Depressão não é frescura. Depressão é doença. E é grave! — Moda Sem Crise
07 • abril • 2017

Depressão não é frescura. Depressão é doença. E é grave!


SAÚDE – “Você precisa reagir” – Perdi a conta de quantas vezes ouvi essa frase. Não era tão simples quanto parecia. Sabia que havia algo errado. Então, com o apoio de um amigo, decidi me tratar. Procurei um médico especialista. Mas o fato de estar diante de um problema que só um psiquiatra poderia medicar, causava desespero ainda maior.

Escolhia sempre as primeiras horas do expediente para o encontrar. Saia de seu consultório antes mesmo das 8h30 da manhã. E às 10h estava na redação para trabalhar. A ideia era fazer com que absolutamente ninguém soubesse. Em casa a justificativa para sair mais cedo era sempre a urgência de uma pauta.

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Abril de 2013, Paris, França – O alerta surgiu pouco antes de embarcar para uma viagem onde passei por alguns países da Europa. De volta ao Brasil, meu amigo Sílvio César me convenceu buscar ajuda – Foto: Marcos Moura

Dia 1º de Agosto de 2013, após apuração externa, cheguei ao jornal, por volta de 13h, mas sem qualquer condição de trabalhar. Fui surpreendida por uma crise de choro ainda nas escadas. Contei com o carinho de amigos. Horas mais tarde fui levada para casa.

Achei que no dia seguinte estaria tudo resolvido. Mas logo na recepção fui barrada. E de lá mesmo, a psicóloga Maria que trabalhava no RH  da empresa me convenceu que precisava de cuidados. Primeiro fomos ao clínico do convênio que me medicou com tranquilizantes. E de lá seguimos para o tal psiquiatra.

Meu maior segredo havia sido revelado. E pior: o médico pediu que eu fosse afastada por dois meses do trabalho.

Acabei ficando longe da minha mesa por cinco meses e nove dias. Me lembro da angústia dos 15 primeiros dias sem fazer absolutamente nada. Era agitada e não admitia que naquele momento tinha mesmo era que ficar parada. Isso doía muito em mim. Mas a essa altura toda agitação se transformou em dias e noites apenas deitada.

Que porrada a vida parecia acabar de me dar. Aos poucos fui entendendo. Mas ainda sem aceitar.

Havia ainda toda uma família envolvida nisso. E foi preciso explicar em casa o que estava acontecendo comigo. Uma profissional da saúde nos visitou para que juntas tentássemos explicar. Não estava sendo fácil. Nem pra mim, nem para os que me cercavam. Ninguém sabia como lidar.

O diagnóstico de depressão é visto por muitos com preconceito. Eu tinha esse mesmo preconceito. Achava absurdo admitir, mesmo que apenas pra mim. Depressão severa? Logo eu? Como assim?

Mas, pra ela não importa qual sua atividade profissional, seu estilo de vida, as pessoas que o cerca. Muito menos a imagem que você ostenta nas suas redes sociais – lá pode parecer mesmo tudo muito perfeito, ainda que essa definitivamente não seja a realidade. Se a depressão encontra a brecha que precisa, ela te pega e ponto final.

Aos poucos também passei a reconhecer a importância da medicação. Alguns remédios me fizeram “sentir flutuar”. Mas quando ajustados corretamente, a fase das piores crises de ansiedade e de pânico ficaram para trás.

Ainda carrego comigo uma cicatriz, resultado de uma hipoglicemia que de tão séria me fez convulsionar. Um corte pouco abaixo da sobrancelha esquerda me fez levar nove pontos. Todo esse episódio me fez entender mais sobre a Diabetes Mellitus. Até então, mesmo com mais de 18, 19 anos de diagnóstico, eu sequer me dava conta de toda a minha realidade. A chance de uma pessoa diabética desenvolver depressão é enorme. E lá estava eu, diante da psicóloga que insistia em trazer à tona nas manhãs de terapia, esse outro diagnóstico. Foi também aos poucos que passei a entender e tentar me relacionar com a minha DM tipo 1.

E passado algum tempo, talvez um bom tempo, toda essa história deixou de ser algo que eu tinha obrigatoriamente que esconder e apagar da memória. Foi então que decidi que o melhor seria conversar. Falar com quem passou por isso. Falar com familiares de quem passou ou passa. Falar com quem sequer faz ideia do que é e com quem sabe exatamente do que se trata. Simplesmente falar.

1 Ensaio Edilene e Marcela - Edson Lopes Junior (7)

Foto do primeiro ensaio fotográfico que realizamos para o Moda – Além dos profissionais da saúde, amigos e familiares me ajudaram nessa fase da minha vida. A arte também me ajudou bastante. E, claro, o Moda Sem Crise tem tido também grande contribuição. Busque força nas pessoas e coisas que ama – Foto: Edson Lopes Jr.

Hoje vi em veículos de comunicação a repercussão deste 7 de abril – data instituída pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como o Dia Mundial da Saúde. E, para 2017, a organização decidiu chamar a atenção para a depressão – principal causa de problemas de saúde e incapacidade em todo o mundo.

Segundo a OMS, a depressão tem crescido de forma alarmante em todo o planeta. E o Brasil tem maior prevalência da América Latina. A doença afeta 4,4% da população mundial. Mas aqui esse índice é infelizmente ainda maior, 5,8% dos brasileiros são afetados por esse diagnóstico. O país é tem também a maior prevalência de ansiedade no mundo, 9,3%. E neste caso, quando o assunto é a ansiedade, não se trata daquele momento em que você espera que a mensagem do crush apareça na tela do celular ou os momentos que antecedem a chegada de algo ou em algum lugar. Se trata de uma sensação que faz parecer que o mundo está prestes a acabar. Que faz o coração disparar e é possível senti-lo bater na garganta, tamanha sua força ao pulsar. Se trata da angústia causada pela insônia e a certeza de que não vai dormir e que falta muito para que ‘dê a hora de acordar’. Significa aquele momento que o cérebro parece não responder e o corpo não atende ao estímulo que te faz andar e sair do lugar.

Enfim, todos esses números mostram o quanto a questão é grave. Então, em vez de dizer “VOCÊ PRECISA REAGIR” a sugestão que deixo aqui é que ao encontrar alguém com sintomas de perda de energia, alterações no apetite, dormindo mais ou menos do que se está acostumado, com ansiedade, concentração reduzida, indecisão, inquietação, sentimentos de inutilidade, culpa ou desesperança e pensamentos de autolesão e suicídio – ou qualquer outro relacionado à depressão – diga: VAMOS CONVERSAR?

Esse é o primeiro passo para que até a pessoa com o mais alto nível do diagnóstico consiga sair dessa e melhorar! Então, se precisa de apoio, eu, Marcela estou aqui, vamos conversar?

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