13 • outubro • 2016

Precisamos falar sobre a moda inclusiva


MODA – O que passa pela sua cabeça quando você pensa em roupas, quando o assunto é essa tal moda democrática? Você deve associar essa questão a peças que tenham a ver com o seu estilo, com aquela leitura contemporânea, e que, além de valorizar o corpo seja funcional, bonita e agradável. Isso sem falar em preço, caimento e qualidade, não é mesmo?! Mas, se para a pessoa sem deficiência conquistar um guarda-roupa que reúna características adequadas signifique em alguns casos uma verdadeira via sacra, pense então no quanto essa tarefa é complicada para pessoas com deficiência, seja a deficiência qual for.

Vale ressaltar que a inclusão definitiva da pessoa com algum tipo de deficiência depende de um conjunto de ações. É preciso garantir direitos para que ela se sinta de fato integrada à sociedade, seja por meio da moda capaz de facilitar seu dia a dia ou por qualquer outro aspecto.

Com o objetivo de melhorar a qualidade sua vida, concursos de moda inclusiva acontecem em algumas cidades espalhadas pelo Brasil estimulando novos talentos do estilismo e modelagem. Mas o preconceito ainda é uma barreira para que ocorra a consolidação desse importante mercado.

Promovido pela Secretaria Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência, acontece dia 15, às 15h, no Parque da Água Branca, na Zona Oeste da capital, o desfile dos finalistas do 8º Concurso de Moda Inclusiva. Segundo a secretaria, o Brasil tem hoje cerca de 45 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência. Somente no Estado, são 9,3 milhões.

Direcionada a estudantes e profissionais, a iniciativa propõe a discussão de tendências, debates de ideias e a troca de experiências. Para o desfile deste sábado esperamos ver na na passarela criações de finalistas não só do Estado paulista, mas de candidatos de Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Pará, Rio Grande do Norte, Bahia, além de projetos do Japão, Argentina e Irã.

O evento faz parte da programação do Mercado MoDe, realizado no mesmo parque durante todo o fim de semana, das 10h até as 18h. O mercado consiste na exposição e na venda de mercadorias que tenham como foco a transformação da economia por meio da investigação de novos usos para antigos materiais, com uma visão de mundo que integre ser humano e natureza. A proposta é fomentar uma rede de novos designers, em um espaço para apresentar projetos e produtos pensados em novos modelos de negócios pautados na responsabilidade social e ambiental.

Estilista de Suzano está pela segunda vez entre os finalistas

Entre os talentosos estilistas do Concurso de Moda Inclusiva está Robertha Navajas. Formada em Moda e aluna da pós-gradução de um curso de Modelagem, a estilista de Suzano há dois meses tem se dividido para dar conta dos trabalhos em seu ateliê, o TCC para a conclusão da pós e a peça que levará ao desfile, um look masculino, idealizado para pessoas amputadas ou com pouca mobilidade.

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A estilista Robertha Navajas está entre dois rapazes modelos, no Concurso Moda Inclusiva 2015 – Foto: Divulgação

Essa não é a primeira vez que Robertha participa do concurso. Experiência que ela espera mostrar em seu projeto. E que espera também que faça a diferença na escolha dos jurados. A preparação incluiu aula com estilistas, fisioterapeutas e envolveu até mesmo marketing. “Desta vez consegui me aperfeiçoar, fiz um projeto mais elaborado, com uma proposta que pode beneficiar mais de um tipo de deficiência. E as expectativas são as melhores. Mas, só de estar entre os finalistas e participar do concurso já me dá uma satisfação enorme”, diz.

A estilista que busca em suas coleções criar roupas confortáveis e na medida, explica que para ela a moda inclusiva deveria estar inserida no mercado e que em seu ateliê ela pratica a diversidade. “No meu caso eu insiro as questões aprendidas nas minhas criações e também me sinto preparada para atender todos os tipos de públicos. Em meu trabalho não existe o preconceito, porque pessoas com deficiência também casam, vão a bares, baladas e festas. E como tenho o ateliê sob medida, me sinto segura de atender a todos”, contou. Especialista em vestidos de noiva, Robertha ao atender uma cliente diabética insulino-dependente [embora não se trate de pessoa com deficiência], inseriu na peça bolsos para que a bomba de infusão de insulina ficasse durante a cerimônia e festa bem acomodada. O que demonstra todo seu carinho e sua habilidade com o público para o qual trabalha.

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Modelo masculino amputado da perna esquerda desfila look de Robertha Navajas na 7ª edição do Concurso Moda Inclusiva. Este ano a estilista repete a temática – Foto: Divulgação

Robertha aponta o preconceito como principal desafio para o crescimento da moda inclusiva. “Existe até pelos estilistas. O padrão imposto é difícil de ser quebrado. Porém com dedicação já podemos ver conceitos desatualizados sendo quebrados e uma parte se preocupando com outras pessoas que não são consideradas padrões”, comemora.

Projeto “Meu Corpo É Real

Vídeo produzido para o projeto Meu Corpo é Real, chama a atenção para a moda inclusiva. “Afinal para quais corpos a moda trabalha? Pensando no direito que todas as pessoas tem em consumir, o projeto #MEUCORPOÉREAL surgiu com o intuito levar até a indústria informações menos superficiais e generalizadas sobre os corpos que a mesma insiste em não contemplar. Entre tantas histórias, o que realmente buscamos é mostrar que a diversidade dos corpos existe, e isso não deve ser visto de maneira negativa!” Assista ao mini documentário:

 

Serviço – Mercado MoDe – Dias 15 e 16, no Parque da Água Branca – Avenida Francisco Matarazzo, 455 – Água Branca – São Paulo. Já a 8º edição do Concurso Moda Inclusiva acontece dia 15, às 15h. Entrada gratuita.

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4 Respostas para "Precisamos falar sobre a moda inclusiva"

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