MESA CORRIDA – O típico café da manhã paulista tem pingado e pão na chapa. E foi isso que eu pedi em uma padaria logo que aterrissei por essas bandas. Só que, pra minha surpresa, eu mal acabei de fazer o pedido, e, de trás do balcão, um homem de ascendência oriental questionou sério: “E você não vai querer o pão de queijo?”. A pergunta do atendente tinha um quê de ‘conheço seus hábitos alimentares matinais’. Olhei para um lado e outro, na esperança de que ele não falava comigo. Afinal, o cara nunca tinha me visto, quanto mais saberia o que eu como ou não pela manhã.
Mas era comigo mesmo. Só olhei com uma cara de “enlouqueceu?” e ele continuou: “Você não é mineira?” (agora com tom mais divertido). Ah, sim, entendi a brincadeirinha! De pronto desconfiei que a identificação tão precoce do meu estado de origem se atribuía ao jeito de falar. “Sim. É por causa do sotaque?”, entrei no diálogo. “É sim, uai, sô”, prosseguiu ele, agora numa piadinha um tanto forçada. Dei uma risada tímida e continuei esperando que ele preparasse meu pãozinho e meu café com um pingadinho de leite.
Na certa, o que me entregou assim tão de cara foi o som anasalado e o ritmo meio cantado das palavras. E também aquele “cê”, comendo a primeira sílaba de “você”, no início da frase “Cê faz um pão na chapa e um pingado pra mim, por favor?”. Mas, ainda fiquei intrigada, porque a minha fala tinha sido muito curta pra uma conclusão tão rápida e certeira. Não tinha dito nada do tipo “uai, só isso de leite?”, “põe mais um cadim de manteiga aí”, ou “o que é esse trem com açúcar polvilhado em cima?”.
Sendo o sotaque só mais um traço da minha mineiridade, o que poderia ter me revelado assim tão mineira? Talvez fosse o riso sem mostrar os dentes. O olhar desconfiado. Ou o estilo barroco. A camiseta que trazia a caricatura de Drummond. Ou fosse apenas, como diria Frei Betto, o coração carregado de saudade.
Meu café da manhã ficou pronto. Eu devorei em dois segundos e pedi um pão de queijo para viagem.
Pão de queijo Canastra

Pão de queijo Canastra: Iguaria tradicional mineira feita com queijo revelado patrimônio imaterial Foto: Suellen Andrade
Ingredientes:
1kg de polvilho azedo – 2 xícaras de leite – 1 xícara de óleo – 1 colher (sopa) de sal – 5 ovos – 500g de queijo Canastra
Modo de Preparo:
Misture o polvilho e o sal em um recipiente grande e reserve. Em uma panela, junte leite e o óleo e leve ao fogo para ferver. Aos poucos, adicione o leite e óleo fervidos ao polvilho. Vá misturando com um garfo e esfarelando bem com as mãos para que no final obtenha uma farofa. Acrescente os ovos e misture bem. Adicione o queijo canastra e misture. Faça bolinhas e disponha sobre as fôrmas, deixando espaço de aproximadamente 2cm entre eles para não grudarem. Leve ao fogo pré-aquecido a 180°C e deixe assar até que as bolinhas estejam douradas.
+ Suellen é autora do blog “Encontrei Babette“ onde publica crônicas recheadas de conceitos gastronômicos e experiências gustativas com uma boa pitada de poesia.
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