Lucid Bag: Guarda-roupa compartilhado viaja pelo Brasil em 2017 — Moda Sem Crise
07 • dezembro • 2016

Lucid Bag: Guarda-roupa compartilhado viaja pelo Brasil em 2017


ESPECIAL – Hoje em dia dividir o guarda-roupa pode ser considerado rotina para algumas pessoas. Mas, pouco tempo atrás, essa ideia era, digamos, inconcebível. E por vários motivos, para citar só um deles, o modelo de negócio que até então não existia. Mas, dois anos depois de decidir ultrapassar essa utopia, o Lucid Bag que teve início em São Paulo e criou raízes na cidade do Rio de Janeiro e em Goiânia (GO), conta agora mais do que nunca com um formato consolidado, e se prepara para investir em novos terrenos, novos parceiros e conhecer novas histórias ao se tornar itinerante. Em 2017 o Lucid Bag promete visitar e vestir outras cidades brasileiras.

Quem nos contou sobre os sabores e as aventuras do primeiro guarda-roupa compartilhado do país foi a sua fundadora, a jornalista Luciana Nunes, que recebeu o Moda Sem Crise em seu endereço, na Vila Madalena, na Capital paulista, numa fria tarde de sexta-feira, em novembro. Ao som de um vinil de Janis Joplin, a entrevista aconteceu diante das araras que deixavam aparentes as peças que haviam sido trocadas no dia anterior, por causa da brusca mudança de temperatura. Ali mesmo, na sala da casa, nas prateleiras, livros e pertences decorativos dividiam espaço com calçados e acessórios, confirmando o seu caráter colaborativo do espaço.

O projeto teve início em 2014, após Luciana decidir deixar o tradicional mercado da moda, descontente com os rumos do setor partiu para uma viagem a Barcelona, na Espanha, com o objetivo de investir em uma proposta que dialogasse com a sustentabilidade. “Fui fazer um curso de Coolhunter fora e me dei bem com o curso. Foi lá que tive a ideia do projeto, porque eu tinha construído um acervo de roupas legais, mas que ficava parado no meu guarda-roupa. Eu não queria doar nem vender, mas usava pouco.”

O desapego da jornalista contribuiu para que o projeto começasse se formatar. Em sua adolescência era comum emprestar suas roupas para as amigas. Prática que se perdeu com o tempo. Mas que se mostrou o caminho perfeito para colaborar com uma moda mais justa e consciente. “A gente acha que o sucesso profissional está ligado às coisas que a gente consegue comprar e deixa de compartilhar”, comentou. Mas não foi fácil dar os primeiros passos rumo ao Lucid Bag. “Apresentei o projeto para meus professores e eles amaram. Não exista ainda nada parecido, não tinha nem o Lena que é de Amsterdam, na Holanda. Foi realmente uma loucura. Fomos adaptando durante esses dois anos o que estava dando certo e o que não estava. E hoje temos um modelo que funciona bem em São Paulo, Rio e Goiânia.

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Lucid Bag Guarda-Roupa Compartilhado em São Paulo – Foto: Divulgação Luciana Nunes

Luciana lembrou que a maior dificuldade para tirar do papel o projeto Lucid Bag era a falta de referências. “Eu não tinha como me basear por outro projeto. Fui fazer o plano de negócio, porque sabia desde o começo que tinha que me estruturar de maneira profissional, então, a primeira coisa que fiz foi procurar o Sebrae para fazer um curso de plano de negócio para fazer tudo certinho. Só que o Sebrae trabalha com modelos tradicionais do mercado, e o projeto era um negócio super novo. E não podiam nos encaixar em nenhum modelo. Tive que pensar no modelo de negócio.”

A partir daí foi preciso testar o funcionamento do Lucid Bag. E foram vários os modelos pretendidos até que chegassem ao que funciona hoje. “Se um negócio tradicional no momento que a gente vive hoje, já está difícil, imagina para um negócio que ninguém sabe exatamente como funciona, que não existe demanda no mercado e tem a questão cultural. As pessoas ainda compram as peças, amam e querem comprar. Essa foi uma das coisas que a gente adequou. Hoje as meninas participam trazendo as peças e no fim do mês a gente troca o guarda-roupa todo e se elas querem vender a peça, a gente coloca a peça no bazar que promovemos”, contou.

E assim, o projeto viabilizado em São Paulo, recebeu contribuições para que pudesse chegar à Cidade Maravilhosa. Hoje, o Lucid Bag está dentro da Malha, uma importante ferramenta de moda colaborativa que tem alterado significativamente o que se conhece por moda no que diz respeito aos quatro pilares da sustentabilidade: social, humano, econômico e ambiental. E em Goiânia, o guarda-roupa compartilhado está na Casa Mix e Bossa.

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Container do Lucid Bag Guarda-Roupa Compartilhado dentro da Malha no Rio de Janeiro – Foto: Divulgação Luciana Nunes

A grande novidade é que a partir de 2017, o Lucid Bag, além de coletivo, se tornará itinerante. ”Todo mês vamos estar num lugar diferente. Mas sempre em locais ligados a festivais, porque assim a pessoa conhece a peça, pega num dia, usa, e devolve no outro dia. Será um guarda-roupa pop up. Assim as pessoas terão a oportunidade de provar uma experiência diferente, terá a chance de conhecer marcas e o universo do nosso guarda-roupa”, afirmou.

Mais do que uma iniciativa sustentável, o guarda-roupa hoje é uma comunidade. Luciana enfatiza que reconhece o perfil e que em cada uma das três cidades com pontos fixos, há diferença nas peças selecionadas. Experiência que deve servir e muito para o planejamento do projeto itinerante. “O público de São Paulo gosta de coisas mais sóbrias. Já no Rio tem rotatividade de roupas mais estampadas e o pessoal é bem mais ousado nesse sentido. E lá as roupas de frio não tem saída nenhuma. Goiânia é bem parecida com o Rio. O trabalho que a gente faz envolve essa curadoria. Estou muito animada com o projeto que montamos para essa viagem”, completou. Luciana não deu detalhes sobre o roteiro. Mas todos os passos da versão itinerante do guarda-roupa serão divulgados nas redes sociais do Lucid Bag com antecedência.

O Lucid Bag no dia a dia e na prática

A explicação sobre como funciona o Lucid Bag não poderia ser melhor do que vê-lo em funcionamento. Durante o encontro com Luciana Nunes, a entrevista foi de comum acordo interrompida para que ela pudesse atender uma nova adepta da comunidade. Jornalista de moda, Laura Artigas, roteirista e diretora do programa Desengaveta, apresentado por Fernanda Paes Leme, e exibido na GNT era uma das convidadas agendadas para aquela tarde. Luciana pediu permissão e partiu para a curadoria. Nas sacolas de Laura, sapatos, um par de botas, inclusive, sem uso, e peças adquiridas em sua maioria em viagens. “O mais legal é que as pessoas chegam com muitas histórias e a gente repassa essas histórias para quem pega a roupa”, contou Luciana.

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Luciana recebeu a jornalista de moda Laura que levou peças lindas para compartilhar – Foto: Fernanda Reis Sales

O interesse de Laura pelo Lucid Bag surgiu após o Desengaveta gravar reportagem dentro da Malha. “Fiquei interessada porque tinha um monte de roupa parada em casa”, disse entre um comentário e outro sobre suas peças. “Em geral como trabalho com moda, acho que quanto tem design na peça, confesso que guardo coisas de estilistas que são como obra de arte. Mas fora essas, não tenho problemas de me desfazer de roupas não. Até gosto.”

Após avaliar todas as roupas que se juntaria ao acervo com ceca de 300 peças, Luciana explicou que para cada item é atribuído um valor. De R$ 50, para roupas simples, usadas no dia a dia, R$ 150 para peças mais elaboradas, de couro, por exemplo, e R$ 300 para vestidos longos de festa e casacos do tipo sobretudo. Quem faz parte da comunidade entrega suas peças paradas. Suponhamos que o valor da avaliação seja estimada em R$ 1 mil, neste caso a dona das peças tem 50% desse valor (R$ 500) para utilizar no guarda-roupa. E se alguma das peças for para o bazar que acontece no fim do mês, após ser vendida, 20% do valor é entregue a (ex)dona da peça. O prazo para que o crédito adquirido com as próprias peças seja usado é de até três meses. Mas o guarda-roupa funciona também para quem não tem com o que colaborar. É possível alugar as roupas disponíveis nas araras. Para o fim de semana, o aluguel de uma peça simples sai por R$ 30, pegando na sexta para entregar na segunda.

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O Lucid Bag conta também com algumas peças chaves, esse é um macacão Gucci, e segundo Luciana há outras peças especiais como essa disponíveis para serem alugadas, o valor deve ser consultado diretamente com a equipe – Foto: Fernanda Reis Sales

A entrevista com a fundadora do Lucid Bag nos rendeu ainda um encontro com as consultoras de moda, Cris Tarricone e Lu Diniz, do Leve de Vestir. Uma parceria entre elas garante que peças colocadas à venda em um bazar promovido pela dupla de consultoras, não fiquem paradas. Sem contar que a forma de atuação de Cris e Lu inclui passagens por brechós e bazares e foca o consumo consciente. “A gente apresenta esse universo para a nossas clientes. Entregamos ferramentas necessárias para que façam as melhores escolhas”, disse Lu. “Muita gente nos procura porque tem no guarda-roupa muitas peças e não sabe como solucionar. Orientamos sobre como usar o que se tem sem precisar comprar e mostramos que é possível viver com o que já existe dentro do armário”, afirmou Cris.

Segundo Cris e Lu muitas peças retiradas dos guarda-roupas das clientes são direcionadas para um bazar de troca promovido por elas. “Fazemos um bazar de troca de peças. A gente organiza e desde que conhecemos a Lu [Luciana Nunes] e a gente adora ela, e entre um bazar e outro deixamos algumas peças para que continuem circulando até que aconteça um novo bazar”, completou Lu.

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Uma resposta para "Lucid Bag: Guarda-roupa compartilhado viaja pelo Brasil em 2017"

Comunicação na Moda: Que história sua marca tem para contar? — Moda Sem Crise - 23, janeiro 2017 às (18:17)

[…] a trabalhar com o que realmente acreditava, colocou em prática, dois anos atrás, o projeto Lucid Bag Guarda-Roupa Coletivo, que foi notícia aqui no Moda em dezembro. Em paralelo, a jornalista segue atuando como assessora […]

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