadores do Reuses - Fotos: Reprodução da rede social Reuse Brechó

O Reuse conta com um espaço físico, mas faz do Instagram sua principal vitrine – Fotos: Reprodução da rede social Reuse Brechó

Segundo as advogadas, o que o Reuse propõe é algo bastante novo em Pelotas e isso é o que tem despertado interesse dos que procuram o negócio. “Existem alguns eventos e feiras de rua esporádicas com venda de roupas usadas, alguns brechós físicos na cidade, mas nada no estilo do Reuse. Nos surpreendemos muito com a acolhida das pessoas. Sentimos, em geral, as pessoas bastante abertas e ‘vestindo a camisa’, o que só se confirmou no evento que organizamos e que foi um sucesso”, disse Mariele. “Tinha uma super fila quando abrimos no primeiro dia e foi emocionante ver que todas aquelas pessoas estavam lá querendo conferir de perto um projeto que é essencialmente virtual”, comemorou Lúcia.

As amigas reconhecem que ainda há quem resista e consideram normal, claro, mas enfatizam que a internet tem promovido essa mudança cultural ao impulsionar iniciativas como das duas pelotenses. “Nós acreditamos na ideia de que as pessoas vão e estão se tornando cada vez mais conscientes. Esse é o futuro e não tem volta”, comentou Lúcia.

O esquema de trabalho do Reuse envolve a venda com peças consignadas. Com isso, as amigas disseminam a ideia de que é preciso repensar no guarda-roupa. O projeto, aliás, surgiu da angústia comum que sentiam diante de seus próprios armários. O brechó foi a maneira que encontraram para colocar para circular as roupas que mantinham paradas. A pesquisa foi além de questões sobre o funcionamento dos brechós e vendas online. A pauta desde que o projeto começou envolve também o universo da moda sustentável e é daí que vem o conceito do Reuse. “Aproveitar e se divertir com a moda de uma maneira consciente e sustentável. Essa é a nova moda, aquela na qual acreditamos, incentivamos e valorizamos. Acreditamos que não há roupa mais sustentável que aquela que já existe e que aquilo que já não nos faz tão bem, pode e vai fazer alguém muito feliz”, completaram.

*Conhece brechós brasileiros que merecem destaque? Envie-nos um e-mail para contato@modasemcrise.com.br informando o nome do brechó e do responsável, a cidade onde está localizado e os links das redes sociais, como o Facebook e Instagram. De tempos em tempos publicaremos novas histórias sobre brechós e você pode colaborar nos indicando comércios virtuais e/ou físicos do Brasil inteiro. E não deixe de curtir e acompanhar nossos passos por meio do nosso Facebook e Instagram.

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Brechós brasileiros: A veterinária de Floripa que virou Baú Coletivo — Moda Sem Crise - 22, fevereiro 2017 às (14:39)

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