Para inspirar: 4 histórias de mulheres mães empreendedoras — Moda Sem Crise
14 • maio • 2017

Para inspirar: 4 histórias de mulheres mães empreendedoras


ESPECIAL DIA DAS MÃES – Em março de 2016, o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) divulgou informações do anuário das Mulheres Empreendedoras e Trabalhadoras das Micro e Pequenas Empresas que apontava, que em 11 anos, o aumento do número de mulheres empreendedoras e chefe de família no Brasil cresceu 25% ao saltar de 6,3 milhões para quase 8 milhões – do total 74% são mães. O anuário apontou também que os setores preferidos, e portanto, com maior adesão eram de comércio e serviços: 71,5%.

Nesta mesma época, Izis Bispo, hoje com 30 anos, mãe de Maria Helena, com 6, deixava a carreira de formação para investir no empreendedorismo. “Era início de 2016 e prestes a fazer 30 anos, com uma filha de cinco anos e um emprego na área de comunicação que já não me desafiava como eu gostaria comecei a rever alguns pontos da minha vida e traçar algumas metas para realizar sonhos que eu havia deixado para trás.”

Uma viagem à Espanha fez com que Izis despertasse o interesse por conceitos da moda sustentável – muito mais difundida e bem vista por lá do que por aqui. De volta ao Brasil, a jovem decidiu tomar definitivamente as rédeas de sua vida profissional e partiu de vez para o negócio próprio. Preferência, como apontou o Sebrae, o segmento escolhido foi o comércio e em agosto de 2016 foi lançada sua marca de roupas: a Síntese.eco.

Para tocar o projeto, Izis convidou Karina Salazar – quem inclusive desenhou as estampas das primeiras camisetas e toda a base da comunicação visual da marca. Hoje, além da dupla de sócias, somam à equipe da Síntese.eco Rachel Cheli e o apoiador Matias Arango. Izis contou que recentemente, certa de que o projeto deveria passar por um up-grade, a empresa foi reestruturada. O foco do e-commerce é a venda de peças atemporais produzidas com tecidos proveniente da reciclagem de garrafa PET com estampas desenvolvidas por artistas independentes. O carro-chefe é a camiseta, mas agora a loja online conta também com a venda de quimonos, moletons, bolsas e canecas. “Basicamente incluímos mais alguns produtos em nosso portfólio de vendas e melhoramos nossa forma de doação”, disse.

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Nova fase da Síntese.eco propõe variação de produção de produtos, mas a camiseta segue sendo o carro-chefe de marca – Foto: Campanha da nova coleção gentilmente cedida por Izis Bispo

A empresa foi idealizada sobre o pilar 1 por 1 – a cada camiseta vendida, outra é doada. Durante a primeira ação social revelou que a doação das peças não seria o bastante. Uma conversa com a responsável pela casa de amparo escolhida para a doação trouxe à tona tantas outras necessidades – alimentos e produtos de higiene – que a equipe da Sintese.eco resolveu diversificar também a forma de doar. “Para toda camiseta vendida no e-commerce continuará sendo doada outra peça, porém, para os outros produtos como, por exemplo, bolsas e canecas a doação será diferente. A Síntese.eco doará 3% do valor da venda desses outros produtos para projetos sociais usarem da forma que necessitarem. Além dessas mudanças quisemos reforçar nosso compromisso com a sustentabilidade mudando nossa marca de Loja Síntese para Síntese.eco.”

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Maria Helena veste camiseta Síntese.eco. Modelo doado às crianças atendidas pelo projeto social da marca. A peça é feita com a malha 50% algodão e 50% PET. Sua mãe, Izis Bispo veste blusa da coleção recém-lançada e é feita com tecido devore ecológico (50% PET) – Foto: Gentilmente cedida por Izis Bispo

Conciliar a vida de empreendedora com a maternidade não tem sido fácil. Mas foi justamente a gravidez que a pegou de surpresa que a fez descobrir a mulher guerreira que é. “Eu sempre quis ser mãe, porém minha gravidez não foi planejada. Ser mãe é algo que muda não apenas sua rotina, mas seu papel no mundo e isso não é algo fácil de lidar, principalmente com seus hormônios te deixando a flor da pele. Faltava ainda um semestre para eu concluir a faculdade e eu imaginei que não conseguiria fazer isso e muitas outras coisas quando me tornasse mãe. Mas felizmente eu estava enganada. Ser mãe te dá uma garra e um propósito infinitamente maiores do que você pode imaginar. Ao menos comigo foi assim, e dessa forma que eu consegui alcançar meus objetivos e sigo tendo cada dia mais sonhos a realizar.” Além da marca de roupas Izis conta com a renda do trabalho que realiza em outro projeto, uma empresa de consultoria que auxilia microempreendedoras na divulgação de produtos e serviços.

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Para Izis a falta de cultura para o empreendedorismo é o principal entrave na sociedade brasileira. “Principalmente para as mulheres, não somos criadas para ter nosso próprio negócio. Nas faculdades não existem disciplinas que nos auxiliem a resolver os problemas que enfrentamos no cotiado da vida de empreendedor. Até nossas famílias, que nos apoiam e acreditam em nossas ideias, muitas vezes se sentem mais seguros quando temos um emprego CLT. Não fazem por mal, fomos criados com esse conceito e isso ainda está muito arraigado.”

Ao ser questionada sobre a participação em comunidades virtuais criadas para unir mulheres, mães e empreendedoras e que promover encontros físicos, Izis afirma fazer parte e comenta: “homens não fazem grupos para falar de como é difícil empreender sendo pai, mesmo que isso o fosse, eles não tem esse tipo de empatia que nós mulheres possuímos. As avós da minha filha me ajudam muito também, cuidando dela quando tenho algum evento ou reunião, isso é imprescindível para que eu consiga seguir com minhas atividades”, afirma.

Mais uma aposta no comércio

A empresária e consultora Angela Carvalho, 48, também encontrou no comércio – assim como Izis Bispo – a satisfação profissional que desejava. Mãe de Maria Clara, 14 anos, aluna do 9º ano do Ensino Fundamental, e João, 18, que ingressa na faculdade de Economia em setembro deste ano, Angela quatro anos atrás decidiu colocar no mercado a AC cozy-wear, uma marca de roupas com uma pegada bacana, mas que pouco se vê no Brasil. A marca de Angela produz peças de roupas confortáveis que podem ser usadas em casa – para dormir – mas que por serem pensadas para mães e mulheres modernas, também podem ser vestidas para sair.

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AC cozy-wear investe em conforto e praticidade para produzir pijamas – Foto: Facebook AC cozy-wear

“Sempre gostei de comércio, mas nunca tinha trabalhado com isso como forma de ganhar dinheiro. Tinha sido até então uma brincadeira. Até que tive um insight de fazer pijamas e hoje faço homewear e roupas confortáveis. São peças que não encontramos com facilidade por aí.”

Conciliar a vida de mãe, ainda que tenha filhos crescidos, para Angela também não é tarefa fácil, mas extremamente possível. Diariamente ela se esforça para não deixar de atender os filhos por causa do trabalho. Para isso aposta em seu planejamento para encontrar o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional. E Angela encoraja outras mamães mundo afora: “Meu conselho é que o façam!  Se é um sonho… arrisquem!”

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Angela com os filhos Maria Clara e João – Fotos gentilmente cedidas por Angela Carvalho/Arquivo Pessoal

Conexões em rede: Do ambiente virtual para a vida real

A comunidade Co.madre surgiu como um grupo fechado no Facebook para mães empreendedoras e autônomas. Hoje com mais de 800 membros, o grupo acolhe mulheres que se equilibram entre a vida materna e a profissão. “Quando engravidei da minha primeira filha, Maria Clara, de 7 anos, entrei em crise. Trabalhava no jornal Valor Econômico, adorava o que fazia e, mesmo assim, questionava minha rotina. Queria acompanhar o desenvolvimento da minha filha. Em 2010, decidi, então, pedir demissão. Quando ela entrou na escola, conheci mulheres com filhos que tinham vivido a mesma crise profissional. Senti uma compaixão enorme por essas mulheres. Achava que a corda estava muito puxada para o lado delas – nosso lado. Como conciliar tudo? Se dedicar ao trabalho, estar na porta da escola para buscar o filho, dar conta das demandas domésticas? Ufa. Comecei a ler e estudar essas questões. Surgiu o nome Co.madre e, na hora, o mais viável foi fazer um grupo no Facebook. Chamei amigas que chamaram amigas e a gente começou a discutir como conciliar maternidade e vida produtiva”, contou Juliana Mariz.

A empreendedora – que é mãe também de Elisa, 5 anos – comanda o projeto acompanhada de Fernanda Mariz, mãe de Ana Luiza, de 5 anos. Em 2013 mesmo, o Co.madre deixou o ambiente virtual quando foi promovido o primeiro encontro ao vivo e em cores. “Realizamos um café para trocarmos ideia. E foi muito enriquecedor. Percebemos como era importante nos encontrarmos para firmarmos relações e desenvolvermos parcerias”, disse Juliana. A partir disso, a dupla passou a organizar palestras – entre os temas promovidos: administração de tempo, como usar as mídias sociais, finanças e produtividade.

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Juliana Mariz, vestida de preto, e Fernanda Mariz, vestida com blusa branca, são as fundadoras do Co.madre, rede de apoio à mães empreendedoras – Foto: Camila Mendonça

“Atendemos muito a demanda que o próprio grupo tem. Em 2015 fizemos um bazar. E temos também um serviço chamado Consultoria Coletiva. Funciona assim: uma co.madre relata sobre sua empresa e um desafio pelo qual está passando. Um ‘time’ de comadres dão pitacos, ideias e insights. É sempre muito emocionante ver a solidariedade das mulheres. Temos também site, o Instagram, além da fanpage e uma newsletter para falarmos de tudo que fazemos, mas, principalmente, para usarmos essas plataformas para divulgar nossas causas”, explicou.

Segundo Juliana, a maioria das mulheres envolvidas no grupo trocou a vida corporativa pelo empreendedorismo. Mas há também muitas mulheres autônomas ou que estão em momentos de transição de carreira. O Brasil é um país difícil para qualquer empreendedor, no entanto, para a  as redes sociais estão contribuindo, de forma geral, para o avanço de profissionais dispostos a tocar um negócio próprio. “Há opções na internet. Espaços como Google Campus, Cubo e Impact Hub fazem um trabalho bacana também.”

Para as mamães quem pensam empreender, Juliana explica que é um grande erro achar que assim poderá trabalhar menos. Ela explica que talvez a mãe consiga flexibilidade de tempo ao definir seus horários. “Acho que a dificuldade ainda é o pouco preparo, algo que afeta muitos empreendedores. Também há uma dificuldade da imagem perante os outros. Ela tem de ser vista como uma empreendedora respeitada.  Mas eu acho que isso, aos poucos, está mudando”, disse Juliana que afirma ainda que as mães empreendedoras estão entendendo que é necessário se profissionalizar. E existem muitas pessoas, além de cursos, ajudando nesse sentido. “Acho que isso é muito importante: incentivar que essa mãe busque ajuda, organize-se. Não podemos mais ter o ‘negocinho daquela mãe que faz precinho de mãe’. Ou seja, depreciar o empreendedorismo materno.”

O Co.madre é um canal de conexões. “Tem uma iniciativa que gosto sempre de citar. Existe um coworking na Vila Mariana chamado Casa Galpão que nasceu dentro do Co.madre. Uma mãe postou que queria montar um negócio assim para poder sair de casa etc. Convocou reuniões. Apareceram algumas interessadas e ela conseguiu duas sócias. E estão a pleno vapor.” Dentro da comunidade há comadres envolvidas em diferentes áreas e negócios, incluindo os universos da moda e beleza: consultoria de imagem – serviços – e donas de marcas infantis – comércio.

Recalculou a rota após a maternidade e se tornou consultora de imagem

“A maternidade aconteceu quando eu quis e, mesmo assim, quanto aconteceu, eu não estava preparada”, comentou a carioca Mônica Regatto, de 38 anos. Ela relata que sofreu com a complicada amamentação e com adaptação de uma vida sem dormir. E que isso a fez mudar de profissão. Antes de dar à luz João, Mônica era produtora de moda. A mudança na rotina – em função do bebê – precisava mudar.  A solução que a profissional de moda encontrou foi se tornar uma consultora de imagem. “Eu não consegui me adaptar à correria da produção. O produtor de moda tem hora para começar, mas não tem para acabar. E era impossível conciliar as demandas de produção com a rotina do João que foi amamentado até 1 ano e 3 meses de idade. Ao longo desse primeiro ano do João busquei por novas formas de trabalho e aí conheci a consultoria de imagem. Me apaixonei pelo tema por que poderia trabalhar com a autoestima de quem veste a roupa, tinha um propósito nobre. Era diferente da moda, onde eu só estimulava o consumo pelo consumo com os trabalhos que eu realizava. Aliás, eu nem tinha consciência de que o vestir era um expressão do que sentimos e do que somos.”

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Mônica e João Regatto – Foto gentilmente cedida por Mônica Regatto

Há quatro anos trabalhando como consultora, Mônica conciliou o amor pela profissão que exerce hoje ao desejo de disseminar entre as mulheres com as quais trabalha o autoconhecimento para o vestir e o consumir.

“A imagem pessoal e profissional é uma poderosa ferramenta de comunicação social e, principalmente, na relação que temos com o espelho. Nos atendimento que realizo estimulo o autoconhecimento para se vestir e resgatar a autoestima através da roupa, acessórios, corte de cabelos. Entendo quais são as necessidades de estilo e prioridades para o dia a dia de cada cliente e busco nas roupas os elementos visuais – cores, modelagens, caimentos, linhas, estampas – que possam representar o que é, alinhado aos ambientes que ela circula. E como consultora de imagem eu também ministro aulas e em meus próprios workshops. Faço palestras, faço análise de cor de pele, análise visagista, organizo armários, dou conselhos e ombro amigo”, comenta.

Durante o tempo em que o João está na escola – que é de período integral – Mônica trabalha. Mas, trabalhar aos sábados e até mesmo aos domingos é algo bastante comum na vida do empreendedor. Com Mônica é assim. E ela explica que quando precisa trabalhar trabalhar no fim de semana conta com a ajuda dos “universitários”.

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A consultora de imagem Mônica Regatto durante palestra  – Foto: Facebook Mônica Regatto – Consultora de Imagem

Mônica passou por importantes momentos de uma só vez – na vida pessoal e profissional. O que inevitavelmente a transformou. Ela afirma que precisou superar muitas inseguranças para se lançar como empreendedora e consultora de imagem. Foi preciso aprender a se organizar, administrar, a se promover. O resultado de toda essa transformação é o amadurecimento capaz de fazer o ser humano dia após dia melhor. Hoje Mônica diz que pode sente sua autonomia graças não só a consultoria, mas também em função da maternidade. E ao ter seus serviços contratados por uma mamãe procura fazer o melhor baseado em suas experiências pessoais e profissionais.

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