“Empreender não é fácil”. Está aí uma frase unânime em todo evento ou encontro que reúna empreendedores e/ou especialistas na cultura do empreendedorismo. Não são poucos os desafios para quem decide empreender. E promover a sustentabilidade financeira de um negócio de impacto pode parecer um desafio ainda maior. Mas, para quem atua com empreendedorismo em prol de uma causa é possível sim contar com apoio financeiro. É o que defende o especialista Leonardo Letelier, fundador e CEO da Sitawi Finanças do Bem, e as especialistas Brunna Zogbi, head de prospecção na Vox Capital e Celia Cruz, diretora do Instituto de Cidadania Empresarial.
Convidados do evento de lançamento do Colabore – programa estruturado em três pilares: fomento, difusão e formação de empreendedores -, em um encontro mediado por Roberto Sekiya, membro de ONGs sociais culturais: Causa Empreendedora, Brunna, Celia e Letelier apontaram durante o evento que teve abertura nesta terça-feira (10/06) alternativas para empreendedores sociais que querem atrair recursos financeiros.
Célia explicou o que é um negócio de impacto. “Ser um negócio de impacto é Ter no seu centro a solução para um problema social, ter produtos e serviços que vão fechar o modelo econômico, medir o impacto social, deixar para a próxima geração um país melhor e trazer a população pra governança desse negócio de impacto”.
E destacou que fundos de investimento deveriam ser para todos. Mas afirmou considerar que não o são. “Todos os editais são ‘é de tais’. Não é para saber da pirâmide. Como criar um fundo para a base? Que passe a nos olhar como empreendedores?” questionou a executiva que elencou doações, empréstimos e crowndfundig como caminhos possíveis. “Precisamos atrair investidores trazendo capital para melhorar o Brasil”, disse ela que citou alguns exemplos importantes de financiamento nos campos dos negócios social e criativo. “O Fundo Boabá [focado no fortalecimento das organizações negras e equidade social] financiou a primeira editora de autoras negras.” Outro exemplo de Célia foi o Diaspora.black. Uma plataforma brasileira similar ao Airbnb criada com o propósito de valorizar a cultura negra. Essa startup está sendo acelerada pela Artemisia.

Da esquerda para a direita: Roberto Sekiya, Brunna Zogbi, Célia Cruz e Leonardo Letelier durante evento Colabore – Foto: Verônica Bertoni/Unibes Cultural
Aliás, Célia se mostrou bastante inclinada à ideia do financiamento coletivo como uma das mais viáveis opções de investimento no campo do empreendedorismo com causa. Neste link você conhece dez sites especializados neste tipo de campanha.
Para Brunna, a conquista de apoio financeiro está bastante atrelada ao tamanho do impacto social promovido pelo negócio. Portanto o problema que se propõe solucionar é de extrema relevância.
“Às vezes a solução proposta é muito pequena e restrita. E na visão de um fundo de investimento é importante que o mercado seja grande”, afirma a executiva que tem uma empresa dedicada aos grandes negócios. “Sempre tento entender se ele [o empreendedor] quer fazer e solucionar o problema. Sem tem garra para isso. É complicado, mas tem que vir de dentro. Vem da questão de mapear o problema e ter a solução adequada. Queremos democratizar”
E quando se fala em problema do cliente, segundo Letelier, o que entende por isso é a dor do cliente. “A escala é importante para o investidor, mas para quem faz empréstimos não é”, explicou que a Sitawi faz empréstimos entre R$ 50 e R$ 70 mil reais. E entre os clientes de empréstimos socioambientais estão: Rede Asta e Feira Preta. “Tem que estar operando”, explicou ser esse um dos principais critérios de avaliação. Para Letelier, o mais importante pra quem está empreendendo, é pensar qual o tipo mais adequado de capital para o modelo de negócio escolhido. “Antigamente só tinha equity, dívida ou doação. Hoje em dia as pessoas estão olhando para risco, retorno e impacto, não mais só para o binômio risco-retorno. Então um empréstimo a juros mais baixos, investimentos com menos retorno e consumo de produtos para que a empresa construa uma coisa bacana para a sociedade é cada vez mais comum. Estamos a uma geração de isso ser absolutamente normal.”
Já o Instituto de Cidadania Empresarial (ICE), representado por Célia reúne empresários e investidores em torno de inovações sociais. E com isso promove financiamentos entre R$ 150 e 200 mil reais. “Tenho Teoria de Mudança e meus serviços e produtos estão conectados. A missão é desenvolver um produto para a terceira idade? A gente procura olhar se aquela missão está resolvendo um problema social”, afirmou Célia que explicou ainda a Teoria de Mudança. “E a partir desse questionamento filosófico entender qual impacto quer gerar.”
Entre as sugestões dos especialistas está a criação de um Canvas que priorize o impacto. E também uma relação de indicadores para acompanhar. Geração de renda; como melhorar o número de pessoas empregadas; melhorias de qualidade; diminuição de reincidências. Indicadores capazes de mensurar métricas e resultados.
“Que tipo de indicadores quero fazer e consigo medir? No caso da indústria da Moda. Estou tentando usar algodão orgânico? Diminuindo tinta na produção? Ou a emissão de gases?”, sugere.
Por fim, Célia mencionou também a avaliação por meio do Sistema B, um movimento global que trabalha por uma economia onde o sucesso seja medido pelo bem-estar das pessoas, das sociedades e da natureza. “Minha sugestão é que empreendedor entre no Sistema B. Lá tem 40 perguntas para empreendedores que é um benefício que vai ajudando a pensar. E se quiser ser certificado, neste caso é preciso responder a 120 questões, mas com uma pontuação acima de 80 é entregue o certificado. NO Brasil não é legislação. Mas é bastante interessante”, completou.
Para saber mais acompanhe as atualizações do calendário de eventos no site da Unibes Cultural