26 • julho • 2018

Pesquisa Akatu 2018 traça Panorama do Consumo Consciente no Brasil


O Instituto Akatu lançou nesta quarta-feira (25/07) a Pesquisa Akatu 2018 – Panorama do Consumo Consciente no Brasil: desafios, barreiras e motivações. O resultado reforça a importância do debate sobre a necessidade de repensar os caminhos da produção e do consumo de produtos no país. De acordo com o estudo, 76% dos entrevistados não praticam o consumo consciente.

O objetivo da pesquisa foi avaliar a consciência e o comportamento do consumidor rumo ao consumo consciente, a sua percepção e expectativa quanto às práticas de sustentabilidade e responsabilidade social das empresas, além de comprovar quantitativamente os resultados da pesquisa qualitativa do Akatu (2015) sobre “Barreiras e Gatilhos para o Comportamento Sustentável do Consumidor”.

Para fazer a pesquisa, que está em sua 5ª edição, foram entrevistadas 1.090 pessoas, homens e mulheres, com mais de 16 anos, de todas as classes sociais e de 12 capitais e/ou regiões metropolitanas de todo o País, entre 9 de março e 2 de abril deste ano.

O resultado do estudo aponta a baixa adesão do jovens brasileiro pelos caminhos da sustentabilidade – os mais jovens foram os que mais se mostraram indiferentes à causa. “Acho que o sentimento de mau humor com a sociedade, com o Brasil, com o que acontece no mundo nos últimos seis anos cresceu enormemente. É diferente a sensação de 2012 e a sensação hoje. Acho que isso afeta o posicionamento das pessoas em se engajar com o que quer que seja e o impacto no jovem deve ser ainda maior. Afinal de contas, os mais velhos já passaram por altos e baixos e já tem certa resistência”, ponderou Aron Belinky, do Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas.

Já o preço foi apontado pelos entrevistados como a principal barreira entre o consumidor e o produto sustentável. A falta de informação também aparece entre os motivos pelos quais as pessoas se mostram tão distante de um estado de consciência.

“Jovem visto como o motor da mudança. Preocupa ver que o jovem está menos engajado. Mas em outros países também acontece. Não só no Brasil mas se repete. O que mais sentem falta é informação pra saber mais a respeito”, disse Kavita Hamza pesquisadora da FEA/USP.

O estudo contou com patrocínio da ONU Meio Ambiente, Coca-Cola Brasil, Grupo Boticário, Natura, Cargill e Unilever.

Metologia da Pesquisa Akatu 2018

A partir dos comportamentos que compõe o Teste do Consumo Consciente (TCC), identificados nas primeiras pesquisas feitas pelo Akatu e que envolve 13 comportamentos, a pesquisa analisou o quanto algumas atitudes fazem parte da rotina dos entrevistados ou fazem parte dos seus hábitos de compras.

O grau de consciência dos consumidores brasileiros é categorizado estatisticamente nos seguintes perfis: “indiferente”, “iniciante”, “engajado” e “consciente”, de acordo com a avaliação da prática desses 13 comportamentos de consumo. A partir deles, considera-se: “indiferentes” aqueles que aderiram a até 4 comportamentos, “iniciantes” de 5 a 7, “engajados” de 8 a 10 e “conscientes” de 11 a 13.

Um dos principais resultados da Pesquisa Akatu 2018 foi o crescimento do segmento de consumidores “iniciantes”, que correspondia a 32% em 2012 e neste ano está em 38% – o que mostra que o momento é de recrutamento de consumidores indiferentes para que se tornem iniciantes em sua consciência no consumo.

A pesquisa aponta que são 76% os menos conscientes (“indiferentes” e “iniciantes”) em relação ao consumo. O maior nível de consciência tem viés de idade, de qualificação social e educacional: entre os mais conscientes, 24% têm mais de 65 anos, 52% são da classe AB e 40% possuem ensino superior.

Comportamento consciente

Ao se expandir o número de comportamentos de 13 para 19, a Pesquisa Akatu 2018 avaliou se havia alteração em termos de resultado na adesão a comportamentos indicadores de consumo consciente. Nesse sentido, embora o número maior de comportamentos não modifique os resultados, permite um agrupamento inicial dos comportamentos naqueles que representam consumo em casa (de economia pessoal), que são os mais praticados. Gradualmente, vai se reduzindo a adesão para comportamentos de compra planejada, seguidos de comportamentos para além da casa, em seguida de consciência na rede (na comunidade) e, finalmente, na consciência no público.

Em 2018, houve um pequeno recuo na adesão a alguns comportamentos, com exceção do de separação para reciclagem, que ficou estável, e dos de compra sustentável (produtos feitos com material reciclado e produtos orgânicos) que avançam. 

Caminho do consumo ou da sustentabilidade?

Durante as entrevistas, dez temas foram propostos aos respondentes para que se pudesse avaliar a preferência por caminhos do consumismo ou da sustentabilidade. E a boa notícia é que o ranking evidencia uma preferência marcada pelo caminho da sustentabilidade em detrimento do caminho do consumismo. Entre as 10 ações mais desejadas, 7 dizem respeito ao caminho da sustentabilidade e apenas 3 ao caminho do consumismo.

O fio condutor nessa escolha é o desejo por um estilo de vida saudável, com alimentação saudável, fresca e nutritiva. Porém, o desejo pelo carro próprio, predominante nas classes mais baixas (CDE) – as que mais sofrem com o transporte público com uma relação inadequada entre custo e conforto – é a maior barreira à liderança absoluta do caminho da sustentabilidade.

Barreiras e gatilhos para o consumo consciente

E quais seriam, segundo a percepção do consumidor, as barreiras para hábitos e consumo de produtos sustentáveis?

Nesta avaliação, embora 68% disseram já ter ouvido falar em sustentabilidade, a maioria (61%) não tem repertório sobre o que é um produto sustentável. Quase 2/3 dos entrevistados não souberam dizer uma situação em que precisaram escolher entre um produto sustentável e outro não.

Entre os que tinham algum conhecimento sobre produto sustentável, o principal entrave à escolha de tais produtos é o custo, considerado caro para 25%.

No conjunto, foram identificadas quatro barreiras ao consumo de produtos sustentáveis: esforço, desconfiança, espaço e privação de prazeres. Entre elas, a “necessidade de esforço” de alguma natureza foi citada como muito importante por 60% dos entrevistados – sendo que a percepção de preço alto é o maior obstáculo nessa categoria.

Já a análise de gatilhos que levam a práticas mais sustentáveis e a compras de produtos mais sustentáveis, aqueles que se referem a impactar o mundo, a sociedade e o futuro parecem ter mais apelo do que aqueles que beneficiam a própria pessoa, dado que 70% se sentem muito motivados pelos benefícios mais emocionais, menos palpáveis, enquanto que 45% se sentem muito motivados pelos benefícios concretos.

Responsabilidade social e empresarial

Os consumidores valorizam, segundo o estudo, empresas que cuidam das pessoas, envolvendo os funcionários, os deficientes físicos e a comunidade. Entre as oito principais causas que mais mobilizam o consumidor a comprar um produto de determinada marca, cinco estão diretamente ligadas ao cuidado com pessoas: atuar no combate ao trabalho infantil; tratar funcionários da mesma forma, independentemente de raça, religião, sexo, identidade de gênero ou orientação sexual; investir em programas de contratação de pessoas com deficiência; contribuir para o bem-estar da comunidade onde está localizada; e oferecer boas condições de trabalho.

Por outro lado, ao ser indagado de maneira genérica sobre o papel das empresas, a pesquisa revelou que 56% esperam que as empresas façam mais do que o previsto nas leis e que olhem mais para a sociedade – o que está bastante alinhado ao desejo de cuidado com pessoas.

Os resultados do estudo, portanto, revelam o desejo dos consumidores brasileiros pelo caminho da sustentabilidade, mas mostraram que as ações ainda “não chegaram lá” em grande escala. Nesse sentido, Helio Mattar, diretor-presidente do Akatu, chama atenção para o papel das empresas e como elas podem ativar este desejo:

“Empresas que cuidam das pessoas, tanto para dentro quanto para fora, são mais respeitadas, de acordo com a pesquisa, que também aponta um desejo intenso por um estilo de vida saudável. Outro ponto relevante é a confiabilidade em relação às empresas. Em tempos de fake news, de crise de credibilidade, a fonte da informação é tão relevante quanto qual é a empresa ou marca que está divulgando suas ações. A fonte pode colocar em xeque a marca, em especial entre os menos conscientes, sendo imprescindível que a informação de fontes confiáveis para os consumidores confirmem a reputação de sustentabilidade da empresa”, ressalta Mattar.

O conteúdo completo da pesquisa pode ser acessado em: http://bit.ly/pesquisa_akatu2018

Com informações Instituto Akatu




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