O Brasil é considerado um país empreendedor. Em fevereiro de 2018, o número de pessoas trabalhando por conta própria, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), passava dos 23 milhões. Dado que está também atrelado à queda no número de vagas no mercado formal. Estima-se que o país tenha atualmente quase três milhões de empregos formais a menos se comparado com 2015. O número de postos de trabalho fechados a cada ano reforça a necessidade de formar uma sociedade que busque no empreendedorismo social sua maneira de existência. E está aí a motivação para a criação do programa Colabore. Iniciativa da Unibes Cultural em parceria com a Cielo, a ideia é criar conexões e impulsos entre diferentes protagonistas do universo empreendedor.
A plataforma está estruturada em três pilares: fomento, difusão e formação. E nasce com o objetivo de dar suporte às necessidades do público, fortalecendo o ecossistema do empreendedorismo, estimulando a participação da sociedade para potencializar o olhar da cultura empreendedora, além de auxiliar no desenvolvimento da percepção para oportunidades e estruturação de novos negócios.
Lançado nesta terça-feira (19/06) o programa deu início à prática do pilar de fomento e colocou em discussão os temas: Empreendedorismo – Um novo caminho profissional para o crescimento de uma geração; Planejamento Estratégico e Marketing – Para que serve este plano de voo?; Financiamento – Como atrair recursos?; e por fim, Como atrair e reter clientes em um mercado competitivo. Nesta quarta-feira (20/06) acontecem os painéis: Aspectos Tributário e Societários – Como crescer com previsão e segurança; e Recursos Humanos – Pessoas que fazem a diferença. Vale ressaltar que até o fim deste ano, este pilar da plataforma proporciona um total de seis eventos dedicados ao empreendedorismo Social e Criativo. Mas o programa envolve outras atividades dentro dos pilares difusão e formação para o desenvolvimento de empreendedores.
Confira agora um resumo dos dois primeiros painéis do primeiro dia de evento.
Painel 1
A geração nascida depois dos anos 2000 é uma geração founder
O tema “Empreendedorismo: Um novo caminho profissional para o crescimento de uma geração”, abriu o ciclo de palestras do programa Colabore. O encontro mediado por Alan Leite, CEO da Startup Farm contou também com a participação de Maure Pessanha, diretora executiva da Artemísia, Fabio Neufeld, CEO e fundador da Kavod Lending e Claudio Bessa, da IBM. A conversa girou e torno da globalização e avanço tecnológico que proporcionam transformação no mercado de trabalho ao mesmo tempo em que uma nova geração procura independência econômica.

>>> Os desafios e oportunidades deste novo caminho também estiveram presentes no debate – Foto: Verônica Bertoni/Unibes Cultural
Em sua fala, Alan Leite defendeu que só vamos mudar a realidade se todos tiverem a cultura empreendedora. “A geração nascida depois dos anos 2000 é geração founder, fundadora, são pessoas que estão mais dispostas a empreender e esse é o caminho. Basta procurar um grande problema brasileiro e tentar resolver, você vai ter um grande negócio para empreender”, comentou.
Já para Maure, diretora da Artemísia, aceleradora de negócios de impacto social há 14 anos no mercado, o ser humano pode ser multidimensional, pode ganhar dinheiro, querer mudar o mundo, e ter uma vida boa. Empreender pode ser um negócio lucrativo e mudar as coisas, questões sociais. “Temos gente muito boa e qualificada querendo empreender, gente querendo deixar um legado. Tem gente com senso de dever e também os jovens que já vêm com o ‘chip de empreendedorismo’. E os investidores também estão olhando para impacto de uma outra maneira”.
A executiva acredita que o empreendedor tem que se apaixonar pelo problema e não pela solução. “Algumas áreas interessantes para se empreender nos próximos anos são os serviços financeiros, uma área que tem crescido muito e ganhado cada vez mais um olhar de impacto, e também todo o mercado do ‘mais 60’ e bem-estar, por uma questão demográfica de população envelhecendo”, explicou.
“O empreendedorismo vai salvar o Brasil”
Fabio Neufeld, CEO e fundador da Kavod Lending, construiu toda sua carreira em um banco antes de ter sua empresa acelerada pelo programa de fintechs da Startup Farm. Com um espírito empreendedor, percebeu que era possível ter um negócio lucrativo e oferecer para população um serviço melhor e mais justo. Fabio compôs o segundo painel
“Existe vida fora dessa coisa de ser empregado durante 30 anos da mesma empresa. O empreendedorismo vai salvar o Brasil. Quanto mais empreendedores a gente tiver, mais o Brasil vai para frente”. Para o empreendedor, é necessário buscar um propósito para a vida, entender o problema, saber como atacá-lo e, então, empreender.
Para Claudio Bessa, head da unidade de desenvolvimento ecossistema e Startup da IBM América Latina, é cada vez mais perceptível um gap entre o que se aprende e o que é utilizado no dia a dia. “Quando vamos para startup, elas são um reflexo disso, porque não teve a base. Quando você não tem o ferramental você perde a oportunidade de acelerar o processo de engajamento. Temos que usar a tecnologia a nosso favor para melhorar o mundo e a gente como seres humanos”, comenta.
O empresário continua, “Watson vai roubar empregos? Você não perde empregos, os empregos se transmutam e se ressignificam. Ou você se especializa e se atualiza, ou você desaparece. As profissões desaparecem para que possamos ter outros tipos de atividades mais condizentes com a nova realidade. Inteligência artificial vem para gerar outro tipo de empregos que a sociedade necessita”.
Painel 2
Estratégia é fundamental para o empreendedorismo
Uma ferramenta do Marketing que possibilita a construção de um negócio de forma consistente prevendo rotas de colisão. Até onde isso é importante para quem empreende? Essa foi a discussão que envolveu Daniel Diniz, VP de estratégia da Isobar Brasil, Tonico Novaes, diretor geral da Campus Party Brasil, Carlos Giusti da PWC Brasil e Eduardo Pedote, sócio da Bemtevi Investimento Social que inclusive tem entre seus projetos, a PanoSocial – empresa social que gera valores positivos por meio da confecção de produtos têxteis sustentáveis e insere em seu quadro de funcionários egressos do sistema prisional.

>>> Para os especialistas o empreendedor deve revisitar o planejamento estratégico e fazer desse um exercício constante Foto: Verônica Bertoni/Unibes Cultural
Mediador do segundo painel do dia, “Planejamento estratégico e marketing: para que serve esse plano de voo?”, Diniz, afirmou acreditar que a estratégia é parte fundamental da cultura do empreendedorismo. “Apesar das intempéries do governo e do cenário brasileiro, precisamos absorver a ideia de que por meio do desenvolvimento da estratégia, podemos pensar o futuro e construir o futuro do jeito que imaginamos.”
Para o executivo, estratégia é saber onde quer chegar. “Se pergunte se você realmente consegue chegar onde você quer chegar e qual o jeito mais fácil de chegar lá. Estratégia bem definida é o que faz você chegar mais rápido, com menos gasto de energia e menor gasto de dinheiro”, completa.
Pedote explicou que ter uma estratégia está relacionado a ter uma ideia bem estruturada, um entendimento de mercado e também o extrato de negócios. “É importante ter um processo coerente e completo para um negócio. Alinhamento do propósito com a proposta, modelo de negócio escolhido, estrutura do time que está formando, quanto está entendendo do contexto em que está atuando, qual a estrutura de números e projeções. Tudo isso é importante para montar um planejamento estratégico. Quanto mais variáveis você consegue enxergar em um plano de negócios, mais chances você tem de levantar voo com a sua ideia”, afirmou.
Giusti definiu a relevância de um negócio e de uma ideia é o propósito. “É um clichê, mas saber qual problema relevante que você quer resolver é fundamental. A solução do problema precisa de entendimento cultural e comportamental para que funcione. Tenha uma visão 360 graus sobre o problema e como solucionar. E tenha uma equipe multicompetências”.
Ainda segundo o executivo, os princípios da boa administração não mudaram, mas é preciso trabalhar com mais variáveis, capturar mais informações, entender quais são as informações relevantes para o seu negócio. É dessa maneira que se toma decisões rápidas de maneiras mais assertiva.
Diretor geral da Campus Party Brasil, Novaes explicou que “você tem uma ideia sozinho, mas, tendo a empatia de entender outros pontos de vista, é possível travar outros caminhos”. O executivo exaltou a importância do trabalho colaborativo, já que criar juntos e compartilhar experiências, até mesmo com concorrentes do seu negócio, ajuda a aprender com o outro e melhorar o mercado como um todo. Para completar seus conselhos, o empresário finaliza: “Na construção de uma estratégia, permita-se inovar e também errar. Saia da zona de conforto, porque só assim você vai ter um bom planejamento”.
Para saber mais acompanhe as atualizações do calendário de eventos no site da Unibes Cultural
Com informações da Assessoria de Imprensa