Aprendendo e empreendendo: Como foi participar da 1ª Semana de Moda Sustentável do Brasil — Moda Sem Crise
01 • dezembro • 2017

Aprendendo e empreendendo: Como foi participar da 1ª Semana de Moda Sustentável do Brasil


Entre os dias 21 a 24 de novembro, aconteceu em São Paulo, um evento que já ficou marcado na história, e que espero, fazer parte mais vezes, claro. Falo da Brasil Eco Fashion Week – 1ª Semana Brasileira de Moda Sustentável, que além dos desfiles, trouxe exposições, workshops, palestras e o showroom de marcas sustentáveis no qual eu participei como expositora com a minha amada Rabble shoes. E é sobre essa experiência que quero contar. Mostrar por meio do meu olhar de expositora como foi estar lá. Quero compartilhar um pouco com vocês a importância que o evento teve para a marca e para mim, em termos de visibilidade, de trocas de experiências, enfim, contar tudo pra vocês, assim como contei a experiência para os meus familiares e amigos.

Primeiro fiquei muito feliz quando recebi a notícia de que participaria do showroom, onde grandes marcas também estariam expondo. Eu pensei: Gente, sério? Eu e a marca tal, no mesmo espaço? Que demais!
Eu sabia que tinha sido escolhida entre tantas marcas inscritas, em uma semana importantíssima, que daqui algum tempo, tenho certeza que terá a mesma relevância como a São Paulo Fashion Week tradicional que conhecemos – mesma relevância que digo, pra mídia, pra maior parte das pessoas, que ainda não se apegam tanto nas questões de sustentabilidade e ética – mas em termos de contribuição para a moda e para a sociedade, tem muito mais relevância, pois se trata de algo com propósito, princípios e ideais que levam em consideração a cadeia produtiva, o meio ambiente. Na verdade espero que tenha muito mais relevância que a SPFW. Mas então, eu sabia que estava fazendo parte de um evento importantíssimo, e me senti privilegiada!

Recebi a confirmação no dia 04 de outubro e tive. E tive um mês e duas semanas para produzir modelos novos, mas como eu tinha encomendas que precisavam ter seu prazo cumprido, acabei iniciando a produção para a BEFW na última semana de outubro.

Foto: Arquivo Pessoal

Sempre trabalho com poucos modelos a pronta entrega, geralmente tenho apenas algumas numerações prontas e as demais faço sob encomenda, e sempre sozinha, modelo, corto, costuro e monto, cuido de todo o processo do início ao fim, e foi assim que comecei a produção das sandálias que levaria para a BEFW, mas é claro que com o tempo acirrado, e o prazo cada vez mais apertado, aquela sensação de borboleta no estomago e angústia, foi só aumentando, imagina participar de um evento como esse, com pouquíssimas peças, eu tava tendo um treco no coração.

Até que minha mais nova amiga Luiza Mello, que conheci no Senai, no curso de produção de calçados, apareceu na minha vida por um outro motivo, no qual eu a ajudei com algumas questões de sua própria marca, e em retribuição, acabou me ajudando com a produção de alguns modelos. Parece que tem pessoas que aparecem na hora certa em suas vidas né? (Risos). Sendo assim, uma semana antes da feira, consegui fazer alguns modelos a mais, que super enriqueceram meu stand, graças a colaboração dela, então lu, fica aqui mais uma vez meus agradecimentos! E gente, acompanhem o trabalho dela, que logo estará com sua marca também, e tem um trabalho lindo!

Monique Brasil e Luiza Mello – Foto: Acervo Pessoal

No dia 21 foi dia de coquetel de abertura, que perdi, porque ainda estava finalizando os últimos modelos, sim, até o último segundo do segundo tempo, estava produzindo.

Nervos a flor da pele, no dia seguinte, dia 22, chegue no meu ateliê às 6h da manhã para pegar todo o material que levaria para a feira, e detalhe, a feira só abria ao público às 11h, e eu na minha ansiedade, com os pensamentos a mil na minha cabeça, temendo que meus calçados não estivessem a altura do evento, que a quantidade que eu tinha seria pouca, que não iriam gostar do meu acabamento, enfim, boba e cheia de insegurança.

Cheguei às 7h30 no espaço, fui recebida pela Melissa Volk, que foi super atenciosa, simpática, um doce de pessoa, e comecei a montar, às 08h30 já estava tudo prontinho, então tive tempo de respirar, dar uma volta pelo ambiente, ver como estavam os outros stands é claro, principalmente stands que também eram de calçados, e assim que desacelerei, percebi que meu trabalho estava realmente lindo, bem acabado, com a proposta que eu queria passar, bem clara!, Enfim, percebi que eu estava sim, a altura dos demais expositores do showroom, e que meu trabalho era genuíno e as pessoas perceberiam isso, me tranquilizei e percebi que tudo não passava de nervosismo de principiante, pois apesar de ter participado de outras feiras, essa foi sem dúvida, a mais importante, porque o evento todo, era muito importante!

Às 11h as portas abriram, primeiro dia de feira, na parte da manhã, o pessoal ia chegando aos poucos, mas todo mundo que passava por lá, elogiava o trabalho, ficava surpreso com a proposta da marca, com a possibilidade de encomendar modelos exclusivos, gostavam do acabamento, da composição dos calçados, em termos de combinações de materiais, da possibilidade de trabalhar com todo tipo de material para a produção de sapatos, ainda mais uma produção artesanal. Entre idas e vindas, vendas realizadas, meu coração foi se enchendo de orgulho, cada elogio ao meu trabalho, cada foto tirada, ia me deixando mais orgulhosa e satisfeita!

Gente, quem está começando a empreender, consegue imaginar minha felicidade e os meus anseios; Todos os dias é um desafio, e você vê seu trabalho como trabalho de formiguinha, eu particularmente, não consigo ainda usar uma parte do meu lucro para investir em publicidade, fazer fotos maravilhosas, tudo o que faço são com os recursos limitados que ainda tenho, meu ateliê vive uma bagunça pela falta de espaço, as fotos que posto são feitas do meu celular, os posts e matérias que já saíram sobre a Rabble, foram feitos de forma gratuita, por pessoas que realmente gostaram do propósito da marca, e me ver num evento como esse, foi pra mim, a consolidação do trabalho que venho fazendo há meses, uma afirmação de que estou no caminho certo.

No início, eu sempre tive a insegurança de verem a Rabble como uma marca pequena demais, não gostava de falar que eu fazia todo o trabalho sozinha por exemplo, como se essas características fossem negativas, e já há algum tempo e com a BEFW consegui mais e mais, me apropriar de mim mesma, para agregar valor a minha marca. Durante esses dois dias de feira, eu me apropriei do fato de eu mesma ser a sapateira da minha marca, me apropriei de todo conhecimento que tenho sobre calçados e sobre o setor, percebi que tenho muito mais a passar, do que já estava passando. Cada pessoa que passou pelo stand e fez elogios, não tem noção da importância que teve para me encorajar a continuar cada vez mais e mais a trabalhar fazendo o que amo, e abraçar minha história, com todas as dificuldades que a permeia, pra que mesmo que a Rabble cresça, e vai crescer! Eu quero sempre estar próxima, (principalmente produzindo) pra que a marca nunca perca sua essência!

Foto: Arquivo Pessoal

Voltando a minha experiência, a organização do evento foi impecável, e não posso deixar de citar pessoas especiais que passaram por lá pra me prestigiar, como a própria Marcela aqui do Moda, a Michele do SlowDownFashion, a Yasna Yanes, da Up Shoes, fiquei pensando: Caramba, quanta gente bacana estou conhecendo e trazendo pra fazer parte da minha vida, e que realmente compartilham dos mesmos ideais que eu. Espero muito que a BEFW se consolide como um evento anual, e espero fazer parte mais vezes, e da próxima, nos desfiles também.

A observação que tenho a fazer, e é algo que ficou na minha cabeça o evento todo, foi perceber como pouquíssimas pessoas usavam calçados de marcas éticas ou sustentáveis, e de como o mercado ainda é carente de mais marcas de calçados sustentáveis, ou de como as pessoas, ainda estão dando mais importância pras roupas, e esquecendo os calçados, ou ainda, de que se trata de uma fase de transição, pois o consumidor de moda sustentável, utiliza os produtos até o máximo de sua vida útil, para comprar outro novo, e talvez as pessoas ainda estejam usando seus calçados da Adidas ou Nike, por esse motivo.

Por essa observação, acredito que seja questão de tempo para as pessoas se conscientizarem sobre o consumo de calçado também, e fiquei bem feliz de estar usando minha marca, para falar também sobre sapataria, produção, conserto, porque os calçados também precisam da mesma atenção que as roupas, até porque, o setor calçadista também causa muito impacto, tanto quanto as roupas, por exemplo, o setor calçadista produz 133 mil toneladas de resíduos por ano, entre sola, couro, aviamentos, etc. O setor têxtil produz 170 mil toneladas por ano, ou seja, os números são muito próximos.

Voltando novamente à feira, na sexta, dia 24, finalmente pude aproveitar as outras atrações do evento, já que os outros dias eu fiquei praticamente presa ao stand. Teve a roda de conversa da Marcela aqui do moda, que foi muito legal de participar; Foi sobre o papel da comunicação na moda sustentável, e foi interessante ver, que em uma roda de conversa, de pessoas que são provavelmente, mais informadas sobre consumo consciente, do que a maioria da população, ainda possuem diversas dúvidas e contradições de opiniões entre si, porém, todas estão buscando algo em comum, que é o conhecimento para um consumo mais ético e consciente, e por esse motivo é que mais eventos como a BEFW, precisam acontecer, e em maiores proporções e principalmente, mais visibilidade. Sabemos que a mídia de massa não tem muito interesse nesse tema, porque provavelmente, as noticias sobre eventos e empresas de fast fashion, ainda rendam mais grana para eles, mas se cada vez mais, as pessoas forem parando de comprar da marca fast fashion, pra comprar de uma marca feita por um artesão, com certeza esse assunto poderá ser cada vez mais pautado, e nós, vamos seguindo, fazendo nossa parte de comunicar, falar sobre nossa cadeia produtiva, sobre como procuramos reduzir nossos impactos, e cada pessoa que conseguirmos influenciar positivamente, que passa a entender o porquê de fazer escolhas melhores, já vale a pena nosso esforço!

Ah, não tenho fotos oficiais do evento pra mostrar pra vocês, pois não recebi nenhuma da organização, mas quem teve a oportunidade de ir, sabe que foi incrível, e aqui mesmo no #ModaSemCrise, você encontra mais matérias com mais fotos da semana.

 

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