BEFW: Nada de moda pela moda, evento surge para atender mercado engajado e de valor intangível — Moda Sem Crise
21 • novembro • 2017

BEFW: Nada de moda pela moda, evento surge para atender mercado engajado e de valor intangível


A cidade de São Paulo está prestes a sediar e testemunhar um momento que tem tudo para ser um marco na história deste país. A primeira semana dedicada exclusivamente à moda brasileira pautada pela sustentabilidade – a Brasil Eco Fashion Week (BEFW) – acontece entre os dias 21 e 24 de novembro, no Unibes Cultural, no Sumaré, zona oeste. A BEFW é uma resposta à crescente demanda contemporânea por um mercado de moda engajado a valores humanos, consciente de consumo e preservação ambiental. A programação aberta e gratuita é extensa e multidisciplinar. Mas, mais do que promover desfiles, o objetivo é ir além da moda pela moda para sensibilizar, inspirar e fomentar um claro e profundo debate sobre a urgência de práticas éticas e responsáveis.

A iniciativa é inspirada em um evento que surgiu em 2010 no Canadá, a Eco Fashion Week – organização sem fins lucrativos que propõe apresentar soluções e inovações trabalhando para desenvolver uma indústria de moda responsável. Em 11 edições, a plataforma envolveu mais de 150 estilistas de diferentes partes do mundo. A versão brasileira do evento vem sendo articulada pela equipe do movimento Fashion Revolution Brasil (FRB) e conta com uma série de parceiros, apoiadores e empreendedores convidados engajados com a temática. “São diversos profissionais mobilizados pela causa, formando uma corrente e acreditando na importância deste encontro”, comenta Fernanda Simon, co-idealizadora do BEFW e coordenadora nacional do FRB.

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Canadá 2016: Desfile da Value Village durante a Eco Fashion Week – Foto: Peter Hensen

A programação tem início na terça-feira, dia 21, ocasião em que acontece a abertura da Mostra de Novos Designers, apenas para convidados. Já nos dias 22 e 23, das 11h às 21h, e 24, a partir das 10h, o evento fica aberto para a sociedade interessada em acompanhar talks, oficinas, palestras, desfiles de 13 marcas, showroom com 38 marcas, a mostra, exibição de filme e Espaço Lab.

“Antes de ser um evento de moda, estamos falando de uma renovação de consciência e ação. Esse evento é fruto de uma construção de um novo paradigma cultural. E o consumo reflete bem quem somos como pessoa, como nação. O Brasil é um país jovem, temos pessoas dispostas e muito para fazer, evoluir e trabalhar para melhorias reais em todas as áreas”, afirma a diretora de produção do FRB, Ana Sudano que explica ainda a relevância da mostra que vai reunir roupas, acessórios, calçados, têxteis, figurino, fotos e vídeos desenvolvidos por estudantes de todo o país. São trabalhos oriundos de São Paulo (SP), Belo Horizonte (MG), Porto Alegre e Bento Gonçalves (RS), Florianópolis (SC), Londrina e Maringá (PR) e Fortaleza (CE). “A equipe educacional do FRB é bem estruturada e atenta aos temas que rolam na academia. Temos várias professoras e pesquisadoras na equipe espalhadas por todo o país. A mostra surge para fomentar esse tipo de conteúdo e dar visibilidade a quem já está pesquisando e inovando”, explica. O edital foi aberto para interessados em todo o território nacional. Mais de 60 Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC) foram inscritos. Destes, 15 foram selecionados e fazem parte da mostra.

Espaço Lab: Tecnologia e Inovação para a Moda Sustentável

Diretora de comunicação do Fashion Revolution Brasil, a estilista Marina de Luca, fundadora do Moda Limpa diz acreditar que a moda sustentável cada vez mais se afasta da condição de nicho, ao ser mencionada por grandes veículos de imprensa e ao ser praticada por grandes, médias e pequenas empresas.

“Acreditamos que ter uma semana de moda focada na sustentabilidade e ética é um evento que marca o calendário anual do Brasil. Assim a visibilidade do tema será bem maior. Essa é a primeira edição e estamos muito animados para as próximas que vem por aí. Como toda primeira edição, estamos produzindo com o mínimo de custo possível e o máximo de empenho para que o evento possa crescer e ganhar visibilidade, patrocinadores e apoiadores. Além disso, acreditamos que todos os participantes dessa primeira edição estão fazendo trabalhos transformadores e que merecem visibilidade no Brasil e no mundo. Esse evento tem sido promovido com muita dedicação e amor por cada um dos participantes e acredito que isso já é a melhor maneira de colaborar para que a moda na qual estamos apostando deixe de ser nicho e se torne absolutamente normal aqui no Brasil. Como nenhuma mudança acontece da noite para o dia, acreditamos que já estamos vivendo um período de transformação da moda”, afirma.

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Eco Fashion Week – Foto: Reprodução Google Imagens

Aliás, outra iniciativa dentro da Brasil Eco Fashion Week que deve dar o que falar é justamente o Espaço Lab de Tecnologia e Inovação para a Moda e Sustentabilidade. A articulação tem sido promovida pela plataforma Moda Limpa – uma agência de colaborativa de moda -, em parceria com a disciplina FIS (Formação Integrada para a Sustentabilidade), coordenada pelo GVces (Centro de Estudos em Sustentabilidade) da Fundação Getúlio Vargas.

Marina explica que o espaço é um hub conector de pessoas, ideias, iniciativas e tendências que fazem a moda se reinventar e ser mais sustentável. O objetivo é reunir fornecedores, protótipos e inovações desta indústria, ressaltando a importância da tecnologia e gestão de processos ligados à sustentabilidade no país. Além de chamar a atenção para os efeitos e impactos devastadores da moda. “Queremos juntar pessoas, ideias e projetos e incentivar as conexões offline para ver crescerem os novos caminhos da moda.”

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Lembre-se disso: Porque não existe Planeta B “O que você pode mudar hoje?” – Foto: Reprodução Facebook Moda Limpa

Pano Social (empresa que contrata ex-detentos e produz roupas de algodão orgânico e tingimento natural); Vuelistas (marca de roupas que produz sob demanda após a venda de lotes, usando resíduos de nylon de guarda-chuvas); Alinha (negócio social focado na melhoria das condições de trabalho e de vida de costureiros e costureiras); Design Possível (associação de coletivos de economia solidária de impacto social e ambiental); Boomera (que transforma resíduos em matéria-prima para produtos com tecnologia de ponto, pesquisa e inovação); Roupa Livre (estúdio criativo que desenvolve soluções para um mundo que já tem roupas demais, incluindo o APP de troca); Flávia Aranha (marca de peças roupas sustentáveis que conta com tecnologia que permite que o consumidor saiba quem está por trás de toda sua produção); Vert (exposição de extração de látex de seringueiras da Amazônia brasileira para substituir borrachas de petróleo para calçados), estão entre os projetos que ocupam o Espaço Lab. Há outras iniciativas, todas tão interessante quanto.

Experiências para confrontar visitantes e fazer refletir

Quem for à Brasil Eco Fashion Week terá a chance de se relacionar pessoalmente com o universo da moda sustentável. Entre as experiências propostas pelo evento, está a atividade “Descubra-se” que acontece dia 23, às 16h, e coloca em prática uma intervenção onde cada participante é desafiado a refletir sobre a sua identidade e estilo respondendo à pergunta “Quem é você?”, usando apenas roupas. A atividade é realizada pelo Desguarda Roupa, negócio de consumo responsável com o propósito de ressignificar a visão e relação com a roupa.

“Já realizamos [a intervenção Descubra-se] no Sesc Taubaté [cidade do Interior paulista], no Vão do Masp [Museu de Arte de São Paulo], na Fashion Revolution Week, entre outros. Nós colocamos uma arara com peças de roupas de diferentes estilos e um manequim. Pedimos a cada participante para escolher um look para vestir o manequim respondendo a pergunta. E a partir de cada look, levantamos questionamentos, dados e conversas sobre o consumo das roupas”, explica Bruna Castro. “A ideia é aproximar a moda sustentável à realidade das pessoas e apresentar alternativas, mostrar que consumir com responsabilidade não é tão fácil quanto parece. Estamos bem animadas e ansiosas com essa participação, ainda mais porque a procura tem sido alta. Esperamos contribuir para a conscientização a respeito do consumo e de uma moda mais humana e ética”, completa Nadia Mello.

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Nadia Mello e Bruna Castro durante ação no Vão Livre do MASP, em São Paulo – Foto: Reprodução do Facebook Desguarda Roupa

Para as criadoras do Desguarda Roupa, a moda sustentável no Brasil ainda é realidade para poucos e distantes umas das outras, as iniciativas focadas neste conceito acabam trabalhando de maneira mais isolada. “Daí a importância do BEFW que vai unir quem trabalha para essa causa, dando força e ampliando este movimento. E também é uma oportunidade de mostrar para as pessoas porque precisamos repensar a moda e sua produção. Isso é um passo, talvez o maior que podemos dar no momento, para este caminho do destaque”, diz Bruna.

“Em um bate-papo que participamos, uma mulher ficou chocada com os dados que levamos sobre os impactos da indústria e que são falados há uns dois, três anos por todos que trabalham por uma moda mais sustentável. Ela ainda nos contou que achava que ‘essa história de moda sustentável era apenas uma modinha’. Ela não entendia a importância. Porque, realmente, para quem não faz parte deste universo, a moda é muito distante e é difícil perceber e relacionar o que acontece, por exemplo, na plantação de algodão, com a roupa que está vestindo”, relembra Nádia que afirma ainda que a BEFW contribuirá para ampliar a voz e o alcance do diálogo sobre a moda sustentável no país.

Roda de conversa que aborda o papel da comunicação na moda sustentável terá a participação do Moda Sem Crise

Para encerrar a programação que discute a moda sustentável durante a Brasil Eco Fashion Week, dia 24 de novembro, às 17h acontece a roda de conversa: Moda Sustentável e Comunicação. A mediação fica por conta da jornalista Suzana Moura, do Ainda Uso. Participam da conversa a estilista, modelista e costureira Ana Carolina Botelho Pires, sócia-proprietária da Ludi.kids e da Ludi.slowfashiom. A redatora publicitária Carol Marçal idealizadora e editora de conteúdo do canal feminino Taco de Mulher. A estilista Thais Faria fundadora da plataforma de ensino e informação sobre reuso, customização e upcycling, 2º andar – Roupa Refeita. A antropóloga, Carol Delgado, coordenadora do Puxadinho, um lab de experimentações antropológicas com foco na instrumentalização e de democratização da produção simbólica. E a jornalista Marcela Fonseca, fundadora e diretora geral do Moda Sem Crise, plataforma online e offline pautada por moda, beleza e comportamento e empreendedorismo com viés ético e responsável.

O Ainda Uso é um canal de moda e comportamento consciente que abre espaço para pequenas marcas e estilistas para que mostrem o seu trabalho e que chama a atenção para o tema com matérias sobre essa indústria.

“O objetivo do bate-papo é levantar a discussão sobre a participação dos profissionais de comunicação e a mídia para o assunto. Discutir sobre o tema é muito importante, pois, como profissional da área de comunicação preciso passar a informação correta para esse consumidor. Mostrar os benefícios da sustentabilidade na moda, contar realmente uma história. Ir desde a concepção de uma peça, quem faz, mostrar que grandes marcas já estão entrando nesse nicho e que pequenas marcas já fazem um trabalho incrível, sem perder a beleza e com acabamento impecável. A ideia é levantar um debate sobre como a moda sustentável pode ter espaço e destaque nas grandes mídias. E um evento desse porte, nos dá força e estímulo para seguir em frente mesmo diante de tantas dificuldades que o segmento sustentável ainda enfrenta”, completa Suzana.

Serviço

Brasil Eco Fashion Week

Local: Unibes Cultural – Rua Oscar Freire, número 2500, ao lado da estação Sumaré da Linha Verde do Metrô

Dia 21, a partir das 19h, para convidados; Dias 22 e 23, das 11h às 21h; Dia 24, a partir das 10h.

Entrada gratuita. Há atividades nas quais é preciso fazer inscrição prévia.

Outras informações e a programação completa: BEFW

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