Aquela sensualidade que não está só no corpo — Moda Sem Crise
07 • março • 2017

Aquela sensualidade que não está só no corpo


CAUSE MARIA – Quando comecei a pensar em um tema para tratar nessa coluna, como sempre faço, resolvi buscar entre as coisas ao meu redor e, mais uma vez, esbarrei no assunto sensualidade. Como disse em outro texto da Cause Maria, demorei muito a encontrar e aceitar a minha sensualidade, porém este tema é algo que sempre apreciei. Gosto de observar as pessoas nas suas várias maneiras de serem sensuais, e muitas delas naturalmente.

Gosto de corpos sensuais e seria hipócrita em dizer que corpos sarados e bem delineados não chamam minha atenção. Gosto de vê-los e me sinto atraída. Mas valorizo também, e muito, outro tipo de sensualidade, aquela que não está só no corpo ou no formato dele.

Um jeito de olhar, um jeito de sorrir, um jeito de falar, de se vestir, de piscar os olhos, de caminhar, de se impor. Esse tipo de sensualidade me chama muita atenção. Sempre fui muito fã de mulheres seguras e poderosas. Fico fascinada quando as vejo desenvoltas, falando seguramente, caminhando seguramente e dirigindo-se com seus olhares intimidadores. Fico realmente deslumbrada.

Entre minhas amigas, faço observações constantes. Amo fotografia, e sempre que acho algo sensual em alguém, já penso em fotografar e ressaltar aquilo e já consegui fazer isso com muitas delas. Mas o que acho curioso em tudo isso é que para muitas dessas mulheres, a sensualidade esta sim em ter um corpo perfeito, ou legal dentro de alguns padrões, nos quais algumas não se encaixam.

Há uns dez anos conheci Andréa. Sabe aquele tipo de mulher que a gente admira? Andréa fala bem, talvez por ser professora, tem uma desenvoltura incrível, fala sobre qualquer assunto em um ótimo tom de voz, sorri de forma convidativa e olha nos olhos. Logo achei incrível. E comecei, como já é meu costume, em todos os aspectos a usar isso como aprendizado, pois aí, identifiquei as características do que considero uma mulher poderosa.

Nunca havia dito isso a ela, mas como fazemos parte da mesma turma, somos sócias em um negócio de produtos eróticos e estamos quase sempre próximas, pude muitas vezes observar e aprender algo, que também me ajudasse a desenvolver esse meu lado. E como não podia deixar de ser, pensava fotograficamente.

Sempre quando eu a olhava e via seu jeito, pensava: Nossa, imagina a Andréa em um ensaio sensual. Em um momento, decidi fazer a proposta e ela prontamente disse que sim. Fiquei feliz e logo pensei em toda a produção. Conversamos e eu disse o quanto eu tinha vontade de capturar a sua sensualidade e de quanto a achava sensual, ela, ficou extremamente surpresa e me disse que jamais se viu assim e que pensava totalmente o contrário. Contou-me que por ser gorda e estar acima do peso, tinha muita insegurança, o que aumentou após ter um bebê.

Ter um ótimo casamento, com um homem com o qual está sempre em diálogo a ajudou e ajuda muito, mas não perdia a insegurança de não estar dentro de um padrão de uma mulher bonita e talvez desejável. Que ela se acha acima do peso eu já sabia, mas nunca achei que de alguma forma isso fosse um fator de insegurança para ela. Inclusive eu achava o máximo não ser, pois ela mantinha toda aquelas características que ressaltei anteriormente.

Nesse dia, quem ficou surpresa fui eu. Posso dizer em brincadeira que “meu mundo caiu”. Pensei: Como assim? Logo um dos meus exemplos de mulher poderosa e sensual me contar que é uma mulher também frágil e insegura?

Realizamos o ensaio, e ela se viu sensual, viu como seu corpo como ele é a manteve como eu sempre a vi. O marido que estava presente, apenas com o olhar parecia concordar com tudo o que eu pensava. Eu não estava errada.

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Andréa no ensaio que eu tive o prazer de participar – Foto: Elaine Paiva

Isso tudo me fez refletir o quanto ainda estamos presos ao padrão do que é bonito, do que é legal, do que é aceitável e muitas vezes não enxergamos o que só nós temos e da maneira que só nós temos. E é pesado como o que nos impõe ou o que achamos que impõe, nos impede de oferecer e fecha nossos olhos para o que temos de bom em nós.

Mais uma vez, ela me ensinou algo, assim como muitas amigas minhas, Andréa só é um exemplo de que a vezes invertemos valores. Você não pode ser sensual porque é baixinha, você não pode ser bonita porque é gorda, você não pode ser delicada porque é grande… Podemos provar que podemos ser o que quisermos se nos observarmos, nos conhecermos melhor e, claro, se aceitarmos o que temos.

Na semana do Dia Internacional da Mulher e no mês que retomamos nossa campanha #soulindaassim, acho que esse é um texto que vem bem a calhar, pois a sensualidade é algo que ainda deixa muita mulher descontente com sua imagem ou ainda que as preocupam em relação ao julgamento alheio.

Deixo-o como um convite a cada uma para aflorar sua sensualidade e despertar coisas que tenham ocultado em si por motivos que consideram fora dos padrões. Vamos, meninas?

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