Protagonista da indústria da moda consumidor precisa ser encarado como pessoa — Moda Sem Crise
05 • julho • 2017

Protagonista da indústria da moda consumidor precisa ser encarado como pessoa


NEGÓCIOS DE MODA – A voz do consumidor tem ecoado fortemente em todas as relações de consumo ou não consumo. Mais do que nunca, ativo em todos os processos de posicionamento de uma marca, o consumidor assume papel de protagonista da indústria. Mestre e doutor em Sociologia do Consumo, Fábio Mariano Borges, que há 25 anos pesquisa o comportamento do consumidor e realiza estudos etnográficos e consumer insights, explica que para entender e dialogar com esse co-criador é preciso ir além do mero cliente, mergulhando pelas entranhas do universo humano para refletir sobre sentidos e atos.

“Atualmente entender as pessoas e não o consumidor é fundamental. Sempre estivemos de olho no consumidor, aquele sujeito que compra por necessidade ou desejo. Mas, agora no século 21, precisamos entender as pessoas. O consumidor é antes de tudo, uma pessoa com angústia, problemas, prazeres, interesses, com causas, e é isso que a gente precisa entender. O mundo da moda está sendo bastante impactado por esse movimento. Por isso, é tão fundamental entender essas causas para se conectar a essas pessoas”, afirma o especialista.

Em um mundo extremamente conectado, com maior volume de informação e, portanto, em exponencial transformação, e as relações de consumo estão sendo diretamente impactadas por esse comportamento. “O consumidor acaba participando ativamente da criação de produtos e, sobretudo de muitas decisões estratégicas porque as marcas acabam tomando decisões em resposta ao consumidor. Aliás, o consumidor do século 21 está tão ágil que mudou de posição, antes ele era provocado pelas marcas e hoje é ele quem as provoca. E o impacto que a gente tem é um mundo e um mercado de incertezas, grandes transformações e que exige que os profissionais estejam não só com a mente, mas com o coração abertos para entender as pessoas. É preciso se despir de preconceitos e abraçar as transformações que os consumidores muito rapidamente estão pedindo.”

André Robic, diretor executivo do IBModa,  concorda que para enfrentar os desafios do mercado, o caminho para qualquer moda de moda é um aprofundamento no conhecimentos dos seus consumidores. O especialista explica que marcas bem posicionadas junto ao público conseguem entender melhor os seus desejos, e assim, produzir coleções que não sejam moda, mas, roupas que atravessem o tempo como companheiras de balada, trabalho, viagem. E que em função disso, passam a ser valorizadas pelas pessoas. “Ficar apenas correndo atrás de tendências faz da marca uma ‘modinha’, ou seja,trabalhar com produtos datados, que saem rapidamente de moda, e fazem com que as pessoas busquem reposição deles com muita frequencia, aumentando os gastos com vestuário e, pior ainda, gerando grande desgaste ao meio ambiente”, afirma.

Para falar sobre tendências dos novos rumos do consumo, Borges na noite da próxima sexta-feira (7) dá início ao módulo “Além do Cool Hunting: Mergulhando no Mundo do Consumidor de Moda”. O módulo é o terceiro de quatro workshops do curso de extensão “Arquitetura para Negócios de Moda” promovido pelo Instituto Brasileiro de Moda (IBModa) em parceria com o Lab Fashion. Os dois primeiros – “A comunicação na moda – Como contar sua história para o mundo”, ministrado pela conectora Kareen Terenzzo; e “Branding in a hard market – Como construir a arquitetura imaterial da sua marca, ministrado pela conectora Lu Robic, diretora de Marketing do IBModa, ocorreram em formato semelhante, aliando conteúdo com a prática. O módulo com carga horário de 11 horas, estende-se pela manhã e tarde de sábado (8).

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Atividade prática durante o módulo Branding in a Hard Market – Foto: Luciane Robic

Segundo Borges, sua ideia é contribuir para a desconstrução do senso-comum, inspirando os participantes do módulo a terem insigths nos negócios. Para isso o especialista irá propor técnicas de identificação de tendências e dará instruções de como se adaptar a elas e também discussão sobre as principais macrotendências que estão movimentando o consumidor e consequentemente balançando o mundo da moda. “Esse módulo é para os fortes, para quem tem peito e coragem de se desconstruir”, afirma.

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Turma com diferentes iniciativas e tipos de negócios reunida no Lab Fashion para o segundo módulo do curso de extensão do IBModa – Foto: Luciane Robic

Após o módulo sobre tendência de consumo, ministrado por Borges, quem fecha o ciclo dos quatro encontros é Robic. Na noite de sexta-feira, dia 21 de julho, e manhã e tarde de sábado, dia 22, ministra o módulo “Fashion Business: Principais drives para posicionar o seu negócio na moda”, que encerra o curso de extensão Arquitetura para Negócios de Moda. “Este módulo pretende oferecer uma visão geral sobre as estratégias dos diversos segmentos dentro do mercado de moda, de forma que os participantes possam encontrar oportunidade para crescer nesse mercado. Para isso serão apresentados os principais drives estratégicos do setor”, diz Robic que adianta que os inscritos terão a chance de desenvolver o desenho de um modelo para seus negócios utilizando o conceito do Canvas.

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Empreendendo e aprendendo

Empreendedoras de moda, a estilista Mariana Mekbekian, 30 anos, e a designer Clarissa Rosas, 29, conhecem bem de perto as dificuldades de fazer de uma ideia uma marca que atenda às expectativas do consumidor da contemporaneidade. “Como empreendedora de moda, no mercado atual, vejo uma grande dificuldade em colocar no mercado apenas mais um produto. O consumidor está cheio de produtos e não vai se interessar tão facilmente por apenas mais um. Você tem que saber muito bem que é, de onde veio e para onde quer ir, para que o cliente tenha vontade de te conhecer e talvez te acompanhar. E nada de inventar uma história bonita, só para dizer que tem. Com a exposição que temos hoje em dia nas redes sociais, tudo é investigado e desmentido. Sua reputação pode acabar em alguns cliques”, cometa Mariana fundadora da TheHang pendulicalhos.

Com uma proposta que inclui transformar o couro que conhecemos em uma matéria prima mais sustentável, a TheHang está no mercado desde abril de 2016. “Comecei com os pequenos acessórios, por uma questão de escala de produto. A ideia era transformar as Chatelaines – que foram as primeiras bolsas que as mulheres usaram – em um conceito moderno para facilitar a organização da bolsa ou da mochila. Tenho pensando muito sobre a indústria do couro, seus produtos e como o consumidor percebe a matéria prima.”

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TheHang: Estilista faz uso de resíduos do couro na produção de acessórios pendulicalhos – Fotos: Instagram/@the.hang

Mariana explica que o couro é uma matéria prima nobre, de alta durabilidade e que sim, gera muitos resíduos, na produção do próprio e depois quando é transformado em produto e defende o uso de retalhos e aparas em sua criação e produção. “Vi um nicho que poderia atuar, alinhando design e upcycling em um mesmo produto. Aprendi técnicas artesanais italianas e essa nova visão do artesanato contribuiu para a finalização do conceito da TheHang”, comenta a estilista que após um ano de trabalho percebeu a necessidade de alinhar a marca com o mercado. “Resolvi abraçar o curso [Arquitetura para Negócios de Moda] por inteiro. Comecei a marca como muita gente faz: com um nome, um logo e um produto; sabendo que faltava muita coisa para poder chamar ela de marca. Por isso, desde que comecei a trabalhar a TheHang tenho buscado aprimorar nos conceitos que fazem ela ser mais do que apenas um produto.”

A angústia que afeta Mariana aflige também a designer Clarissa. Sua marca, a Rude é fruto de suas inquietações e resultado de um processo de autoconhecimento e busca por sua expressão. “Antes da marca trabalhei com moda, artesanato e cenografia. Em 2014 meu companheiro e eu sentimos a necessidade de passar nossa mensagem e nossos valores para o mundo. E assim nasceu a Rude-B, uma marca de camisetas que levavam a mensagem de ícones de resistência como Gandhi e Malcom X. Comecei a fazer acessórios inspirada em movimentos de rebeldia e resistência como os Rude Boys Jamaicanos e o Afropunk. E em 2016, com mais informação de moda e cultura pop, e com menor envolvimento do meu companheiro, foquei mais em acessórios e reformulei a marca, que passou a ser apenas Rude, com uma proposta mais fashion e design conceitual com o propósito de compor a expressão pessoal de quem dela se apropria.”

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Rude: Marca de brincos, pulseiras e colares tem artesanato no DNA – Fotos: Instagram/@rude.bstyle

Com sua marca autêntica, ousada, como são as pessoas de personalidade forte, Clarissa se viu diante do dilema de como fortalecer o discurso e a imagem da sua marca proporcionando uma experiência marcante no consumidor. E para isso também recorreu ao curso do IBModa e Lab Fashion. “Os consumidores estão mais conscientes e, consequentemente, mais exigentes, estão mais politizados. Cansaram dos estereótipos de beleza, não compram mais a ideia que a mídia sempre vendeu como bonito e aceitável e isso é maravilhoso. A Kareen  Terenzzo é incrível, seu curso de comunicação foi incrível e direto”, disse Clarissa referindo-se ao 1º módulo do curso “A Comunicação na Moda – Como Contar Sua História para o Mundo”, realizado nos dias 9 e 10 de junho. “Pude aproveitar bem as ferramentas de reflexão e gostei do que vi que já venho fazendo. O módulo da Lu [Robic, sobre Branding in a Hard Market: como construir a arquitetura imaterial da sua marca] foi igualmente incrível, porém, bem mais complexo. Pensar nos sentimentos, sensações e impressões imateriais é bem construtivo e necessário, pois são as emoções que causamos que ficarão guardadas na memória. Estou procurando informação sobre isso, pretendo desenvolver isso de forma mais intensa na marca a partir de agora”, afirma.

Mariana assim como Clarissa tem feito a lição de casa. A estilista que se inscreveu no curso sem criar expectativas, afirma que sua participação foi a melhor coisa que poderia ter feito por sua marca. “Me surpreendi muito com as aulas da Kareen. Foram horas preciosas em que ela fez questão de mostrar tudo o que podia no tempo alocado, além de um tratamento personalizado com cada aluno”, diz Mariana que, após pontuar pontos positivos e negativos de sua marca, vem colocando em prática mudanças e melhorias. “Deu um gás e um pique.”

IBModa é opção para quem busca atualização

Diretora de Marketing do Instituto Brasileiro de Moda (IBModa), Luciane Robic conta que o instituto foi criado em 2001 com o objetivo de trazer ao mercado visão de negócios. O objetivo era introduzir no ensino brasileiro de moda novos formatos e conceitos. O primeiro curso foi o MBA em Design e Negócios da Moda. “Nossas atividades sempre foram sustentadas por dois pilares muito fortes: tanto a parte da gestão quando a parte de design. Então a gente desde sempre acha importante trazer toda essa questão da organização de olhar e do mercado. E entender esse mercado propondo um posicionamento diferenciado. Equilibramos a questão de design quando a gente fala de produto, quando a gente fala de trazer uma performance que cria e gera valor para toda a questão que é desenvolvida”, explica Luciane.

Luciane Robic durante workshop Branding in a Hart Market – Foto: Marcela Fonseca

Atualmente o IBModa trabalha na área de educação, pesquisa e consultoria, tendo como portfólio a participação em projetos em polos criativos, sempre considerando o consumidor para desenvolver o posicionamento e estratégia de marca. E o objetivo continua sendo contribuir para o desenvolvimento do setor que se transforma diariamente.

“Estamos passando por uma grande mudança de verdade, não só na questão do consumo. E há duas questões que é justamente uma mudança de valores e então a moda está fortemente relacionada às mudanças de valores no que diz respeito à questões de origem do produto fabricado, essa menos ostentação, as pessoas estão mais ativistas de identidade também. Os hábitos de consumo e comportamento são outros. E outra questão é a econômica. O mundo inteiro passa por crise financeira o que reflete na relação e análise do custo benefício. Então entra as questões do quanto você realmente precisa e o quanto tal produto vai ser importante nas suas experiências de dia a dia do cotidiano.”

Para Luciane é hora de olhar para o mercado e, principalmente, para as mudanças com sensibilidade. “”A moda é o mercado onde mais habita essas mudanças, porque é um produto que se relaciona com a questão da representatividade de significado, de representação simbólica e que a gente usa praticamente 24 horas, então ela é a primeira a verbalizar essas mudanças.”

Em setembro, o IBModa promove em São Paulo o 5º Congresso Internacional de Negócios de Moda. O evento que que teve duas edições no Rio de Janeiro (RJ) e outras duas em Lisboa (Portugal), chega a São Paulo para edição que acontece na Universidade de São Paulo (USP) em parceria com os cursos de Têxtil, Moda e Marketing. “O propósito é ir além das fronteiras do conhecimento. Ampliar isso, discutir e debater novas estratégias para o mercado da moda”, finaliza.

Serviço

Instituto Brasileiro de Moda – Curso Arquitetura para Negócios de Moda

Local: Lab Fashion – Rua Dona Antônia de Queiroz, 474 – sala 16 – Consolação – São Paulo – SP

Dias e horários: 7 e 8 de Julho / 21 e 22 de Julho – Sextas-feiras, das 18h30 às 22h30 e aos sábados, das 9h30 às 17h30.

Investimento: O valor de inscrição em cada um dos módulos é de R$ 750, mas há desconto para quem se inscreve com antecedência.

Informações e inscrições: clique aqui

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