20 • novembro • 2016

E 27 miomas uterinos depois posso escolher se quero ser mãe


CAUSE MARIA – Nunca fui uma pessoa que se dedicou a exames preventivos ou a visitas constantes a médicos. Por ter iniciado a vida sexual bem tarde, também tive poucas passagens por ginecologista, sempre com exames básicos como o papanicolau, mas nada além disso. Sentia cólicas menstruais, mas também nunca me preocupei em investigá-las. Um remedinho resolvia e estava tudo certo.

Aos 32 anos, comecei a sentir dores estranhas no abdômen e também na parte de baixo das costas. Como já tive histórico de gastrite e pedras nos rins, fiquei em dúvida do que poderia ser.

Meu sogro, que é médico, pediu um ultrassom para investigar as possibilidades.

Na data e horários marcados, fui ao hospital para realizar o exame. Durante o procedimento o ultrassonografista me olhou e disse: “Nossa, você está com miomas. Precisa marcar uma consulta com um ginecologista, porque são alguns, viu?”

Naquele momento, eu não fazia ideia o que aquilo significava, só lembro que senti muito medo. Saí de lá assustada pela forma como ele me deu a notícia. Liguei para a minha mãe e contei sobre. Ela ficou em silêncio por um tempo. Em seguida disse: “Se tem, vamos cuidar, né?” No dia também liguei para a minha amiga Alessandra e para o meu namorado Marcelo. Mas não falamos tanto a respeito, só choramos.

Com o resultado em mãos, fui até a casa do meu sogro, que o havia solicitado. Ele não gostou muito do que leu. Foi enfático em dizer que o caso era cirúrgico, mas íamos tentar resolver de outras formas. Mas parecia desanimado, o que me desesperava ainda mais.

Durante um ano de tratamento, passei por diversas situações, como tratamentos hormonais malsucedidos com anticoncepcionais, exames doloridos, sangramentos, visitas constantes a diferentes médicos, e questionamentos pelos quais nunca havia passado, como a possibilidade de perder o útero e não poder ser mãe. Nunca havia pensado em ser, mas também numa havia pensado em não ser.

Estava triste e confusa. Fazia diversas pesquisas na internet. Encontrava casos parecidos com o meu, casos diferentes. Finais felizes e outros nem tão felizes. Queria muitas coisas. Não queria cirurgia. Tinha medo. Fiz promessas. A cada exame, esperava que ele tivessem desaparecido, mas eles estavam lá. E com cada vez maior possibilidade de perder o útero na cirurgia. “Você queria ter filhos?”. A pergunta a cada médico novo que eu passava.

Após passar por muitos consultórios, por intermédio do meu sogro, conheci a doutora Elaine di Célio, especialista em saúde da mulher. Rapidamente liguei e marquei uma consulta.

Fui até com a minha mãe, que aliás esteve presente em todas as consultas e exames, desde o começo. Ao olhar os exames, a dra. Elaine também constatou que o caso era cirúrgico. “Você quer ser mãe?” Novamente a pergunta. “Farei tudo pra que você tenha escolha“.

Marquei a cirurgia para dali a um mês. Dia 14 de setembro. No dia, estavam comigo minha mãe, meu namorado e a Alessandra. Ah, e o medo, que nunca me largou.

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Foto: Pixabay

Procedimento cirúrgico longo, perda excessiva de sangue, retirada de 27 miomas. Útero intacto. Realmente ela fez de tudo para que eu tivesse escolha.

A recuperação foi longa, por causa da perda de sangue. Mas foi tranquila.

Minha mãe me disse que havia feito pedido por mim no grupo de oração do qual ela faz parte. Convidei todo o grupo para virem até minha casa para fazermos juntas uma oração de agradecimento. Ela também havia feito uma promessa de que eu iria a Aparecida – Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, localizado no norte do Estado paulista -, assim que eu estivesse saudável. E fomos.

Vivo em sinal de alerta. O tratamento é constante, com visitas anuais ao consultório da dra. Elaine. E com grandes possibilidades que os miomas retornem, pois tenho predisposição a eles.

Depois do que passei, descobri que era algo muito comum. Conheci e conheço muitas mulheres próximas a mim com o mesmo problema. Também descobri que o quanto antes forem descobertos e tratados, melhor.

Sinto- me até agora, vitoriosa por ter me livrado de 27 miomas sem ter perdido o útero e agradeço à dra. Elaine pelo empenho em retirá-los minuciosamente para me dar a possibilidade de mais uma escolha na minha vida. Sim, eu tenho essa escolha!

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Foto: Pixabay




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Uma resposta para "E 27 miomas uterinos depois posso escolher se quero ser mãe"

Trinta e sete anos sem crise — Moda Sem Crise - 04, abril 2017 às (11:32)

[…] refletir por um tempo sobre ela foi a minha luta contra os meus miomas uterinos, que conto aqui em outro texto dessa coluna. Nessa época, houve uma grande possibilidade de perda do meu útero, da possibilidade de ser mãe […]

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