Fashion Revolution Brasil publica em português índice de transparência com marcas globais — Moda Sem Crise
28 • novembro • 2017

Fashion Revolution Brasil publica em português índice de transparência com marcas globais


É comum que diante do espelho, já dentro do provador de uma loja de roupas, calçados e/ou acessórios, o consumidor só se preocupe em saber se o produto que está prestes a comprar lhe cai bem e se o valor cabe em seu bolso. Nem sempre o processo de criação e produção de uma peça é levado em consideração no momento de sua escolha. Mas, definitivamente, isso não deveria ser assim. Consumir é um ato político. E procurar saber mais sobre empresas e seus processos de produção e seus impactos sociais e ambientais é uma importante ferramenta com a qual já é possível contar. Isso porque, com os esforços de ONGs como o Fashion Revolution e Repórter Brasil dá para consultar e procurar informações relevantes a respeito de um outro processo das marcas: o processo de transparência que envolve toda a sua cadeia de produção.

Índice de transparência de marcas globais contou com a contribuição de Eloísa Artuso, membro da equipe Brasil – Fotos: Marcelo Soubhia | Agência Fotosite

Entre os dias 21 e 24 de novembro aconteceu em São Paulo a Brasil Eco Fashion Week (BEFW) – 1ª Semana de Moda Brasileira Sustentável. Idealizado por Rafael Morais e Fernanda Simon, o evento que é uma resposta à crescente procura por um mercado de moda engajado a valores humanos, consciente de consumo e preservação ambiental, foi articulado em conjunto com a equipe do Fashion Revolution Brasil.

Uma das primeiras atividades propostas durante a BEFW foi a apresentação do resultado do Fashion Transparency Index – um relatório da ONG inglesa Fashion Revolution lançado em abril de 2017 que analisou quesitos empresariais de produção. Foram avaliadas “política e compromissos”, “rastreabilidade”, “conhecer, comunicar e resolver”, “governança” e “problemas de destaque”. Ao todo, foram abordadas cem marcas globais, entre elas, duas brasileiras: Renner e Pernambucanas. A versão traduzida para o português do Índice de Transparência na Moda já está disponível para download neste link.

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As representantes do movimento Fashion Revolution Brasil, Elisa Tupiná e Gabriela Machado durante exposição e explicação do índice na BEFW – Foto: Marcelo Soubhia | Agência Fotosite

“Esperamos que os seguidores do movimento baixem o relatório e tomem conhecimento do estudo que foi feito. Lendo pelo menos alguns trechos, eles estarão familiarizados com o desempenho das marcas analisadas e os critérios levantados, para que entendam os pontos críticos das cadeias produtivas e possam cobrar as marcas com maior conhecimento. Os números de download nos passarão uma ideia sobre o engajamento do público e nos ajudarão no fortalecimento da iniciativa”, explica Gabriela Machado, jornalista criadora do blog Roupartilhei e integrante da equipe do Fashion Revolution Brasil,

Ainda segundo a jornalista, a equipe brasileira articula a realização do mesmo índice aqui no Brasil. “Há um projeto para que esse ranking seja feito com 40 marcas brasileiras sendo discutido com os apoiadores do movimento aqui no Brasil”, afirma.

A ideia é engajar o consumidor, ONGs, governos, marcas e varejistas em prol de uma moda justa e responsável. “É preciso pressionar marcas para que melhorem seus processos internos. Então, a ideia é que, por exemplo, ONGs e sindicatos trabalhem em parceria fazendo uso desses dados que o índice fornece fazendo campanhas por transparência sobre políticas trabalhistas e uso de materiais mais responsáveis.”

Ao Moda Sem Crise, Gabriela falou com exclusividade a respeito do relatório, sobre a importância de sua adesão e sobre a campanha da ONG Fashion Revolution Brasil que propõe que o consumidor faça parte efetiva no processo de produção das marcas ao cobrá-las por processos transparentes, éticos e responsáveis.

Confira vídeo abaixo:

O movimento Fashion Revolution surgiu em Londres (UK) após o acidente na fábrica da Rana Plaza, em Savar, Bangladesh, que matou 1.138 pessoas e feriu mais de 2,5 mil, em 24 de abril de 2013. Desde então e presente em mais de 90 país, a ONG cobra por transparência nos processos de produção de empresas do universo da moda. A indústria têxtil em todo o mundo, apoiada inclusive pelo consumo desenfreado das últimas décadas, têm devastado o Planeta e vem promovendo o trabalho tantas vezes realizado em condições extremamente precárias.

Você consumidor pode e deve questionar quem faz suas roupas. Aliás, é sobre isso a campanha do Fashion Revolution em todo o mundo. O movimento pede aos consumidores que fotografem as etiquetas de suas roupas, as postem em suas redes sociais e que usando as hashtags #quemfezminhasroupas e #fashionrevolution. Esse é o caminho para que a ONG faça o levantamento do engajamento da ação e para que cobrem um posicionamento das marcas, estimulando melhorias em seus processos internos.

Repórter Brasil: APP Moda Livre

Criado pela Repórter Brasil, organização que tem como objetivo combater o trabalho escravo, o aplicativo Moda Livre é mais uma ferramenta importante para quem busca por informações de transparência na cadeia de produção da indústria da moda brasileira. O aplicativo revela quais são as empresas comprometidas com o combate ao crime e quais já foram flagradas explorando a prática.

O aplicativo conta com quatro indicadores de conduta: políticas; monitoramento; transparência; e histórico. Com base nas respostas do questionário aplicado, as empresas recebem pontuação que as classifica em três categorias de cores verde, amarelo e vermelho, de acordo com as medidas que tomam para combater o trabalho escravo.

A última atualização da plataforma aconteceu em dezembro do ano passado. Das 101 marcas avaliadas, 49 tiveram a pior avaliação. Ou seja, quatro em cada dez empresas sequer se comprometem com o combate ao trabalho escravo.

A ferramenta que já foi considerada pela Organização das Nações Unidas (ONU) como uma referência mundial no combate ao trabalho escravo na indústria de roupas, serve para que você tenha a chance de fazer melhores escolhas, financiando ou não esse tipo de prática. O aplicativo está disponível gratuitamente para iOS e Android.

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