Arquivos Mesa Corrida — Moda Sem Crise
09 • junho • 2017

Em época de mexerica, evite comer manga


MESA CORRIDA – É bem verdade que, no Brasil, grande parte dos alimentos pode ser encontrada em quase todos os meses do ano, mas às custas de mais trabalho, agrotóxicos e pesticidas. O que implica em um aumento no custo de produção e, evidentemente, no preço final que todos nós pagamos na feira. Mas a dinâmica não mexe só no bolso, há também outros prejuízos como poluição ambiental e danos graves à saúde do produtor e do consumidor, incluindo intoxicação e câncer. Continue lendo


04 • maio • 2017

Sobre um espírito empreendedor


MESA CORRIDA – Aos 18 anos, eu queria abrir uma padaria. Meu pai tinha acabado de perder o emprego e eu de passar no vestibular para o curso de Comunicação. Pra mim, a saída para os nossos problemas financeiros era produzir e vender pães, bolos, biscoitos. E eu apostava tudo nos meus bolinhos de chuva. Os venderia quentinhos, em porções acompanhadas de um café com leite ou chá. E não teria como alguém resistir. Na minha casa ninguém resistia. Seria nosso maior sucesso, com certeza.

Consultei várias revistas especializadas em panificação e, em duas semanas, eu estava com a padaria pronta na minha cabeça. Tinha listado os equipamentos e a mobília que precisaríamos. Pensei na decoração e nos produtos a serem comercializados. E também já tinha idealizado o lugar. Apresentei o “megaprojeto” elaborado em 15 dias à minha família e, tão logo, meus pais me chamaram para a realidade: não tinha capital de investimento. E, talvez, o meu bolinho de chuva não fosse suficiente pra segurar os gastos de um estabelecimento daquele porte. Claro que teimei na proposta, mas vencida por duas mentes mais maduras e sensatas, engavetei o meu projeto e fui vender bijuterias para garantir uns trocados. Continue lendo


20 • abril • 2017

Be rebelious, eat dessert first


MESA CORRIDA – Se o restaurante é daqueles que apresentam o cardápio do lado de fora, então, pode ter certeza de que a minha decisão entre entrar ou não dependerá, em grande parte, do que me oferecem na lista de sobremesas. Sou uma amante de doces declarada e valorizo muito esta etapa da refeição. Já cheguei a entrar num estabelecimento pra almoçar só por causa do que vinha no final, um autêntico crème brûlée. Claro que antes de chegar ao meu “objeto de desejo”, passei por umas torradinhas de entrada e um pato com batatas como prato principal.  O que, numa análise posterior, me pareceu um despropósito, afinal, eu poderia ter começado pelo o que realmente interessava. Continue lendo


05 • abril • 2017

Picolé de Groselha


MESA CORRIDA – Aos três anos de idade, eu prendi o dedo da mão na porta do banheiro e perdi a unha do mindinho. Doeu muito! Mas a minha primeira grande dor na vida, eu só conheci um ano depois, quando fiquei sabendo que meu tão amado avô, não era meu avô biológico. “Aquele não é seu avô de verdade”, me contou alguém infeliz demais pra medir palavras ou respeitar a decisão dos meus pais de deixar essa verdade para mais tarde. Eu, tão pequenina, saí pela casa (que estava cheia de gente se preparando para o casamento do meu tio) num choro desesperado, querendo que alguém me dissesse que aquilo era mentira. Mas não era. Não conseguia encarar meu avô, porque tinha vergonha misturada ao sofrimento. Então, caí no colo dos meus pais, cobrando explicação para o que, naquele momento, era incompreensível pra mim. Continue lendo


22 • março • 2017

Compra amarga


MESA CORRIDA – Eu escolhia jiló na banca do mercadinho quando duas mulheres de uns 70 anos pararam ao meu lado para comprar abobrinhas. Pela conversa, parecia que se encontraram ali por acaso, depois de um longo tempo sem se verem. E diante dos legumes, resolveram colocar o papo em dia. Durante os mais ou menos quatro minutos em que permaneci por perto, o assunto só envolvia infortúnios: a morte do marido da fulana, o casamento fracassado do sicrano, a doença de uma delas. Continue lendo


08 • março • 2017

Braço de merendeira


MESA CORRIDA – Posávamos para uma foto em grupo, quando uma das amigas disse firme para quem fotografava: “cuidado para eu não aparecer com braço de merendeira”. Mais que depressa, uma outra reforçou: “ah, é! Por favor!”. A partir daí, os segundos do clique viraram minutos, até que o display da câmera digital apresentasse uma imagem digna de ser postada na rede, ou seja, moças sem braços de merendeiras. “Braço de merendeira?”, era a primeira vez que eu escutava a expressão e minha pergunta teve resposta sussurrada entre os dentes: “é um braço gordo”.

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22 • fevereiro • 2017

Sem glúten e sem lactose – para quê?


MESA CORRIDA – Todos os dias eu comemoro o fato de não ter alergia ou intolerância a qualquer tipo de alimento. E também por não sofrer de alguma doença que me impeça de comer algo. Pois imagino o quanto é difícil abdicar de um hábito ou prazer pela comida por obrigação. Sou absolutamente solidária aos diabéticos que chegam numa festa de aniversário e têm que manter distância do brigadeiro; aos celíacos que sonham com um pãozinho francês quentinho besuntado de manteiga sem poderem abocanhar nem mesmo a casquinha; aos intolerantes à lactose que precisam se esquivar do queijo minas de todo o dia.

Independente das necessidades individuais, tenho muito respeito pela opção (ou a falta dela) de cada um em como conduzir sua alimentação. Mas me incomoda essa cultura de sempre transformar um cardápio de doenças crônicas na dieta da moda. Explico: há alguns anos atrás, grande parte das pessoas aderiu ao consumo de produtos diet para emagrecer, ignorando que essa linha de alimentos é direcionada aos diabéticos. Isso perdurou até os consumidores se conscientizarem que a retirada do açúcar implica no aumento de um outro ingrediente, como a gordura ou sódio, para garantir estrutura e sabor dos produtos. Aí passou-se a consumir os lights. Continue lendo


08 • fevereiro • 2017

‘Pão é amor entre estranhos’


MESA CORRIDA – O telefone tocou na manhã de quinta-feira e veio o anúncio de uma visita ‘inesperada’ para o almoço do domingo seguinte. Do lado de cá da linha, a voz trêmula e o sorriso amarelo no consentimento do evento era resultado de um misto de surpresa e insegurança.  Afinal, histórias do passado e a falta de intimidade fazia da presença do pai biológico (recém-aparecido quando a filha já somava 40 anos de idade) um momento um tanto embaraçoso. E na cozinha dela, então, que é lugar de quem é de casa, o incômodo parecia tomar proporções maiores. Mas o encontro era necessário, pois fazia parte das suas novas regras de convivência. Continue lendo


26 • janeiro • 2017

Comida de aniversário


MESA CORRIDA – Festa de aniversário pra mim é sinônimo de comida. De bebida, de amigos, de música e dança, de enfeites e firulas. Mas, sobretudo de comida. E tal confissão não é de se estranhar, vindo de alguém que vive a cozinha na maior parte do seu tempo. Pois bem, basta me confiarem alguma comemoração por mais um ano de vida e tão logo começo minha lista de comes. Elenco os tipos de salgadinhos, os doces, e me desafio a servir o melhor bolo. O segundo passo são as bebidas para acompanhar. E todo o restante da festa se desembola a partir do cardápio. Continue lendo


11 • janeiro • 2017

Quem é mineiro nunca perde a mineiridade


MESA CORRIDA – O típico café da manhã paulista tem pingado e pão na chapa. E foi isso que eu pedi em uma padaria logo que aterrissei por essas bandas. Só que, pra minha surpresa, eu mal acabei de fazer o pedido, e, de trás do balcão, um homem de ascendência oriental questionou sério: “E você não vai querer o pão de queijo?”. A pergunta do atendente tinha um quê de ‘conheço seus hábitos alimentares matinais’.  Olhei para um lado e outro, na esperança de que ele não falava comigo. Afinal, o cara nunca tinha me visto, quanto mais saberia o que eu como ou não pela manhã. Continue lendo


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