26 • março • 2018

Saias para homens: liberdade, estilo e cultura


Quebrando padrões, as saias masculinas estão sendo vistas no cotidiano e no guarda-roupa masculino. Em São Paulo a marca Saya adota a cultura Hakamá (traje japonês) para inspirar homens a usarem as saias. Morador de São Bernardo do Campo, o fundador da marca Pedro Henrique Paschuetto, 31 anos, professor de Tai Chi Chuan concedeu uma entrevista ao Moda Sem Crise. Ele explica como e porquê decidiu criar a marca.

Moda Sem Crise – Como surgiu a ideia de criar uma marca de saias para homem? Já estava nos seus planos criar a Saya?

Pedro Henrique Paschuetto – A vontade surgiu há poucos anos na prática de artes marciais ao ver outros homens com o Hakamá, daí a ideia de ocidentalizar o conceito. Nunca me imaginei criando uma marca na área da moda.

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Pedro Henrique Paschuetto usando uma das peças inspiradas no Hakáma – Foto Divulgação

MSC – Antes da criação da marca você já era envolvido com o mercado de moda? Qual a sua relação pessoal e profissional com a moda?

Pedro Henrique Paschuetto – Não era envolvido, mas aprecio de forma significativa uma pessoa bem vestida e tento, de certa forma, me vestir de maneira agradável e estilosa, afinal, a impressão da vestimenta transmite de forma inconsciente muito conteúdo, diz muito sobre a pessoa, entende? É isso que aprecio e valorizo.

MSC – A inspiração para a marca Saya vem do Hakamá (traje Japonês). Nos conte um pouco sobre essa referência. E qual o significado e conceito criado a partir do que te inspira?

Pedro Henrique Paschuetto – O Hakamá era utilizado pela alta corte do Japão e foi adotado pelos samurais para protege-los e diferencia-los das outras classes. Hoje em dia é utilizado em cerimônias, eventos mais formais, nas artes marciais, bem como em apresentações de teatro daquele país. Sempre achei mais elegante uma mulher de saia comprida a curta ou média, exatamente o motivo eu não sei, é inconsciente, recebo uma impressão de integridade e acho estiloso. O significado do conceito está em parte expresso no próprio nome da marca “SAYA”, que em japonês saya é a bainha que protege a espada. A espada é o que corta, mata e que vai para o combate, a bainha protege a espada enquanto não está em combate. A espada é considerada uma extensão do guerreiro (nós) e a bainha (saya) é o que protege, dá o acolhimento e conforto para este. A ideia é quando vestirmos uma peça da SAYA, nos sentirmos protegidos e prontos para os desafios do cotidiano.

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Hakamá era utilizado pela corte japonesa e foi adotado por samurais – Foto: Divulgação

MSC – Como é o processo de produção das peças? Você conta com uma equipe? Qual o tipo de material utilizado? Há uma preocupação em relação a conceitos de sustentabilidade (ambiental, social, econômica) neste projeto?

Pedro Henrique Paschuetto – Todo o processo é uma caminhada, passo-a-passo, até chegar na peça ideal que te deixe à vontade. Desde a ideia, desenho, molde, peça piloto, experimentação e ajustes até a escolha do tecido e aviamentos. Posso chamar de equipe a pessoa que vendeu o tecido, a que modelou, a que costurou e as que me orientaram? O material escolhido para as primeiras confecções foi predominantemente algodão com poliéster, algo mais próximo do que encontra-se hoje nas calças mais utilizadas, isso para não causar um impacto e estranhamento muito grande no público. Não me aprofundei tanto nesse estudo sobre sustentabilidade, mas visto que a marca está em seu início, procurei não desperdiçar a matéria-prima no processo de criação das peças. A SAYA pretende futuramente utilizar tecidos mais sustentáveis.

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Empreendedor aposta em vestimenta inovadora e com estilo para apreciadores da moda Foto: Divulgação

MSC – Sabemos que no Brasil essa não é uma peça comum no guarda-roupa masculino. Você enfrenta preconceito? Como lida com isso?

Pedro Henrique Paschuetto – Não mesmo, trazemos muitos conceitos formatados. Um dos grandes aprendizados que venho tendo com as saias é justamente perceber o quanto eu me preocupo com que os outros pensam. Desde o início está sendo um processo muito valioso em termos de autoconhecimento para me libertar das pegadinhas que minha própria mente prega. Minha intenção não é de “ir contra” algo, de “lutar por uma liberdade” ou “mostrar que homem também pode usar saia”, imagine… pra mim isso é perda de tempo, a intenção é apenas oferecer uma vestimenta inovadora e com estilo para aqueles que apreciam a moda e se importam com o que é expresso através do visual, nada mais.




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