LADO B – Não há como fugir do calendário! As músicas natalinas já estão tocando, os amigos secretos já foram sorteados e está na hora de enfeitar a casa para a chegada do bom velhinho. Mesmo deixando de lado o apelo comercial da data e todas as suas consequências, é difícil fugir das comemorações de fim de ano. Mas, antes de travar a guerra anual para desembolar o pisca-pisca, que tal faxinar seu armário?
Esse é um hábito que trago da infância. Minha mãe (beijo mãe) todo o final de ano, assim que se encerrava o período escolar, fazia eu e meu irmão retirarmos todas as roupas do armário, (re)dobrar e separar tudo que não cabia mais na gente e que já estávamos há muito tempo sem usar.
Fazíamos isso nesta época do ano por três motivos, o primeiro que, segundo ela, Papai Noel não visita criança desorganizada e como não somos virginianos, dá para imaginar que ninguém separava nada por tecido/cor, né?! O segundo motivo era que no Natal e em nossos aniversários (eu nasci em janeiro e meu irmão em fevereiro) ganharíamos roupas novas, então precisaríamos de mais espaço – confesso que amava esse pensamento, mas nunca ganhava roupas na quantidade esperada.
O terceiro motivo me inspira até hoje, os looks que, por algum motivo você não quer mais, podem ser exatamente as peças que outra pessoa quer, mas não pode comprar. Essas roupas eram doadas para a Igreja, orfanatos, em ações em comunidades carentes ou para quem estivesse precisando. Sempre me recordo com carinho de um lindo vestido verde que eu ganhei da minha avó para ir num casamento, mas que me deixava com cara de fígado estragado. Gosto de pensar que ele ficou deslumbrante em uma menina mais corada ou que simplesmente gostasse de usar essa polêmica cor (eu não me adapto a usar verde – fazer o quê, né?!).
Hoje vejo que o conceito de “guarda-roupa reciclável” cresceu comigo. Minhas primas mais velhas também faziam essas faxinas em seus guarda-roupas e eu ficava feliz da vida quando minhas tias chegavam lá em casa dizendo “aqui tem umas pecinhas que a não dá mais nela, será que a Bia quer?” – ah, tia, a Bia sempre quer! Era uma felicidade revirar a sacola em busca de novos looks que antes eram usados pelas minhas primas! Coisa gostosa é ter primas mais velhas!
O tempo passa, hábitos ficam e talvez por isso eu adore um bazar! Desapegos, trocas e aqueles do tipo “vendendo tudo para juntar grana e viajar pelo mundo”. Afinal, que atire a primeira pedra quem nunca “achou” no fundo do armário aquela blusa (no meu caso, verde!) que ganhou de presente, não foi à loja trocar, mas também nunca usou? Sabia que ela poderia estar realçando a cor dos olhos de sua melhor amiga? Ou que ela combina perfeitamente com o corte de cabelo da sua vizinha? Roupa tem energia, vamos fazer circular!
Este ano ainda não pendurei a guirlanda na porta, nem tirei a poeira do mini presépio, porém os desapegos já foram separados. Em cada peça dobrada mentalizei muita energia positiva para sua nova dona. Que cada blusa, cada saia, cada vestido vista lembranças bonitas, sorrisos sinceros e sejam cobertas por abraços fraternos e emoções multicoloridas. Mesmo sem o verde. Porque, olha, não sei se já te falei, mas eu fico péssima de verde! Hahahaha.