16 • julho • 2018

Empreendedora não teme desafios e sonha criar escola para ensinar ofício


Nascida em Suzano, moradora de São Bernardo do Campo, Região Metropolitana de São Paulo, Monique Brasil, de 28 anos, faz parte de um poderoso time de brasileiras que enfrenta os desafios diários do empreendedorismo feminino. Há exatamente um ano, a empreendedora artesã de calçados trocou a vida corporativa para investir de maneira integral em sua marca, a Rabble.

Sozinha, Monique produz de maneira artesanal os calçados que vende, promove cursos e workshops, administra as finanças, gerencia as redes sociais e, assim como milhares de mulheres incríveis que tocam seus negócios, faz tudo mais que é necessário para ver sua marca se desenvolver.

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Se vira nos 30: Rotina da empreendedora inclui calçar os produtos da Rabble para fotografar e ser fotografada – Foto: Marcela Fonseca

Ao Moda Sem Crise, site onde também assina a coluna mensal Sapateirar e narra sua experiência como empreendedora no segmento calçadista, Monique conta como surgiu seu interesse pela área e a marca, os desafios e conquistas e quais os planos para o futuro. Criar uma escola para ensinar o ofício para outras empreendedoras é um deles.

Eu sempre gostei de trabalhos manuais. E amava calçados. Quando pensei em empreender, não tive dúvida. E um ano antes de criar a Rabble fui estudar desenvolvimento de calçados. Me apaixonei definitivamente.

O momento, segundo Monique, era mesmo de mudança. Na vida pessoal, a artesã já buscava novas atitudes relacionadas à sustentabilidade para incorporar no seu dia a dia. Referência que levou para o projeto.

“A Rabble é uma marca artesanal com foco na produção slow e no reaproveitamento. Acredito que já existe muito material pronto no mundo. E gosto de usar o que é descartado para mostrar às pessoas como as coisas podem se transformar e nos surpreender. Além disso, a Rabble é disseminadora de informação para quem quer aprender a fazer sapatos, porque quero ajudar a transformar o setor calçadista, colaborando para que novas marcas e designers com viés ecológico apareçam.”

Atualmente Monique trabalha na produção de sandálias e alpagartas. Os calçados são feitos sob encomenda e a empreendedora preza pela inclusão. Por isso, a numeração atende do 33 ao 45. E a produção exclusiva inclui atender pessoas que calçam pares de diferentes tamanhos e até mesmo pessoa unípede.

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Rabbleshoes: Marca tem a sustentabilidade e a inclusão no DNA – Foto: Marcela Fonseca

Um passo de cada vez e valorização do planejamento

Entre os principais desafios de Monique Brasil para fazer a Rabble decolar está o campo das finanças. Monique conta que ao deixar a empresa onde trabalhava, teve não só a renda reduzida, bem como a chance de investir no projeto que ainda não a mantém. Retornar ao mercado de trabalho se tornou um plano. Mas, antes ela defende reorganizar e reestruturar o projeto que celebra oficialmente um ano este mês.

“Estou num momento de dar um passo para trás para poder dar dois para frente. Então estou fazendo o que deveria ter feito lá atrás. Revendo e concluindo meu plano de negócios e me planejando para que dessa vez eu tenha atitudes mais premeditadas, até para conseguir reagir melhor aos imprevistos”, disse.

Monique que não descarta a busca por uma segunda fonte de renda porque ai deixar o emprego em 2017, a Rabble tornou-se sua única fonte de renda. O objetivo é ir para a sala de aula de modo que consiga conciliar tudo.

“Fiquei com pouco dinheiro para investir nesse primeiro ano. Agora estou numa de pensar se não é melhor ter uma segunda fonte de renda. E assim ter condições de continuar investindo na Rabble, que é meu projeto de vida e é realmente muito importante para mim. Neste primeiro ano tinha reservas para investir. Sei que fiz alguns investimentos equivocados, o que me atrapalhou financeiramente. Então, agora estou indo mais devagar  para fazer escolhas de investimentos. Empreender não é brincadeira. É preciso ter disciplina e planejamento, se não as coisas saem dos trilhos muito facilmente.”

Outro desafio apontado pela artesã está na dificuldade de converter em vendas o fluxo de visitas no site e nas redes sociais. “Na internet as pessoas navegam de forma tão rápida que é difícil fisgar a atenção.” Além do site – que está prestes a passar por um upgrade – , a Rabble anuncia seus produtos no Facebook e no Instagram.

O plano é criar ateliê com espaço para ensinar a arte da sapataria artesanal

Mas, mesmo diante das dificuldades para empreender, Monique Brasil tem muito para comemorar. E os planos para o futuro são inspiradores. “Estou me programando para tentar entrar em um programa de aceleração de investimento ou campanha de financiamento coletivo. A ideia que tenho para a Rabble é de transformá-la, além de marca, em uma escola de sapataria de onde quero que surjam outras marcas.”

O grande desejo de Monique é ter um ateliê para a produção dos calçados – que hoje são feitos em sua casa – que sirva também de sapataria para consertos e customização. E que além disso abrigue uma escola de modelagem e confecção artesanal de calçados.

“E quero consolidar tudo isso. Por esse motivo sei que preciso me estruturar e trabalhar com planejamento. Mas adianto que estou feliz com o que conquistei até aqui. E levo tudo como aprendizado. Muitas coisas positivas aconteceram em um ano por conta da minha criatividade e originalidade com a marca, imagina quando puder aliar tudo isso a organização e uma boa administração? Ai sim vai ser sucesso”, completa.




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