Brechós de São Paulo que compram para vender — Moda Sem Crise
08 • novembro • 2017

Brechós de São Paulo que compram para vender


Cresce no Brasil o interesse do consumidor por peças de roupas de segunda mão. E com isso, os brechós ganham por aqui cada vez mais espaço e reconhecimento. Em ambientes físicos, seja em lojas, feiras, espaços colaborativos, ou no universo online, em perfis ou em grupos de redes sociais, o que não falta é oferta de quem empreende no ramo ‘second hand’, de forma profissional, ou apenas para garantir uma grana extra.

Mas vender é uma arte. E fotografar peças, criar uma conta, por exemplo, em uma rede social, precificar, oferecer e entregar itens dessa maneira não é tarefa fácil.

Então, para quem tem peças para desapegar, mas não tem tempo ou mesmo habilidade para venda, negociação e logística, um caminho pode ser reunir e oferecer diretamente para brechós interessados nessas compras.

Em São Paulo há um universo incrível de brechós. E embora muitos atuem com esquema de venda por consignação – em que se deixa o item em exposição para que o estabelecimento se encarregue da venda, pagando após a saída da peça – também é possível encontrar brechós que compram peças, pagando por elas antes mesmo que sejam vendidas –  o que em tempos de crise tem salvo muitas pessoas do sufoco.

Dona do Brechó Rebajas, em Pinheiros, zona oeste, Carol Rios explica o que precisa ser sempre levado em consideração ao decidir pela venda. “Antes de pensar em vender uma peça que você não usa mais, seja honesto consigo mesmo e pense: essa roupa está em condições de venda? Nem toda roupa usada serve para um brechó. E muitas vezes não servem nem para doação. Roupas sujas, cheias de pelos de animais, com bolinhas, super desbotadas e muitas vezes rasgadas chegam aqui pra gente. E, é claro, voltam todas. Eu nunca doaria uma roupa nessas condições, imagina pensar em vender.”

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Brechó Rebajas aceita lote de no mínimo 50 peças para avaliação, compra é feita quando ao menos 20 delas são selecionadas – Foto: Reprodução Instagram Brechó Berajas

O Rebajas é um desses locais onde é possível chegar com peças e sair com algum dinheiro. Embora a curadoria ocorra, na maioria das vezes, segundo Carla fora do país, em brechós gringos, a empreendedora dá a dica para quem tem peças para colocar à venda. Higiene vem em primeiro lugar. Em segundo lugar a apresentação. Roupas em sacos de lixo, podem ser da marca mais famosa do mundo, mas o cérebro vai mandar uma única mensagem. Por que não colocar as peças em uma mala? Nós analisamos e compramos por lote: mínimo 50 peças para análise e mínimo de 20 peças escolhidas para que a compra seja efetuada”, explica Carla que ressalta que outra questão importante é o preço. “Para que o brechó consiga vender barato, óbvio, precisamos comprar barato. E quando digo barato é barato mesmo, tipo 20% a 30% do valor da etiqueta.

Localizado na Lapa, também na zona oeste, o Minha Avó Tinha Brechó está entre os estabelecimentos físicos que fazem aquisições por meio das vendas de quem os procura. Procurado pelo Moda Sem Crise, o brechó que tem como conceito trabalhar com pelos de estilo e personalidade, sem seguir moda, dando preferência às peças vintage, informou por messenger no Facebook que escolhem suas compras, levando em consideração essa característica, e claro, a excelência e o bom estado dos itens.

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Minha Avó Tinha recebe lotes para avaliação – Foto: @valentina_studio

O Minha Avó Tinha também aposta em lotes. “Buscamos lotes com no mínimo 20 peças. Tudo é avaliado.” E é pago para o cliente vendedor entre 10% a 20% do valor decidido para colocar a peça à venda.

A principal dica dada pela equipe a quem deseja vender peças para uma brechó é: “desapegar… venda sem apego. O brechó é tido com preços bons e baixos. Assim sua peça será avaliada. Tipo: casaco de couro que você pagou R$ 700, no brechó conseguirá R$ 70, pois o preço de venda ficará entre R$ 180 a R$ 250”, explicam.

Com vitrines física e online, a proprietária do I Need Brechó, Stheffany Wendy, trabalha vendas em sua loja localizada no Jardim Paulista, região central, e também usa o Instagram para alavancar seu negócio, enviando peças para todo o Brasil. “Nosso conceito é ser um brechó atual, trazendo peças novas, atuais, mas com custo benefício. Para isso a curadoria [do que chega] é feita primeiramente online. Analisamos as peças por imagens, vendo quais são do estilo da loja. Havendo interesse, marcamos um horário para ver pessoalmente as peças pré-selecionadas. Não temos um mínimo [de peças]. Olhamos mais para o design da peça a ser colocada na loja.”

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I Need Brechó negocia compras com cliente, primeira avaliação é feita por meio de envio da imagem da peça – Foto: Reprodução Instagram I Need Brechó

Para chegar ao valor da aquisição da peça, Sthefanny negocia. “Chegamos ao valor com o cliente, algo que fique bom para ambos. Como somos brechó, precisamos também vender com preços de brechós”, afirma a empreendedora que leva sempre em consideração as condições e o estilo da peça. E ela também aconselha: “A dica que sempre damos é que a pessoa procure vender uma peça em bom estado, pois outra pessoa irá usar também além de conversar com o brechó escolhido para ver as peças, conversam com o estilo do mesmo. Assim chegando em um valor que os dois fiquem satisfeitos”, completa.

Conhecido pela grande variedade de peças, o Capricho à Toa, no Sumarezinho, zona oeste, compra lotes e paga à vista. O local recebe peças masculinas, femininas e infantis, além de acessórios, como , por exemplo, bolsas e sapatos. Para negociar é necessário levar lote de no mínimo 50 peças. Como o brechó trabalha com peças de luxo, no site há um alerta que diz: “Nada falsificado, fake ou réplica, sendo elas limpas e em ótimo estado; atuais; de grifes nacionais e internacionais”. A avaliação precisa agendada com antecedência.

Sem loja física: E o que acontece em brechós estruturados em redes sociais e participantes de eventos?

Empreendedora de moda do universo online, Andressa Burgos, 23 anos, em 2017 decidiu apostar no modelo de negócio, e assim surgiu, o Desacervo. Sem endereço fixo, uma maneira de estar bem perto do público consumidor é participando de feiras independentes, inovadoras e criativas.

Ao Moda Sem Crise, Andressa contou que o projeto Desacervo é composto por peças especialmente selecionadas por sua qualidade e usabilidade ao longo do tempo. “São roupas e acessórios novos, semi-novos, confeccionados ou que já estiveram presentes em figurinos. A ideia é que ganhem vida ao lado de novos donos, contribuindo para a sustentabilidade e consumo consciente. Afinal, um guarda-roupa feliz é aquele que está em constante utilização.”

Em sua curadoria, Andressa começa suas aquisições levando sempre em consideração o estilo da roupa e se o produto terá boa circulação e aceitação por seu cliente. “A outra etapa é a verificação da peça. São três regras básicas: não podem conter manchas, furos ou bolinhas. Algumas peças podem ser salvas e aquelas que ganham uma nova chance passam por um processo de restauração, isso constitui três processos: no upcycling, lavagem ou para as mãos de uma costureira parceira”, explica.

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A figurinista Andressa Burgos do Desacervo compra em média 15 peças por mês – Foto: Reprodução Instagram Desacervo

Andressa consegue comprar por mês, no máximo, 15 peças de roupas. Regra alinhada com seu conceito: a ideia do Desacervo não é acumular e sim circular. “Eu avalio a qualidade, o diferencial do produto e procuro não comprar peças que já tenha parecida em meu acervo.” Quem vende tem que entrar em contato por e-mail e enviar fotos das peças para que sejam avaliadas por Andressa que valoriza também modelagem, tecido, história, propondo assim a mudança do olhar que as pessoas têm de brechós, por mais que o segmento cresça, no Brasil existe ainda preconceito com produtos de segunda mão.

Figurinista, a empreendedora recebe também produtos de colegas de profissão e os prioriza. E além das compras, tem trabalhado também o modelo de negócio consignado. “A consignação tem funcionado bem simples. Cálculo o total de vendas por mês de cada pessoa, tiro a minha porcentagem, juros de cartão, mas não cobro o valor investido em feiras. A única pessoa com a qual não trabalho dessa forma é minha costureira. Como ela me ajuda no processo de costura, todas as roupas vendidas do acervo dela, eu não cobro a porcentagem por uma questão de parceria.”

Serviço

Brechó Rebajas

Endereço: Rua Artur de Azevedo, 1711, Pinheiros, São Paulo

Redes Sociais: Facebook | Instagram

Minha Avó Tinha Brechó

Endereço: Rua Tomé de Souza, 100, Lapa, São Paulo

Redes Sociais: Facebook | Instagram

I Need Brechó

Endereço: Alameda Lorena, 2132, Jardim Paulistano, São Paulo

Redes Sociais: Facebook | Instagram

Capricho à Toa

Endereço: Rua Heitor Penteado, 1096, Sumarezinho, São Paulo

Redes Sociais: Facebook | Instagram

Desacervo

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