Carta da Editora: O Moda passado, presente e futuro — Moda Sem Crise
01 • novembro • 2017

Carta da Editora: O Moda passado, presente e futuro


CARTA DA EDITORA – Ando saudosista. [Risos]. Um segundo de distração e uma lembrança ou outra vem. O que mais tenho revisto são meus passos profissionais. Os últimos. E os primeiros também. O fato é que amo contar histórias, sempre amei. Sou jornalista desde que me entendo por gente.

Então, talvez todas essas lembranças tenham a ver justamente com essa coisa de contar e recontar uma das minhas mais importantes memórias até aqui. Muitos me perguntam a respeito do Moda Sem Crise. Sobre a criação do projeto. Sobre o seu propósito. Sobre o que fazemos e aonde queremos chegar.

Em todos os lugares pelos quais temos passado, somos encorajadas a contar e relembrar diariamente tudo o que passamos.  O que temos feito. O que tem nos constituído. E que o que nos coloca neste lugar  aonde viemos parar.

Hoje decidi compartilhar com você que nos acompanha um pouquinho de tudo isso. Essa é uma conversa bastante longa. Por isso, senta que lá vem história.

O Moda surgiu em junho de 2015. Era sábado. Fazia frio em São Paulo. Eu assistia TV quando me ocorreu a ideia de criá-lo. Mandei mensagem pra Edilene Ribeiro, jornalista com quem comecei o projeto. Marcamos um encontro em uma exposição sobre rendas brasileiras e lá revelei o plano. Dias depois começamos os trabalhos.

A escolha do nome Moda Sem Crise não se deu por acaso. O Brasil já passava por dias de recessão econômica. Além disso, tinha a questão da crise de identidade, autoestima e aceitação que desde então me cercava.

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Edilene Ribeiro e eu na Pinacoteca durante ensaio fotográfico pro Moda assinado pelo Jú, amigo querido. Esse dia rendeu lembranças inclusive bem engraçadas – Foto: Edson Lopes Jr.

Em 18 de janeiro de 2016 o Moda Sem Crise entrou no ar. A princípio, a ideia era que fosse um blog de dicas sobre moda, consumo e valorização da mulher. E assim tocamos os primeiros textos.

Alguns meses depois Edilene decidiu deixar o projeto. Dali em diante precisei seguir sozinha. Na época grávida, ela que é sempre mencionada com muito carinho, respeito e saudade, topou continuar como colunista. Elaine Paiva, que hoje é sócia-diretora e desde o início era uma das principais incentivadoras do projeto, passou também colaborar com uma coluna quinzenal sobre o universo feminino.

Mas não era o momento, não era o bastante. Já comentei aqui da minha fase depressiva. E não é segredo o quanto esse diagnóstico me colocou à prova. Ainda estava com a saúde bastante comprometida em meados de 2016. Mesmo certa da relevância do Moda, não estava bem e dia após dia perdia o desejo de seguir, de viver…

Mas a vida tem das suas surpresas não é mesmo?! E não sei precisar nem o dia nem a hora. Mas, a verdade é que o Moda me salvou. Com um novo posicionamento, dia 10 de outubro de 2016, após ficar aproximadamente dois meses com as publicações suspensas, voltei a publicar e compartilhar meus textos. Com ideias mais claras e bem definidas o Moda Sem Crise deixou de ser entendido como um blog, para ser encarado como site.

Nesta época, Elaine foi promovida e passou fazer parte efetiva de nós. Conheci a Paiva (é assim que normalmente a chamo) no 3º ano de faculdade quando nos tornamos colegas de sala. A amizade só surgiu após o TCC. O mesmo aconteceu com a Pri. Um semestre após o fim da faculdade soube de um curso de Jornalismo Social. Já conversava bastante com as duas pelo MSN, mas de forma separada. Tive a ideia de chamá-las para o curso. Nos inscrevemos. Participamos. E foi então que se estabeleceu uma sólida e duradoura amizade.

Em maio de 2014, a Pri me fez uma confissão. Estava decidida a mudar o visual ao aceitar sua forma física de uma vez por todas. Saber o quanto isso a incomodava foi uma surpresa para mim de tanto que a admirava. Aceitei a missão e partimos então para uma “consultoria de estilo”. Eu nem sabia exatamente o que estava fazendo. Acho que apenas a encorajei. Paiva e eu produzimos também um ensaio fotográfico. E ela brilhou. E amou. Roupas novas, cabelo novo, make novo, mas acima de tudo, atitude nova. E vimos uma nova Pri surgir.

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Registro do nosso último encontro. Agosto de 2014. Era noite. Marcamos de jantar juntas em um shopping da zona leste de SP. A Pri, à minha esquerda, e eu chegamos antes. Provamos paleta mexicana. Uma hora depois, Paiva se junto a nós. Lembrança que deixa saudade e dá aquele nó na garganta. Saudade. Muita saudade.

Infelizmente, meses depois, em novembro, a perdemos. Foi tudo muito rápido. E extremamente doloroso!

Compartilho novamente essa história porque toda essa experiência mexeu e mexe com a gente. O que a transformou por fora, também nos tocou. E de forma tão profunda quanto. Coisa que reflete no Moda desde o princípio, quando a ideia era fazer deste um canal de empoderamento para quem faz parte, quem nos conhece e quem de algum jeito se conecta ao que escrevemos e propomos.

Hoje damos início a uma nova temporada ao retomar as publicações. Diferente do que aconteceu em 2016, quando o Moda quase deixou de existir, dessa vez o que me afastou de certo modo do projeto foi justamente a tentativa de estabelecê-lo.

Explico. Precisei me dividir entre o projeto e outros trabalhos, o que foi bom em vários sentidos.

Mas com os avanços e as novidades surgindo, decidi reorganizar a agenda e voltar a priorizá-lo, sendo assim, a partir daqui sigo trabalhando exclusivamente no Moda. Com isso, o objetivo é ampliar e consolidar seu conteúdo.

E como somos adeptas dos ciclos, dos recomeços, das ressignificações, a partir daqui o posicionamento muda um pouquinho. Passamos a encarar o projeto como uma plataforma online e offline.

Seguimos nos pautando por moda, beleza e comportamento. E trabalhando os mesmos vieses: novos talentos e negócios criativos, porque queremos contribuir indicando caminhos para quem está criando; a produção e o consumo ético e responsável, porque queremos também influenciar e inspirar em ambos os processos; e a valorização e o empoderamento da mulher sem qualquer segregação ou preconceito.

Ou seja, a sustentabilidade, e em todos os seus aspectos, segue sendo o que nos direciona.

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O Moda Sem Crise que você conhece e confia. Na barra da lateral direita te direciona para Nosso Manifesto e os serviços oferecidos por nós. E para o Instagram da Feira Join Makers. (Ao visualizar pelo celular, esses links aparecem no final da barra de rolagem, após as publicações da página). Imagem: Moda Sem Crise

Contar histórias é algo que nos move muito. Mas nos motiva também abrir espaço para que outras pessoas as contem também. Por isso contamos com nosso time de colunistas.

Entre os novos nomes está a Monique Brasil, proprietária da Rabble, uma marca de calçados confeccionados manualmente a partir de resíduos que valoriza não só a sustentabilidade, mas o comércio justo. Aqui no Moda, a Monique passa a contribuir com a coluna Sapateirar compartilhando sua jornada como empreendedora no mercado brasileiro de moda, indicando o que tem aprendido sobre o segmento que atua, além de novas formas de produzir, comunicar e vender no setor. Não demora e a gente publica o texto de estreia dela que adianto, está sensacional. Mas tem mais gente chegando para somar nesse time.

Outra coisa bacana são os projetos que nos trazem a experiência offline. Entre eles, a Feira Join Makers. Iniciativa que temos tido o prazer e privilégio de tocar em parceria com o Instituto Brasileiro de Moda (IBModa). Posso afirmar que produzir e realizar a primeira edição deste evento foi o maior desafio profissional que já vivi. Atender a expectativa de todos os envolvidos sempre foi pra mim uma grande responsabilidade. Mas tão gratificante quanto foi reunir tantos negócios incríveis em uma feira com a nossa marca.

Aliás, preciso mencionar também que receber a nossa colunista carioca Bia Rocha, que nos visitou especialmente para estar com a gente na feira, só fez desse evento algo mais especial. E essa história nossa carioca toda paulixta conta pra gente logo logo na retomada da coluna Labo B.

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#ModaSemCriseTeam na #JoinMakers – Aline Elen, Elaine Paiva, Marcela Fonseca, Bia Rocha e Laura Silva Foto: Arquivo Pessoal

A Join Makers encerrou a 1ª Semana Brasileira de Moda – iniciativa do IBModa, de quem temos orgulho de dizer que somos parceiros. A 1ª SBModa começou com o Fashion Films Festival, no Unibes Cultural. Seguiu com três dias do 5º Congresso Internacional de Moda, na Each | USP Leste. E teve fim com o Pitch Start US de Moda e a feira que rolou no Quintal 1620, no Sumaré, São Paulo. E lá, durante todo o tempo estava o Moda. Acompanhamos a produção do evento. E estivemos envolvidas como Media Partner.

Por toda a semana a correria foi intensa. Momentos dos quais amo recordar e sou também bastante grata. Paiva e eu nunca estivemos tão juntas profissionalmente falando. Esse tempo nos proporcionou algo novo e nos integrou ainda mais. E tivemos ainda a grata surpresa de contar com Laura Silva, uma garota indígena linda, moradora do Capão Redondo, extremo Sul de São Paulo, que não só contribuiu, como nos abraçou. E se dedicou 100% por nós.

Resumindo: Projetos? Temos muitos. Vontade de tornar o Moda cada dia mais relevante para a sociedade também. Aos poucos vamos revelando mais a respeito do que temos trabalhado. Tem a campanha #soulindaassim que está sendo reformulada e nela a ideia é fotografar mulheres contando com o apoio de marcas com propostas sustentáveis e revelar suas histórias inspiradoras com o objetivo de fazer valer a representatividade e promover os conceitos por trás das marcas relacionadas. E temos uma iniciativa lindíssima que vai envolver jovens e educação também à caminho.

Nunca estive tão feliz profissionalmente. Quando olho para trás e relembro de toda a minha trajetória, sinto um orgulho imenso de ter feito tudo o que fiz. Me emociono ao me lembrar de inúmeras pautas dos tempos de redação do Agora S. Paulo e nas reportagens que assinei durante o tempo que estive no Metrô News. Sei o quanto tudo isso importa. Carrego comigo tudo o que aprendi. E faço uso disso com o objetivo de dar o meu melhor. Além disso, a busca por autoconhecimento tem feito com que enxergue tantas coisas a meu respeito. O resultado de tudo isso é essa pessoa mais segura, completa e feliz.

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Gratidão define todos os encontros que o Moda tem me proporcionado – Foto: Aline Elen

Tem uma frase de Francis Chan que faz todo o sentido para mim. Diz assim: “nosso maior medo não deve ser o fracasso, mas ser bem-sucedido em algo que não importa”. O Moda Sem Crise é sobre isso. E é por isso que estamos aqui. Então, sem mais delonga, sejam todos bem-vindos a essa nova temporada de publicações. Espere ver por aqui muito bate-papo, reflexão, inspiração. Mas também muito conteúdo com informação relevante sobre como produzir melhor, como consumir melhor, como viver da mesma maneira.

Um beijo e nos vemos por aí e por aqui!

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