02 • março • 2016

Economia Criativa: uma aliada tendência de moda


Economia Criativa. Você sabe o que é isso? O termo é relativamente novo* e diz respeito a um modelo de negócio, um tipo de gestão em que dois dos principais aspectos são: a criatividade e o capital intelectual com foco na sustentabilidade. O setor da moda tem não só compreendido, mas incorporado esse conceito ao processo de criação e produção de produtos e marcas.

Eu queria muito saber mais sobre isso, então, quinta-feira passada (25/02) fui recebida pelo pessoal do Lab Fashion, um coworking destinado a profissionais de moda e projeto social, que vivencia e incentiva essa prática aqui em São Paulo. Eu já havia estado em outros ambientes assim compartilhados como repórter e como usuária, mas nunca em algo totalmente exclusivo para um segmento.

Também nunca tinha estado com um estilista profissional antes. E lá tive a oportunidade de conhecer a jovem Bethina Oger. Prestes a completar 23 anos (o aniversário dela é amanhã), Bethina dá os primeiros passos rumo a construção de uma carreira pela qual se apaixonou quando criança em São José do Rio Preto (Interior de São Paulo). Para cursar a faculdade, foi preciso se mudar de vez para a Capital paulista. Formada há um ano e meio, após deixar o emprego como assistente de estilo em uma fábrica em meados de 2015, a estilista e modelista encontrou o que precisava no Lab. Não demorou para que alugasse uma das salas do espaço onde agora trabalha e dá aulas** de moulagem. Nossa conversa foi longa. Falamos entre tantas coisas sobre cultura de mercado, sobre o preços e valorização na área da moda.

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“Aqui é como ter meu negócio próprio, posso receber a cliente, dar aulas, tenho amparo para todo o meu negócio” disse a estilista e modelista Bethina Oger sobre o Lab Fashion, coworking onde trabalha (Foto: Marcela Fonseca)

Sobre o seu trabalho, Bethina me explicou que suas peças são confeccionas com tecidos que conseguiu em um outro projeto bacana, um banco de tecidos orientada pelo pessoal do Lab. Para conseguir novas tramas, ela trocou o que tinha dos tempos da faculdade. O que colabora para que possa cobrar preços acessíveis pelo que produz e vende. “Percebo que as pessoas preferem comprar algo que já conhecem a escolher algo de um profissional novo. E outra coisa que sinto é que as pessoas acham que só o que é caro é bom. Muitas vezes quando falo o preço que dou as minhas roupas me perguntam como pode ser só isso. Cobro o que acho que é justo. Não é preciso ser caro para ser bem feito”, disse.

Embora jovem, a estilista e modelista está fazendo Mestrado. O tema abordado que pretende defender será uma analogia entre a sociedade, a moda e o corpo. “Por que o corpo tem que se modificar para englobar a moda? E não a moda se englobar ao corpo?”, indagou Bethina que disse ainda “a moda é muita coisa e está em todas as coisas”. Concordo quando ela diz que é inclusão social e que não aceitar o modo do outro vestir-se está completamente fora de moda. “Quero incluir, quero que todos possam se sentir bonitos, belo naquilo que é. Sei que é um caminho longo porque as pessoas não aceitam algo diferente, mas vale mostrar que o diferente, o novo nem sempre é ruim”, afirmou. O objetivo de Bethina agora é dar aulas de moulagem lá mesmo no Lab Fashion. E partir para a venda online das peças que confecciona.

Pouco depois de conversarmos, Bethina mostrou como funciona sua própria técnica de moulage que não inclui moldes e mexe com o improviso e a criatividade. Com um pedaço de tecido preto, ela alfinetou e ajustou o tecido no manequim para depois levá-lo para as máquinas (reta e overloque). Sua criação, para a minha surpresa, era um presente pra mim. Já disse, mas volto a dizer: Bethina, amei, amei, amei. Me senti tão incrível com aquela peça que agora para mim tem um valor inestimável pelo carinho com a qual a produziu!!! E fica aqui também meus votos de um super aniversário e sucesso na realização de seus projetos!!!

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Você também pode adquirir as peças produzidas pela Bethina. A estilista trabalha sob encomenda, mas em breve deve também ampliar as vendas em suas redes sociais Facebook e Instagram (Fotos: Marcela Fonseca)

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“A moda é muita coisa. A moda está em tudo. Ela influencia no corpo, na sociedade. Ela inclui, mas pode ser também muito má. É preciso saber onde quer chegar” – Bethina Oger

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Daí a pessoa sai da pauta vestida com o presente, passa por um espelho e ainda faz foto. Me sentindo incrível neste look, admito!!!

LAB FASHION – Também tive a chance de conhecer os sócios proprietários do Lab Fashion, Fábio Uehara e Diogo Hayashi. A amizade teve início nos tempos de faculdade. E a ideia de um de ter um coworking e do outro de abrir um negócio de moda os uniu. Iniciativas de Barcelona (Espanha) e pesquisas por referências localizadas em Nova York (EUA), Londres (UK) e Berlim (Alemanha) serviram como inspiração para os sócios.

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Fábio Uehara (de camisa xadrez) e Diogo Hayashi (de camiseta polo) fundadores do Lab Fashion (Foto: Divulgação)

Para o Fábio as pessoas estão cada vez mais repensando o modelo de produção e comercialização. “Hoje as pessoas saem das escolas de moda com os pés no chão, sabem da dificuldade e que a grande indústria é predatória em termos de matéria-prima e mão de obra”, disse. Com esse novo modelo de carreira, Fábio explicou que no Brasil iniciativas criativas e econômicas estão pipocando. “Além de se conscientizarem as pessoas estão sentido na pele a falta de oportunidade de emprego. E esse é um ambiente com modelo horizontal e criativo, de modo que, acaba sendo a melhor opção”, afirmou.

Outra coisa que considero muito bacana é que esse espaço colaborativo é gerador de relações em rede. Segundo o Diogo, há mesmo uma tendência de compartilhamento de espaço, que concilia o contato com outros profissionais, além de economia. “É uma economia muito boa de recursos, calculamos que é cerca de 88% mais barato para o profissional em relação ao investimento de montar e manter um espaço”, explicou.

O Lab Fashion fica ali na região da Consolação. E conta com estrutura completa para o profissional de moda. Tem espaço para quem pretende ensinar, criar, produzir e até fotografar. O coworking também abre as portas para eventos, cursos, workshops e palestras. E isso também é muito legal!!!

*De acordo com a Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) a indústria criativa no Brasil tem pouco mais de dez anos.

**As inscrições para o curso oferecido pela Bethina estão abertas. Você pode fazer contato por meio da página da estilista, linkada quando menciono pela primeira vez o nome dela 🙂

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Você conhece o Banco de Tecido? — Moda Sem Crise - 27, outubro 2016 às (11:09)

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