Uma história costurada com amor — Moda Sem Crise
29 • janeiro • 2016

Uma história costurada com amor


COMPORTAMENTO – Quando decidi me envolver de vez com o universo da moda, consumo e comportamento para ver acontecer o Moda Sem Crise, uma das primeiras providencias que tomei foi criar uma conta pessoal no Facebook. Para ser beeeem sincera, quem abriu a conta foi a Di porque o perfil seria usado apenas para administrar a nossa fanpage. Mas, levando em consideração a insistência de alguns queridos, e como, no fundo no fundo, eu sabia que teria que voltar, depois de quase três anos de período “sabático” fora da mais popular rede social do Brasil, com o olhar de um retirante quando chega à cidade grande, mesmo temendo a reaproximação do mundo virtual, volteiiiii…  Mas, para a minha grata surpresa me deparei com coisas bacanas e gente com histórias capazes de nos fazer acreditar…

Foi em uma das minhas incursões pelo grupo fechado de mais de sete mil membros Costureiras Artistas do Brasil, um dos 51 dos quais faço parte no Facebook  que uma publicação chamou minha atenção. Era um pedido de doação de materiais de costura.

“Pessoal sou do interior do Rio de Janeiro e estou ensinando três meninas de 11 anos a costurar (…) se alguém tiver retalho de tecido plano para doação para que eu possa continuar a ensinar pago o frete”.

Achei tão encantador e inspirador, que no mesmo dia em que vi deixei um comentário dizendo  o quando gostaria de saber mais e foi assim que descobri que o havia em comum entre nós. Filha de costureira, Vanessa Medeiros, 30 anos, sempre teve a mãe, dona Zete como sua maior inspiração. Simpática e surpresa com o convite do Moda Sem Crise, Vanessa me contou em um bate-papo informal, por meio do messenger do Facebook, sobre o seu flerte com a moda. Paixão que surgiu (também) na infância.

“Minha mãe saia para trabalhar e minha avó cuidava de mim e eu ia escondida para a máquina de costura da minha mãe (risos), quando ela chegava já estava pronto. Minha mãe é costureira e a minha maior inspiração”, comentou. Para estar com Cibelle, Marcella e Flora, há cerca de um mês, nos finais de semana, Vanessa deixa a cidade onde mora, Areal no interior do Rio de Janeiro, e segue rumo a Petrópolis. É lá atende ao pedido das meninas e as ensina a costurar. Vanessa disse que até agora as garotas aprenderam apenas a fazer ecobags. Estratégia que usa como primeiro passo para que controlem a máquina. O objetivo é chegar na produção de looks.

O interesse das meninas surgiu justamente em função das roupas da Vanessa, que cria e costura suas próprias peças. A cada look novo, um comprado é doado. Não é uma regra, mas assim tem sido na vida dessa petropolitana que quando criança sonhava ser estilista, se formou na faculdade de Mecânica Aeronáutica, e só depois disso se matriculou no curso superior de Design de Moda.

“Nunca trabalhei com costura, eu sempre tive um gosto peculiar para roupas, então, eu desenhava e minha mãe fazia, na adolescência também sempre gostei de ser diferente. Adoro as roupas que faço. Eu me formei em Mecânica Aeronáutica e trabalhei nesse campo por cinco anos. Foi então que tive a possibilidade de fazer faculdade de design de moda, mas mudei de cidade e tive que parar, mas o o que é mais estranho? Na faculdade descobri que não gosto de desenho de moda e sim da máquina de costura, gosto de ver a roupa pronta, sabe?! Quase me formei. Fiz apresentação de desfile, TCC [Trabalho de Conclusão de Curso]. Mas terminarei em breve. Eu gosto mesmo é de ensinar”, disse a moça que mais do que servir de inspiração para três garotas, deveria servir também de inspiração para toda sociedade contemporânea. E é essa a nossa torcida!!!

Vanessa Medeiros Histórias Inspiradoras

Mãos de Fada – Vanessa cria e costura suas próprias roupas. Com a ajuda do irmão produziu até mesmo essa fantasia de fada com direito a asas e sapatos (Fotos: Arquivo Pessoal)

Vanessa disse que se pudesse ensinaria mais pessoas. Mas já nos alegra, e muito, vê-la com tamanho zê-lo passar o que conhece a essas três (sortudas) meninas. Você deve estar se perguntato: Tá, mas e o pedido que deixou no grupo do Face? E eu respondo: Rendeu 90 curtidas, 16 comentários, esse texto e doações que as encheu de alegria. Mas, para levar o plano adiante, as quatro mocinhas precisarão de mais retalhos…

“Me sinto orgulhosa e servir de inspiração me emociona muito. Tudo o que faço, devo a minha mãe. Tudo que queria aprender ela ia comprava os materiais com a maior dificuldade, revistas, tudo para ensinar a mim e as minhas irmãs, nunca disse uma única vez que não seríamos capazes, pelo contrário, sempre nos incentivou. E ele é perfeccionista. (risos) e sempre verifica nossos trabalhos para saírem perfeitos. Ela é magnifica, assim como minha avó também era. Ela ama fazer bonecas de pano. Infelizmente não trabalhou só com isso, para ajudar meu pai nas coisas da casa ela teve que trabalhar em casa de família. Mas sempre fazendo bico de costura”, disse a artesã que trabalha com a confecção de de peças de decoração para quarto de bebês e festas infantis. “Tenho vontade de ensinar muitas outras pessoas. Minhas irmãs também, uma trabalha com biscuit e outra com doces, meu irmão trabalha com bordado digital, e gostamos de passar para frente o que sabemos, mas não tem como sem ter apoio. Viver do artesanato ainda é muito difícil. Não é reconhecido, sabe?! Mas eu amo e toda dificuldade é ultrapassada com fé e garra”, completou.

Os trabalhos da artesã Vanessa Medeiros podem ser apreciados e encomendados em sua página Mimos de Papel. Por lá, caso você possa doar tecidos para que ela continue a ensinar, também é possível fazer contato.

Espero que essa história também te inspire!

Beijo, beijo




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3 Respostas para "Uma história costurada com amor"

Fabi - 28, janeiro 2016 às (23:37)

Parabéns por essa matéria! Cada dia mais apaixonada por vocês!

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Marcela Fonseca Marcela Fonseca - janeiro 29th, 2016 em 12:27 am respondeu:

Obrigada, Fabi!!! Histórias assim dão sentido a nossa existência!!!
Beijo, beijo!!!

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Moda Sem Crise » Moda para todo tipo diabético - 12, março 2016 às (03:05)

[…] sobre minha vida e meu convívio com diabetes que me acompanha desde 1994. Voltar para o Facebook (processo que me fez ficar fora da rede social por quase três anos) me fez encontrar pessoas como a Marina. E conhecer esse trabalho que tem não só relacionando a […]

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