19 • janeiro • 2017

Projeto eXcambo viaja promovendo troca de roupas


MODA – Prática comum entre nossos ancestrais, o sistema de escambo por muito tempo financiou o consumo de gado, sal, açúcar, peças de metal, tecidos, entre outras coisas. Essa forma básica e original de consumir por meio da troca direta de mercadorias, perdeu espaço para o sistema econômico como o conhecemos. No entanto, o fortalecimento da economia criativa tem promovido significativas mudanças em todas as partes. Exemplo disso é o resgate desse modelo de negócio, aqui mesmo no Brasil, que envolve a troca de bens como acontecia centenas de anos atrás. Ideia inclusive que está revolucionando a vida de duas jovens moradoras Santos, Litoral paulista, Aline Vieira e Laís Pennas criadoras do projeto eXcambo.

Essa não é a primeira vez que o Moda Sem Crise fala sobre esse tipo de movimento. Em dezembro falamos a respeito do Projeto Gaveta, outra iniciativa que fomenta o sistema de troca. Mais uma prova de que essa é sim uma grande e valorosa tendência fashion no Brasil.

Se de início o objetivo das santistas era promover uma troca de roupas entre amigas – o que segundo elas nunca aconteceu – a preocupação com o meio ambiente e a natureza, aliada a paixão de ambas pela moda, fez com que a dupla tomasse a decisão de apostar de vez suas fichas em um evento de escambo aberto ao público. A ideia era inserir essa alternativa ao tradicional modelo de consumo de moda e ver como as pessoas reagiriam a isso. “Sempre fomos as “eco” da turma. Nas faculdades de Engenharia Têxtil [cursada por Laís] e Desenho Industrial [cursada por Aline], aprendemos tudo de uma forma bem massificada. Sempre ficamos com essa vontade de criar algo que acreditássemos de coração”, conta Aline. “Desde que começou a se falar muito em moda e sustentabilidade, nós descobrimos um mundo novo, começamos a estudar e nos aprofundar em tudo isso que já era nosso interesse”, completa Laís.

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Projeto promove a troca de roupas em Santos e São Paulo no Estado paulista e no Rio de Janeiro RJ) – Foto: eXcambo

O resultado da parceria das amigas tem atraído pessoas que compartilham dos mesmos valores e tem servido também para despertar o interesse em que percebe a responsabilidade que é consumir o que quer que seja e quem entende ou está disposto a entender o poder de escolha que tem nas mãos como consumidor. “Em um mundo de relações superficiais e vazias, queremos buscar e oferecer um resgate ao sentido por trás do consumir moda. Queremos oferecer autenticidade, percepção do valor e conexões emocionais do consumidor com o produto de moda. Queremos alcançar, auxiliar e incentivar quem esteja disposto a consumir menos, a buscar alternativas e a viver apenas com o necessário”, argumenta Aline.

Os encontros promovidos por elas ocorrem em média duas vezes por mês, sempre aos finais de semana, e a agenda é itinerante. Por enquanto o eXcambo passou por Santos e São Paulo (SP) e pelo Rio de Janeiro (RJ). O que faz com que o conceito seja amplificado e a experiência tanto para as criadoras do evento, quanto para quem participa do escambo também. “O público tem surpreendido muito. É incrível ver a relação que o consumidor cria com a peça de roupa. O mais gratificante é quando vemos a troca acontecendo. Costuma comentar ‘no meu armário estava parado há anos, que bom que ela adorou e vai usar’. No começo o pessoal fica achando que não vai encontrar nada legal, de repente, vira uma loucura, todo mundo querendo parar de consumir o novo e aproveitar o máximo do escambo”, explica Laís.

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Troca de roupas durante o Encontro de Criadores, na Cadeia Velha no centro histórico de Santos – Foto: eXcambo

O processo todo de troca de roupas não envolve grandes complicações. As peças separadas e sem uso são entregues para a equipe do eXcambo antes ou no dia do evento viram moeda de troca para a aquisição de outras peças – sendo que na coleta antecipada é ilimitado o número de peças, já no dia do evento só são recebidas dez peças por pessoa. E as vantagens de participar dessa forma de consumo são muitas. Adquirir um produto que era de uma outra pessoa e que estava encostado dentro de um armário colabora para a diminuição do consumo, a produção, o uso de recursos, a necessidade de mão de obra exploratória e a geração de lixo do planeta.

“Estamos prolongando a vida útil daquele produto; estamos movimentando a energia na vida do antigo dono, pois qualquer coisa que mantemos parada impede a energia de circular; estamos adquirindo para nós uma peça que já vem cheia de memórias, de amor, de carinho; estamos criando uma relação com pessoas, partilhando não só roupas, mas propósitos, histórias, sorrisos e muita boa energia.” Para a dupla, ainda que o impacto promovido pelo eXcambo seja pequeno, principalmente, se comparado com impactos negativos que a cadeia têxtil e de confecções causam ao planeta, estender a vida de um produto que seria jogado no lixo e evitar a compra de uma peça substitutiva e nova é uma verdadeira conquista. “Mas muito além disso, acreditamos nas mudanças de paradigma que estão acontecendo: a reflexão, a tomada de consciência e a auto responsabilidade. Diversas questões que estão sendo despertadas nos colaboradores do eXcambo”, completam. Os próximos eventos acontecem nas cidades de Santos (SP) e Rio de Janeiro (RJ).

ACONTECE

28/01 – Esquenta Fashion Revolution Day – das 11h as 17h
Museu de Arte do Rio – Praça Mauá, 5 – Centro – Rio de Janeiro – RJ

Outras informações no site do eXcambo.

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3 Respostas para "Projeto eXcambo viaja promovendo troca de roupas"

Andrielle - 27, fevereiro 2017 às (19:52)

Que interessante…
Elas podiam criar um site onde as trocas acontecem online 😉

Responder


Marcela Fonseca Marcela Fonseca - fevereiro 28th, 2017 em 2:38 pm respondeu:

Sim… É um estilo de consumo super interessante. Há outras iniciativas aqui em São Paulo. Roupateca, Trocaria, o projeto Gaveta… Vale a pena conhecer. Aqui mesmo no Moda já falamos de outras dessas alternativas. Beijooos

Responder

'Tinder da moda' aplicativo Roupa Livre é opção de 'match' — Moda Sem Crise - 06, março 2017 às (02:12)

[…] nos eixos sul e sudeste do país. Já falamos aqui, só para citar dois exemplos, do eXcambo e Projeto Gaveta. Navegar na contramão de uma indústria que por ano garante a venda de 80 […]

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