Na Malha descobri que cada roupa tem uma história — Moda Sem Crise
24 • outubro • 2016

Na Malha descobri que cada roupa tem uma história


LADO B – Sempre pensei que cada roupa tem uma história, mas até agora, a história das minhas roupas começava a partir do momento que eu as colocava pela primeira vez. Ah, que tola ilusão! Descobri que essa história começa muito antes das peças chegarem em minhas mãos e entender esse processo iniciou uma pequena revolução em minha mente, assim como no meu armário.

Sábado, dia 22 de outubro, visitei a Malha, um espaço incrível de coworking voltado para moda e todos os profissionais que englobam o processo de produção do segmento. Foi a primeira edição da Feira da Malha, com o tema Moda X Território, que vai muito além do território físico. Uma festa linda, cheia de sorrisos, energia positiva e muitas ideias sensacionais.

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Galpão da Malha durante a 1ª Feira da Malha, evento vai acontecer uma vez por mês  – Foto: Bia Sberna

Foram essas ideias que tornaram o evento tão especial para mim. Descobri que a indústria do algodão é uma das mais tóxicas do mundo, que mata e adoece agricultores pelo excesso de agrotóxico utilizado nas plantações. Descobri que o Brasil é um dos países que mais descarta jeans indevidamente, o tecido que mais consome água em sua produção (isso eu já sabia). E descobri que há muita gente bacana fazendo algo para mudar isso.

A Mescla, por exemplo, trabalha com algodão orgânico e tecido fibra de garrafa PET. Já a Mig Jeans aproveita o jeans em desuso para criar peças novas e exclusivas, uma marca de upcycle cheia de atitude. E a Rede Asta, apoia diversos grupos de artesãos em regiões de baixa renda, levando mais qualidade de vida e valorização aos trabalhadores locais. Assim como a Bossa Social, onde o nome da costureira que fabricou cada peça vem estampado na etiqueta, acessando o site da marca é possível conhecer a história de mulheres incríveis e lhes enviar um e-mail.

Uma das ideias que mais me deslumbrou durante a Feira da Malha foi a colaboração. Nunca havia vivenciado a prática tão ampla desta palavra. Claro que a Malha é um espaço colaborativo, onde espaço físico, inspirações e insumos são compartilhados. Mas o conceito vai muito além disso, colaboração é um sentimento para todos que fazem parte da família Malha.

Muitas vezes vi que o entusiasmo de contar a história da sua própria marca era o mesmo quando apresentava as peças feitas pelo “companheiro de container”. Os filhos pequenos de uma estilista local brincavam pelas lojas de outras marcas. Todos se cumprimentavam pelo nome com sorrisos, elogios e brindes nos espaços comuns.

Um desses containers compartilhados era ocupado pela Acoletiva, união de quatro marcas empreendedoras, criadas por jovens formandas da faculdade de moda. Durante uma animada conversa onde elas me relatavam a dificuldade de fazer moda consciente e de qualidade neste país, uma das responsáveis de outro espaço entra na loja e pede uma blusa básica para compor sua vitrine, já que as dela, tinham sido vendidas. E a única peça viável para a produção estava na vitrine da Acoletiva. Bom, na mesma hora desmontou-se o manequim para ajudar a amiga e um novo look foi posto no destaque.

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Acoletiva: Quatro marcas em uma – Foto: Bia Sberna

Uma cena corriqueira para elas que me fez voltar para casa pensando no quanto eu sou colaborativa. E quanto mais eu posso vir a ser. O conceito de moda consciente e colaborativa me fez pensar sobre felicidade. Ver o outro feliz também me faz feliz.  Saber que a roupa que eu uso foi costurada por um profissional que recebe um salário justo, me faz feliz. Saber que a t-shirt que eu uso vem de um algodão que não prejudicou a saúde de nenhum agricultor, me faz feliz. Desfilar por aí com um look exclusivo desenhado por uma estilista recém-formada cheia de ideias, mas com poucos recursos, me faz feliz. Cada roupa tem uma história, quando vestir cada uma das que trouxe para casa comprada lá na Malha, vou me esforçar para dar continuidade a uma narrativa de sonhos, trabalho justo e vitórias.

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Galpão da Malha – Foto gentilmente cedida pela fotógrafa Ilana Bessler




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André Carvalhal: A ressignificação e o propósito da moda - 24, outubro 2016 às (14:29)

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