30 • janeiro • 2018

Upcycling: 12 marcas que se apropriam dessa preciosa tendência em suas criações


Uma das mais preciosas tendências da Nova Era da Moda diz respeito a uma técnica que sem qualquer intervenção química reaproveita o que teria como destino o lixo para a criação de algo novo e original. Estamos falando do Upcycling – movimento que no Brasil conta com iniciativas dignas de louvor.

O termo é moderno. Recente. Usado pela primeira vez em 1994 pelo ambientalista alemão Reine Pliz, o Upcycling ganhou destaque em 2002 com a publicação do livro Cradle to Cradle: Remaking the Way we Make Things do arquiteto nascido no Japão, William McDonough, e do químico alemão, Michael Braungart.

Em Cradle to Cradle: Criar e Reciclar Ilimitadamente – tradução do título para o português-, McDonough e Braungart explicam que o objetivo do Upcycling é evitar o desperdício de materiais em condições de uso. Processo que contribui com a redução do consumo de novas matérias-primas, poluição do ar e da água e a emissão de gases de efeito estufa.

Ambos afirmam que do ponto de vista ecológico, o Upcycling tem resultado ainda mais positivo que a reciclagem – já que que tal processo não envolve o uso de aditivos químicos para a sua realização, como ocorre na reciclagem. Além disso, recuperado, normalmente o material reciclado se torna outra vez o produto que era originalmente. Já o Upcycling transforma o reuso em algo inédito e em muitos casos até exclusivo.

Embora não haja tradução para o português, o termo Upcycling já está totalmente incorporado ao discurso da Moda Sustentável brasileira. Listamos nesta publicação iniciativas consolidadas e promissoras para que você possa entender, acompanhar e se apropriar desse conceito também.

CaMon Upcycling Zero West – A marca de Camila Monteiro te em seu DNA o foco na Economia Circular. O objetivo é fechar o ciclo da moda na produção de peças de vestuário e acessórios. Pra isso, a CaMon faz uso de resíduos de tecidos descartados pela indústria e peças seminovas em bom estado (e aí está o Upcycling) para criar produtos. A produção acontece sob demanda, de forma artesanal e local. Medidas adotadas para combater o desperdício. Ativista da moda ética e vegana, Camila além de produzir produtos, publica informações em um blog sobre moda justa e alimentação saudável e compartilha pesquisas e testes em modelagem zero desperdício.

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A estilista Camila Monteiro – Foto: Facebook Camis Monteiro

Comas são paulo – As camisas produzidas pela indústria de confecção impedidas pelo controle de qualidade  de chegarem ao mercado em função de pequenos, médios e grandes defeitos servem de matéria-prima para a marca de Agustina Comas. Em sua produção, a Comas aproveita as características originais dos produtos descartados. Um exemplo é a Saia Universal – concebida a partir de duas camisas. Os principais elementos das peças originais, neste caso, são o corpo da camisa e o colarinho. E o resultado é uma peça novinha em folha. “A sobra nos inspira!”. Esse é o slogan da Comas são paulo.

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Agustina Comas no fim do desfile de sua marca na Brasil Eco Fashion Week, em novembro de 2017 – Foto: Marcelo Soubhia / Agência Fotosite

Think Blue Upcycled – Popular e democrático, o jeans – objeto de desejo global – custa caro ao meio ambiente. Só para se ter uma ideia, são gastos 11 mil litros de água para produzir aquela tão badalada calça jeans, isso sem mencionar os agrotóxicos usados no algodão que a constitui. Mirella Rodrigues, ainda na faculdade, pensou em uma solução para reduzir esse impacto tão negativo. Nasceu então a Think Blue Upcycled and Slow Fashion. A marca aposta na criação de peças – calças, casacos, saias, vestidos, shorts, tops – feitas a partir do reuso de roupas jeans garimpadas que unidas depois de recortadas se tornam um novo e original produto.

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Ensaio “Constante Fusão” realizado pelos alunos do Senai Cetiqt para a Revista To-Be | Styling: @caioviitors @corujabrandao Produção: @corujabrandao @caioviitors @fp.martins @arimmoa @evillin_hasman Foto: @sleepingwithrafs Modelos: @t_negonah @guscifer

Colibrii – A Colibrii é uma rede que trabalha com artesãs das comunidades locais de Porto Alegre (RS) a ressignificação de resíduos têxteis. Processo que envolve a orientação, co-criação e a venda. E o resultado é a prática do consumo consciente, a geração de renda e o desenvolvimento local. O jeans também está bem presente nas criações. Mas outros resíduos também estão incorporados, como, por exemplo, o tecido daquele guarda-chuva descartado, a lona de caminhão. A Colibrii é um negócio social, portanto, não é uma empresa com fins lucrativos, o lucro é o meio para realizar e ir mais longe. E o reaproveitamento de materiais é a essência do projeto.

Vicente Perrotta – Estilista Vicente Perrotta, cuja marca leva seu nome, ressignifica roupas rompendo com gênero e padrão. O resultado da desconstrução de peças, são criações exclusivas e originais. Mas não é só isso, Perrotta usa a moda para contestar e ir além em provocações e reflexões. Segundo Perrotta, em entrevista para o site Lilian Pacce que cobriu seu desfile na Brasil Eco Fashion – 1ª Semana de Moda Sustentável do Brasil -, em novembro de 2017, discutir o consumo e questionar as práticas da indústria é insuficiente. O estereótipo de gênero também precisa ser encarado de frente. “O consumo no geral é sexista. O de moda, especificamente, é opressor, a pessoa tem que ser magra, branca e cis. Não existe roupa pra outro corpo que não seja esse. E pra mim, gênero não existe, quero tirar essa opressão patriarcal da roupa. Como quando não acinturo; quando não faço numeração e sim procuro fazer uma peça que sirva pra vários tamanhos…” diz Perrotta que encerrou a lineup de desfiles do evento com uma apresentação performática focada na figura dx travesti.

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Vicente Perrotta em desfile performático na BEFW – Foto: Marcelo Soubhia / Agência Fotosite

Amarela Upcycling – A marca Amarela Upcyling também está entre as que preferem desconstruir para construir. Focada no upcycling, reaproveita resíduos e os usa como principal elemento de suas criações: roupas e acessórios. Por traz da Amarela está Ruth Wünsch.

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Foto: Facebook Amarela Upcycling

Upcyqueen – Juliane Darin trabalhou como estilista em grandes empresas da moda brasileira. E após anos no varejo percebeu que era hora de trabalhar com o reuso. E foi pensando na sustentabilidade e em algo que pudesse diminuir o impacto ambiental durante a criação que surgiu sua marca Upcyqueen. Basta dar uma voltinha no Instagram da marca para ver o quanto essa estilista é criativa. Lá dá para ver também que a Upcycling conta com um charmoso trailer onde transporta e vende peças em feiras e eventos.

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Deborah Werneck finalista da 4ª temporada do MasterChef Brasil usando jaqueta Upcyqueen que recebeu detalhes de um vestido de renda e veludo nos bolsos e gola – Foto: Facebook Upcyqueen

Resgate Fashion – Marca pautada pelo movimento slow, a Resgate Fashion resgata e transforma peças de segunda mão em boas condições com o objetivo de prolongar o tempo de vida delas. Roupas vintage e tecidos de estoque morto estão sempre na mira da dupla Natália Sperchi e Marcela Castilho. Juntas, e também com apoio de parceiros, transformam  resíduos em roupas novas, exclusivas e descoladas.

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E 25 horas do início dos trabalhos de bordado à mão, a jaqueta vintage da Ellus, tornou-se um item exclusivo e maravilhoso – Foto: Facebook Resgate Fashion

Chesller – Brechó & Loja Colaborativa – Chesller Moreira é o estilista da Chesller Brechó & Loja Colaborativa. Em sua loja, que funciona também como brechó, ele atende a clientes interessados em seu trabalho arte.  De confecção própria, suas peças são 100% artesanais e pautadas pela sustentabilidade. A loja colaborativa está  localizada na Freguesia do Ó, zona norte da Capital. “Existe público para apostar nesse estilo diferenciado de vendas,” afirma Chesller. “Além disso, a diversidade dos expositores e, portanto, do que é oferecido também estimula uma clientela mais plural – e, ao mesmo tempo, extremamente local. Que pode curtir essa experiência sem ter que atravessar a cidade para isso.”

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O modelo Alex Santos durante ensaio na 1ª edição da Feira Join Makers usando uma das criações da marca Chesller – Foto: Laura Silva

Farrapo Upcycling Couture – A marca produz artesanalmente peças exclusivas a partir do reaproveitamento de resíduos da indústria têxtil e roupas vintage em desuso. Criada em 2012 pela designer Kamila Olstan, as peças da Farrapo são produzidas uma a uma em seu atelier, em Curitiba (PR). Desde o princípio o que move a Farrapo é o desafio de criar coleções inteiras com materiais que seriam descartados, quebrando assim o preconceito, propagando uma nova forma de ver e viver o consumo.

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Foto: Facebook Farrapo Upcycling Couture

Roupa Refeita – Se seu objetivo é não só se tornar adeptx do upcycling, mas também colocar a mão na massa, a dica é ficar de olho na plataforma 2º Andar – Roupa Refeita – plataforma de ensino e informação sobre práticas de reuso têxtil e sustentabilidade acessível. Thais Faria ensina técnicas bem legais para quem quer se envolver, criar e modificar roupas fazendo uso de peças que já existem mas que estão fora de uso. Dá para acompanhar o canal da Thais no Youtube e aprender por lá. Mas pessoalmente, a estilista que é do Rio de Janeiro promove cursos e oficinas.

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#TBT da Thaís para relembrar que uma camiseta masculina pode se tornar uma blusinha linda para o Carnaval – Foto: Instagram Roupa Refeita

Lactuca Lab – A Lactuca Lab é a marca de Fernanda Alface. Moradora de Floripa (SC), ela também tem muito a ensinar. Criatividade não falta. E a produção de marca acontece pautada no reuso do que já existe e que para alguns já está fora de jogo. Para semear o conceito, Fernanda e sua irmã Amanda Alface promovem  oficinas e vestem a camisa da alma quando o assunto é a reconfiguração da percepção de consumo. Fernanda explica que aposta na transformação do resíduo têxtil, em especial do jeans, em peças novas, trazendo a reciclagem para o ato do vestir como alternativa perfeitamente viável. E completa: “Lactuca LAB é um portal de ativismos ecoquânticos. Ahn? É simples, o artivismo é pela cura do Planeta, a nível social e ambiental, e fazemos isso usando muitas cores, materiais reciclados, retalhos, criatividade e artesanatos aprendidos com a mamãe e a vovó com muito amor. Tudo é energia, e baseado no princípio ‘tempo é arte’, nos reconhecemos e atuamos como canal de troca e liberdade criativa.”




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